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Especial vídeo

Pobreza no Porto

A partir desta semana o Expresso vai publicar um conjunto de vídeos de gente com habitações degradadas ou sem um tecto onde se abrigar. Pessoas doentes sem ninguém que as cuide. Desempregados de longa duração sem perspectivas de futuro. Solidão mergulhada no mais profundo desespero.

Pedro Neves, realizador e jornalista
10:00 Sábado, 22 de Nov de 2008
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Basta ligar a televisão, sintonizar a rádio, olhar para a manchete de um jornal. Nos últimos anos a pobreza tem-se agravado no mundo. Nos últimos meses, é actualidade diária em todos os órgãos de comunicação social de Portugal. São os combustíveis que aumentam, as pescas que estão em crise, os alimentos que escasseiam, a precariedade que se alastra, o desemprego que sobe, o nível de vida que nunca esteve tão baixo, a solidão que deprime, a fome, as doenças que se julgavam extintas que voltam aos hospitais, os novos e os velhos pobres.

Se para muitos, o aumento do custo dos alimentos significa comprar dois e não três pacotes de arroz, para outros, o mesmo aumento significa não comprar arroz. Se, para uns, a inflação não lhes permite umas férias folgadas, para outros, a inflação significa deixar de pagar rendas, significa pedir fiado na farmácia, comer um prato de sopa e ir dormir antes que a fome aperte.

De norte a sul do país multiplicam-se os casos de falta de solidez económica, de depressões associadas a fracas condições de vida, ao estilhaçar do trabalho, à inexistência de cuidados de saúde eficazes ou de medidas estruturais que combatam a pobreza.

É no distrito do Porto que a situação é mais grave. Numa área com cerca de 2,5 milhões de habitantes, há cerca de meio milhão de pessoas a viver na pobreza.

O Banco Alimentar Contra a Fome não consegue responder aos pedidos e tem mais de 100 instituições em lista de espera para receber alimentos. O desemprego aumenta, o Rendimento Social de Inserção aumenta, a falta de cuidados de saúde aumenta, o analfabetismo real ou funcional aumenta, a burocracia é difícil de contornar. Depois há as reformas baixas, a escolaridade reduzida, a exclusão familiar, a falta de equipamentos, a vergonha, a depressão. São avós, pais e filhos, famílias inteiras sem objectivos, sem futuro. Moram em bairros sociais, em ilhas, em pensões, em quartos, em tipologias demasiado apertadas ou mergulhadas na mais profunda solidão. Não se tipifica, antes se generaliza a pobreza que atravessa idades, bairros, lugares, que se prende com factores económicos e sociais que funcionam como âncoras que não se conseguem desprender.

Os últimos dados na União Europeia mostram que Portugal é um dos países com maior desigualdade social. No relatório social europeu, Portugal é apontado como o país mais desigual da Europa a 25. No relatório, o país tem 41% de desigualdade quando o ideal se situa nos 1%.

O Eurostat, que mede a desigualdade através da relação entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres, coloca Portugal no fim da tabela europeia. O mesmo acontece entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres. Em Portugal, há um milhão de pessoas a viver com menos de dez euros por dia. Representa 9% da população nacional. Só no distrito do Porto, esse valor chega a meio milhão de pessoas.

Durante a pesquisa para esta série de pequenos documentários, fui a lugares onde morreu a esperança colectiva, onde há gente viva à beira da morte social. São casos escondidos atrás de muros, de janelas e portas fechadas, de portões ferrugentos, de bairros fechados sobre si mesmos. É gente que tropeçou no entulho e na desilusão, nas privações, perdas, angústias, na dolorosa mudança de hábitos. É gente que foi empurrada dos sonhos para o chão. São rostos que encaram a vida como um castigo, actores sociais despidos de sucesso material. São olhares cansados de tanta não sorte, porque não se pode falar de má sorte quando nunca se entendeu o significado da palavra.

