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Novo código do trabalho

Empresas pagam mais por contratos a prazo e recibos verdes

O Governo quer agravar os encargos para os empregadores que usam vínculos precários. Pretende ainda flexibilizar horários, incentivar a contratação de trabalhadores, reduzir a burocracia nos despedimentos e alargar a licença de paternidade e maternidade. (Consulte o documento em formato PDF com as propostas do Governo)

Isabel Vicente e João Silvestre
17:04 Terça-feira, 22 de Abr de 2008
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Vieira da Silva, ministro do Trabalho e Solidariedade Social
Vieira da Silva, ministro do Trabalho e Solidariedade Social
Ana Baião

As empresas que utilizam trabalhadores contratados a prazo e prestadores de serviços com recibos verdes vão ter que descontar mais para a Segurança Social. A nova legislação laboral apresentada hoje aos parceiros sociais pelo ministro do Trabalho e Solidariedade Social, Vieira da Silva, prevê que a taxa contributiva a cargo das empresas, actualmente em 23,75%, se agrave em três pontos para os contratos a termo e diminua um ponto nos trabalhadores contratados sem termo. Nos contratos a prazo, o limite máximo diminui de seis para três anos. No caso do trabalho independente, as empresa vão ter que suportar cinco pontos da taxa de 32,5% que actualmente é suportada por estes trabalhadores que terão ainda uma redução adicional de 2,4 pontos.

Vieira da Silva disse que "esta proposta visa incentivar a passagem de falsos recibos verdes a contratos a prazo e contratos a prazo a contratos sem termo". Também, por isso, reduziu de 6 para 3 anos a contratação a termo. O ministro considera estas propostas "profundamente renovadoras e justificadas" porque, como explica, hoje mais de 50% do desemprego tem a ver com a cessação de contratos de trabalho a termo, um encargo que é suportado por todo o sistema indevidamente.

Mas há mais novidades no novo código do trabalho, que Vieira da Silva quer ver em vigor no início do próximo ano. Os trabalhadores poderão ver os horários de trabalho flexibilizados através de acordos colectivos, que passam a caducar ao fim de dez anos. Nos despedimentos, o Governo mantém as normas sobre a justa causa mas pretende reduzir a burocracia, isto é, meter os tribunais a julgar os factos e não questões processuais.

Para incentivar as contratações há também algumas medidas na nova legislação. Entre as quais, por exemplo, a redução de metade da contribuição da empresa para a segurança social durante três anos nas contratações de trabalhadores com mais de 30 anos e isenção total nos jovens contratos sem termo com menos de 30 anos desde que tenham o ensino secundário completo.

O Governo não esqueceu a natalidade - um tema em que o primeiro-ministro tem insistido - e quer substituir as licenças de maternidade e paternidade por uma única de parentalidade inicial. Na prática, o pai passa a gozar obrigatoriamente dez dias em vez dos actuais cinco, os dias opcionais passam a ser pagos na totalidade, é introduzida a possibilidade de gozo de cinco meses remunerados a 80% desde que haja partilha entre os pais e também de cinco meses a 100% ou seis meses a 83% se um dos meses for gozado exclusivamente por um dos pais. Sócrates esteve na primeira reunião de concertação com os sindicatos o que só tinha acontecido duas vezes desde que é primeiro-ministro: no salário mínimo e na lei de bases da Segurança Social.

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É bem
Spitzer (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 18:06 | Terça-feira, 22 de Abr de 2008
É bem mas é pouco. Os contratos a prazo deveriam pagar muito mais de 30% porque a probabilidade de a pessoa ficar tempo sem descontar é maior. Para além disso, trabalho temporário deve ser significativamente mais caro para ser desincentivado. Quem quer ser patrão tem que dar garantias.. senão vá trabalhar como os outros. Ser empresário não é para todos.. é mesmo assim.

