Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, José Sócrates, primeiro-ministro, e Francisco Nunes Correia, Ministro do Ambiente, na apresentação do Projecto de Alta Velocidade, no Centro de Congressos da FIL, em Lisboa
Ana Baião
De acordo com um estudo encomendado pela Comissão Parlamentar dos Transportes e Turismo do Parlamento Europeu (PE) a uma empresa de consultoria, o custo da ligação em alta velocidade entre Lisboa, Porto e Madrid pode ter uma derrapagem na ordem dos 40%.
A estimativa consta de um documento sobre a actualização dos custos das chamadas redes transeuropeias de transportes (TEN), 30 mega-projectos a realizar por toda a Europa, de que o TGV ibérico faz parte.
A PricewaterhouseCoopers estima que estes grandes trabalhos europeus, anunciados em 2004, vão sofrer uma derrapagem de custos média na ordem dos 11,6% e o seu custo inicial, 340 mil milhões de euros, atingirá os 379 mil milhões.
A alta velocidade entre Portugal, Espanha e com posterior ligação a França (o projecto nº3, conhecido como "Eixo de Alta Velocidade Ferroviária do Sudoeste da Europa) será o 9º mais inflacionado, com uma derrapagem de 13,7%. Mas a componente deste projecto entre a capital portuguesa e a do país vizinho e que passa pelo Porto salta dos 8 mil milhões de euros previstos em 2004 para quase 11 mil milhões e meio de euros, o que representa um aumento na ordem dos 40,6%.
O estudo em causa não entra em mais detalhes sobre a forma como estas derrapagens vão afectar os diferentes países envolvidos nos projectos, nem especifica as causas das diferentes alterações de preços. Apenas refere que as mesmas se podem dever a problemas na gestão dos projectos, na planificação, a alterações nas respectivas especificações, à falta de financiamento e a atrasos provocados por processos legais.