Podia - e pode - acontecer a qualquer um de nós. Bastava-nos ter nascido ou crescido num ambiente desfavorável ou que, num determinado momento, a vida tivesse dado outras voltas. Por vezes, é um único acontecimento que desencadeia uma série de reacções que provocam uma drástica mudança de vida: um filho que se tornou toxicodependente, uma mãe que adoeceu, um pai que morreu, uma família analfabeta que nunca se preocupou ou teve condições para educar, um despedimento que se tornou crónico, uma depressão que nunca se tratou.

O que este trabalho pretende é apelar à reflexão sobre o mundo de hoje, sobre a sociedade em que vivemos, o modelo social em que nos inserimos. Se possível, pretende, ao alertar consciências, provocar mudança nas vidas destas pessoas.

Entre dezenas de possíveis personagens, escolhi algumas que simbolizam tudo isto. Chamam-se Ramiro e Rosa, Albino, Helena e Alexandre, Zulmira, Elísio, José Luís. Podiam-se chamar João, Pedro, Isabel ou Catarina. Ou Joaquim, Alice, Olinda, António, Pedro.


PERFIL

Pobreza no Porto

Pedro Neves, nasceu em Leiria em 1977. Estudou no Porto, onde se licenciou em Ciências da Comunicação. Estagiou na Douro - Produções Artísticas, RTP e rádio Deutsche Welle, na Alemanha, antes de se tornar jornalista freelancer.

Desde 1999 que é colaborador do jornal Expresso, onde tem desenvolvido trabalhos de reportagem e diversas reportagens e curtas-metragens documentais para o site multimédia, bem como para a Única, Actual e 1º Caderno. Na Universidade do Porto, concluiu uma pós-graduação em Documentário (2002) e um mestrado em Cultura e Comunicação, variante Documentário, onde escreveu uma dissertação sobre o documentário dos anos da Revolução de Abril que aguarda publicação.

De 2003 a 2008 foi professor de rádio na Universidade Fernando Pessoa, no Porto. Em 2004 participou no Lisbon Docs com o projecto de documentário 2 Horas de Liberdade. É co-autor do livro infantil Uma Bola Sem Fronteiras (2004). Em 2007 frequentou um curso de realização de documentários na Escola Internacional de Cinema e Televisão de San António de los Baños, Cuba.

Em 2007 realizou o seu primeiro documentário, intitulado a olhar o mar (Portugal), e que venceu o Prémio do Público do Festival de Cinema e Vídeo de Vancouver, Canadá. No mesmo ano, co-realizou a curta-metragem documental En la Barberia (Cuba), presente no em diversos festivais internacionais. Em 2008 fundou, com Carlos Ruiz, a empresa audiovisual Red Desert.