Quanto aos recibos verdes, nem percebo porque existem. As empresas passam facturas e recibos; Quem trabalhar por sua conta deve constituir uma empresa e emitir as respectivas facturas e os recibos associados. Simples. Para quê complicar?
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Flexi segurança ou maior rigidez?
edimburg (seguir utilizador), 1 ponto , 18:21 | Terça-feira, 22 de Abr de 2008
Estas medidas parecem-me correctas mas fico sem entender se a estratégia traçada pelo governo no que diz respeito ao mercado de trabalho, aponta mais para a flexi-segurança ou para a maior estimular a maior rigidez dos vínculos dos trabalhadores com as empresas. Não me parece contudo que as empresas alterem o tipo de contrato de trabalho por causa de escassos pontos percentuais no desconto para a segurança social.
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recibos verdes igual a escravatura
userEX44526 (seguir utilizador), 1 ponto , 7:58 | Quarta-feira, 23 de Abr de 2008
Quem opta por ter um trabalho por conta própria colecta-se nas finanças dando início à sua actividade, passando a trabalhar como uma empresa e cobrando preços de mercado em vez de cobrar salários. Faz um trabalho aqui e outro ali, vai angariando clientes e fazendo tudo à sua maneira, sem intervenção de outrém.

Muitas empresas optam por arranjar empregados a trabalhar em prestação de serviços, fazendo-os fingir que são trabalhadores independentes, que trabalham por conta própria, e é muito simples saber o porquê! Para começar, um prestador de serviços é facilmente descartável, ou seja, assim que a empresa quer e apetece manda-o embora e manda vir outro para o seu lugar sem quaisquer satisfações, indemnizações, nada, simplesmente só tem de "dispensar" os seus serviços como se estivesse a dispensar os serviços de uma empresa...
Não importa o tempo que o trabalhador tenha prestado serviços para essa empresa. Um ano, dois anos, ou apenas dois meses, continua a ganhar o mesmo. Embora seja trabalhador independente, as empresas controlam o seu horário de trabalho na empresa, o que não devia acontecer, pois assim é um falso trabalhador independente.

Muitas pessoas trabalham anos como trabalhadores normais, com horários de trabalho, com a mesma aplicação de um trabalhador normal, mas acabam por passar recibos verdes no final de cada mês, não têm direito a férias nem a subsídios de férias e são obrigados pelas finanças a pagar 20% do seu salário todos os meses às finanças, mais 200 euros à segurança social (também todos os meses). Uma pessoa precisa de ganhar 1000 euros para ter ao final do mês 600 euros!! E ainda se ultrapassa um certo limite nos ganhos anuais ainda tem de colocar de parte mais 21% IVA, o que o faz ganhar apenas 400 euros por mês (quando a empresa não aceita pagar o IVA conforme a lei obriga).
Como será possível haver empresas que se sujeitam a contratar trabalhadores desta forma?

Pessoalmente, acho isto um roubo!!! Será que voltámos à época da escravatura?
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    Re: recibos verdes igual a escravatura    Ver comentário
JimmyTheSailor (seguir utilizador), 1 ponto , 18:09 | Sábado, 26 de Abr de 2008
Tou farto de ouvir isto...
JimmyTheSailor (seguir utilizador), 1 ponto , 18:06 | Sábado, 26 de Abr de 2008
que considero um absurdo. As empresas pagam tantos osntos percentuais ao estado por cada trabalhador. Uma grande treta... uma grandessíssima treta...
Ora vejamos:
Vencimento Base Bruto: 1000 donde se desconta 11% S.Social - 110
Desconto empresa S.Social (21%) 210
----------------
Encargo toral da empres com trabalhador 1210

Donde vai para a segurança social um total de 320 de um total de 1210.
Esses 1210 que são o encargo total foram produzidos por mim, são o meu vencimento. O empregador quando me contrata sabe que eu tenho de produzir o suficiente para cobrir os tais 1210.
Aí está a treta. Os trabalhadores só pagam 11% enqaunto que na realidade são 26% a 27%. Se juntarmos a isso o IRS e as outras tretas os nossos VERDADEIROS encargos podem chegar a mais de 50% da nosso vencimento. Essa é a grande treta deste país...
É tudo uma chulice... (não gosto do termo mas de momento não encontro outro sem ser vernáculo).
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