Flores vermelhas e brancas vão marcar a chamada de atenção à China de milhares de apoiantes da Amnistia Internacional. Em causa: a memória de centenas de pessoas assassinadas durante os protestos de pró-democracia em Tiananmen, a 3 e 4 de Junho de 1989. De Londres a Tel Aviv, até à Cidade do México, pedir-se-á a libertação das dezenas de activistas e envolvidos nos murmúrios que continuam presos desde há 19 anos.
"A retaliação governamental aos protestos de Tiananmen em Junho de 1989 matou centenas de pessoas e, ainda hoje, dezenas de indivíduos definham nas prisões chinesas por ousarem questionar o governo. Não existe nenhum argumento válido para que as autoridades chinesas continuem a manter estas pessoas presas", afirmou Sam Zarifi, director da Amnistia Internacional para a região Ásia-Pacífico.
A invocação para que seja concedida a amnistia é justificada porque "se encontram presos há muito tempo, dada a natureza sumária e injusta dos seus julgamentos e devido ao facto de continuarem sem respostas os repetidos apelos para que sejam julgados de acordo com os padrões internacionais", segundo o comunicado a Amnistia Internacional em Portugal.
Olimpíadas de Pequim e os direitos humanos
As vítimas do terramoto de 12 de Maio passado, que devastou a província chinesa de Sichuan causando a morte a quase setenta mil pessoas, são também lembradas durante o cumprimento de um minuto de silêncio.
Sam Zarifi lança duras críticas às autoridades chinesas: "provaram que podem responder a crises naturais eficazmente. Apelamos para que façam o mesmo no que diz respeito aos direitos humanos, como o direito de expressar a opinião de forma pacífica".
"A China prometeu progressos no campo dos direitos humanos durante a contagem decrescente para os Jogos Olímpicos. Libertar os activistas de Tiananmen, compensar devidamente os familiares daqueles que foram assassinados e permitir o luto público e a homenagem às vítimas seriam algumas das medidas necessárias para estabelecer um legado positivo para os Jogos no que respeita aos direitos humanos", frisou a responsável. E acrescentou: "o governo chinês deve apoiar e proteger as famílias daqueles que morreram em Tiananmen, e não persegui-los durante anos".
Para Zarifi "está na altura da China se debater com esta tragédia e começar um processo de responsabilização e de sarar as feridas".
Além dos familiares dos activistas, também jornalistas e aqueles que mostrem apoio aos protestos, apesar de anos depois destes terem ocorrido, continuam a ser alvo do olhar vigilante e retaliação chinesa.
A Amnistia Internacional chama-os de "prisioneiros de consciência" e pede a libertação "imediata e incondicionalmente".