Palavras-chave  pobreza  solidão  miséria  alimentos  trabalho  saúde
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No Porto e não só...
Paulocs (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 21:42 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
O Tema é intemporal ( infelizmente). Há que dar a conhecer a quem não sabe !Há que dar a mostrar a quem sabe e não quer ver!
Jornalismo/reportagem assim SIM !
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Conjunto de vídeos sobre a Pobreza no Porto
NMBM (seguir utilizador), 1 ponto , 14:41 | Domingo, 23 de Nov de 2008
Acho muito bem que o Expresso tenha esta iniciativa. É preciso que se mostrem todas essas coisas horríveis que acontecem aos Portugueses. Por vezes sabemos mais o que se passa no estrangeiro porque é muito mais falado e debatido do que no nosso próprio País. Por outro lado, quem sabe se alguém de direito faz alguma coisa em prol desses e de outros que necessitarem mais. Espero que sim, embora tenha as minhas dúvidas.....
Mesmo antes de eu ter visto alguma coisa, fica aqui o meu louvor ao Pedro Neves.
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    KÉRIDO VOCÊ SI DUSTRAIU!!!    Ver comentário
kukakente (seguir utilizador), 1 ponto , 13:16 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
    ???????? Que patetetice! Mais uma... kukaknãopensa    Ver comentário
Sóescrevooquepenso (seguir utilizador), 1 ponto , 13:52 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
Pobreza em democracia?
ANPICAPA (seguir utilizador), 1 ponto , 1:20 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
É de louvar o trabalho presente e futuro de Pedro Neves. São jornalistas destes que os portugueses tem direito a saber da miséria que grassa por este país. Fartos de propaganda estamos todos ( os conscientes) cheios. Pobre país!...
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Grande novidade !!!
bird.1 (seguir utilizador), 1 ponto , 2:46 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
Não é só no porto que existe pobresa em Portugal , realmente é por todo o pais, mas certas pessoas teimam em não ver e continuam na utopia que estamos no plutão da frente da Europa. É MENTIRA, só tenho "pena" que uma grande parte das pessoas que estão nesta situação quando chega a altura de exercer o seu maior poder que é o do voto continuem a dar o mesmo aqueles partidos que criam condições para elas se encontrarem nessa situação. Não percebo como as pessoas não se conseguem fartar de sofrer. Em relação á reportagem espero que não se fique pelo porto poque isso era reduzir o problema.
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A VERDADE CRUA DÓI
NJP (seguir utilizador), 1 ponto , 7:52 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
A verdade crua dói quando a indiferença marca a relação entre pessoas. Nem sempre é justo que se olhe quem não vence como um incapaz, como um mandrião. É verdade que o rendimento social de inserção poderá ter quem o use indevidamente mas a generalização da crítica á sua atribuição é injstado e populista. O Estado que o concede tem o dever de fiscalizar quem o recebe e paralelamente encontrar soluções alternativas de inserção, sem o que a designação é incorrecta. Num tempo de agravamento da miséria mostar a realidade é uma forma de combatê-la quando até parece que a miséria não existe. Parabéns ao EXPRESSO pela coragem de obrigar todos a sentirem quanto a Democracia está por cumprir em Portugal! Pobre não pode a ser sempre pobre!
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Pois é!
Matosped (seguir utilizador), 1 ponto , 10:33 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
É deste tipo de jornalismo que eu aplaudo.

É preciso termos consciência da REALIDADE (e não da irrealidade que é o que hoje em dia ouvimos de quem está no governo) do que se passa no nosso país.

A descentralização é um dos primeiros passos para fazer alguma mudança social.

Na hora de votar tenham consciência em quem votam.
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Vemos ouvimos e lemos:
roze (seguir utilizador), 1 ponto , 10:52 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
Vós que lá do vosso imperio
prometeis um mundo novo,
calaivos que pode o povo
querer um mundo novo a sério.
                        Ant. Aleixo
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Não é só no Porto. É em Portugal inteiro
Xico Taxista (seguir utilizador), 1 ponto , 12:28 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008

Mas o nosso PM dá mais relevância a medidas que lhe permitam dizer "olhó passarinho" para as TVs.
Enquanto distribui "Magalhães" pelos miúdos do 1º. ciclo do básico, deixa milhares de portugueses no limiar da sobrevivência.

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Kérido, você si distraíu!!
kukakente (seguir utilizador), 1 ponto , 12:57 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
... Ki koisa,...Pobreza no Porto? Mas existe pobreza em Portugal?
... Você si distraiu meu kérido, as estatistikas do BPN e do BPP dizem ke Portugal é um país de gente rika.
... Para mim de rika gente!!!
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    No Brasiu não há nada disto cara...    Ver comentário
Sóescrevooquepenso (seguir utilizador), 1 ponto , 14:07 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
    Mas seô onde vive voce? no Kuarto Minguante?    Ver comentário
kukakente (seguir utilizador), 1 ponto , 14:54 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
    A Kuka faz-me lembrar um tipo    Ver comentário
Sóescrevooquepenso (seguir utilizador), 1 ponto , 15:00 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
    Tás a ver... ainda te chama    Ver comentário
cristo rey (seguir utilizador), 1 ponto , 15:17 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
    Ó atrasado, já percebi que estás apaixonado    Ver comentário
Sóescrevooquepenso (seguir utilizador), 1 ponto , 15:31 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
A única e derradeira esperança!
Xarrama (seguir utilizador), 1 ponto , 13:18 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
O que todos nós ambicionamos é que o nosso país adquira um desenvolvimento sustentado por forma a conseguirmos uma crescente convergência com os nossos parceiros europeus. Esta será sem dúvida a forma mais eficaz de corrigir estas assimetrias que ainda se verificam na sociedade portuguesa. Talvez esta crise financeira mundial constítua um nicho de oportunidades para atingirmos esse objectivo!
Uma coisa é certa, nunca conseguiremos lá chegar com governos debilitados de maiorias simples que caem com qualquer manifestação de rua ou suportados pelos partidos da esquerda ortodoxa ou da extrema-esquerda. O exemplo desastroso dos países que professam estas ideologias é bem elucidativo do fracasso desses sistemas sócio-económicos.
Por outro lado, O PSD definha a cada dia que passa, à medida que as suas figuras mais mediáticas se degladiam na Praça Pública e a opinião pública assiste estupefacta ao desenrolar dos acontecimentos relacionados com esquemas de corrupção, compadrio e crimes económicos, que envolvem ex-Ministros daquele partido.
Quanto ao CDS, também ele atingido em cheio na sua credibilidade pela actuação de alguns ex-Ministros dos Governos de Durão e Santana nos processos " Portucale" e Casino de Lisboa, a única dúvida que persiste é se o partido irá ser o do Taxi ou o da Trotinete.
Se o Partido Socialista conseguir nas próximas legislativas uma nova maioria absoluta, acredito que seja possível obter, no médio prazo, a tão desejável convergência com as economias ocidentais mais desenvolvidas!
Até lá ,as situações de miséria na Sociedade Portuguesa vão continuar a existir e a ferir as nossas consciências e os nossos sentimentos.
De quaquer forma constitui para mim um certo consolo saber que existe um Rendimento Social de Iserção, criado e implementado pelos Governos do Partido Socialista e condenado pelos partidos da Direita, que permite que não ocorram situações de pobreza extrema e que possibilita a essas famílas acender uma luz de esperança para a reabilitação das suas vidas!
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João Pinto Elyseu (seguir utilizador), 1 ponto , 13:28 | Segunda-feira, 24 de Nov de 2008
O que se comenta quando se leva um murro no estômago?
BRUTAL!
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O discurso de Pilatos...
Pedro Lemos (seguir utilizador), 1 ponto , 10:54 | Quinta-feira, 27 de Nov de 2008
Quem encomendou ao senhor (ou senhora...) Xarrama o seu belo discurso à maneira de Pilatos?

Lava o governo socialista as suas mãos desta situação gritante (meio milhão de pessoas a viverem na pobreza na região do Porto...) com a atribuição de um Rendimento Social de Inserção de miséria?

Sim, é bem verdade que as verdades cruas doem. .. Mas quem se reclama socialista não pode honestamente fechar os olhos a estas verdades e calar a consciência com discursos de Pilatos...

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Cristo bem ou não bem? É que isto está uma merda.
ilumimado (seguir utilizador), 1 ponto , 10:58 | Domingo, 8 de Fev de 2009
O problema está no homem (em ti, em mim em nós). Tanta gente com poder de decisão a apregoar contra as injustiças sociais, que admira-me como chegamos a esta situação e ainda não saímos dela. Onde estão os bandidos (os maus da fita), só vejo artistas (gente boa). Não gosto de vós, meteis-me nojo, não conseguis assumir que sois um buraco negro (sugais tudo a vossa volta) tirais o pouco que resta de vida ao povo (povo = combustível tipo carvão do rico). Porém acreditai, sou nuclear e radioactivo. Como não tenho partido político, nem clube de futebol, porto-me mal. A morrer, irei fazê-lo nos vossos braços senhores.

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