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Petição em defesa do ensino artístico

É entregue amanhã, quarta-feira, na Presidência da República, uma petição com 4.500 assinaturas contra a reforma do ensino artístico. O movimento de cidadãos conta com o apoio de várias personalidades da cultura e das artes.

Katya Delimbeuf
19:05 Terça-feira, 19 de Fev de 2008
Os 4.500 assinantes da petição pedem um novo estudo, feito por especialistas do ensino artístico, para que se possa proceder a uma reforma com propriedade
Os 4.500 assinantes da petição pedem um novo estudo, feito por especialistas do ensino artístico, para que se possa proceder a uma reforma com propriedade
Luís Faustino
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Uma petição com 4.500 assinaturas de cidadãos, recolhidas em 17 dias, vai ser entregue amanhã, quarta-feira, às 12h30 ao Presidente da República. A iniciativa partiu de Carlos Araújo Alves, um gestor e investigador em política de gestão cultural residente em Beringel, perto de Beja, depois de ter trabalhado em Lisboa e Paris. Com três filhos a frequentar o ensino artístico - dois na iniciação do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, pelos quais paga €100, e um no regime articulado, pelo qual não paga nada -, está contra esta reforma do ensino artístico, contestando o rigor e validade científicas do estudo apresentado pelo governo.

Para o gestor de 48 anos, "o que está em causa no estudo apresentado pelo governo é o seu fundamento. Assim como não devemos mexer numa empresa sem a conhecer", o mesmo se aplica ao ensino artístico. Segundo Carlos Alves, o estudo de governo incorre em dois erros fundamentais: "O primeiro, é que não foi feito por ninguém da área específica das artes ou do ensino artístico, mas sim por especialistas genéricos da educação; e o segundo é que parte do princípio que o ensino especializado se resume a 5 escolas públicas no país, quando na verdade abrange cerca de 100 escolas de Ensino especializado - públicas, privadas ou cooperativas - que ensinam dança, teatro, artes visuais e audiovisuais e música, tuteladas pelo Ministério da Educação".

O estudo do governo, coordenado por Domingos Fernandes, ex-secretário da Administração Educativa do Governo de António Guterres, divulgado em Março do ano passado, apresenta, ao longo de 404 páginas, várias ideias, destacando-se a defesa do ensino integrado (que congrega na mesma escola o ensino geral e o ensino artístico). Uma coisa é certa: a manter-se a reforma proposta pela Ministra, "deixará de haver ensino supletivo (em que se paga para ter ensino especializado) em mais de 80 escolas do país", afirma Carlos Alves. O Expresso já tinha noticiado, na edição de 16 de Fevereiro, a polémica que se instalou igualmente perante a reforma do Ensino Especializado da Música, com base no mesmo estudo, que é contestado por nomes como Catarina Molder, Rui Vieira Nery ou Mário Laginha.

Dos 4.500 cidadãos que assinam esta petição, encontram-se muitas personalidades da cultura e das artes, como o pianista e compositor António Pinho Vargas, a cineasta Teresa Garcia, o maestro Vitorino de Almeida, a actriz Maria de Medeiros, a artista plástica Alice Valente ou a coreógrafa Olga Roriz, entre outros. No fundo, aquilo que esta petição reivindica é a feitura de outro estudo "objectivo, de rigor", "formado maioritariamente por profissionais de experiência comprovada das diversas áreas do ensino artístico especializado".

Carlos Alves relembra ainda que "esta reforma do ensino artístico não é de fácil compreensão para o cidadão comum", que não domina termos como "regime integrado, articulado ou supletivo" e que por isso é fácil transmitir ideias erradas. Por exemplo, a ideia veiculada pela Ministra da Educação de que o ensino artístico actual é "elitista" não é corroborado por Carlos Alves, que lembra que "estas 100 escolas pelo país estão abertas a todo o tipo de alunos". Contactado pelo Expresso, o Ministério da Educação não deu resposta até agora.

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Por falar em petições
aukistuxego (seguir utilizador), 2 pontos , 23:43 | Terça-feira, 19 de Fev de 2008
Proponho que se inicie uma petição para duas pessoas com posições de grande relevo na sociedade portuguesa:
1- Para condecoração de Jardim Gonçalves, dado se aproximar o 10 de Junho.
2-Para propôr a candidatura de Durão Barroso ao premio Nobel da Paz.
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Petição
Cartouche (seguir utilizador), 1 ponto , 22:18 | Terça-feira, 19 de Fev de 2008
Quando as mesmas pessoas estão sempre contra tudo o que se pretende fazer na área cultural ou artística em particular, eu começo a achar que uns não podem estar sempre errados e outros sempre certos. Não querem é mudar. É humano - mas não é justo.
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A democracia tem este problema
spinin (seguir utilizador), 1 ponto , 3:34 | Quarta-feira, 20 de Fev de 2008
É claro que tinha de chegar a vez do ensino artístico: porque não haveria de chegar? Afinal o governo cumpre as suas metas. Esta não tinha sido propriamente anunciada mas também vem a propósito... Duvido que a ministra da educação faça a mais leve ideia do que está a falar, logo numa altura em que, graças a um período de alguma estabilidade, os resultados do ensino artístico são os melhores de sempre nesta terra. A sério. Gostava de ouvir a ministra falar sobre música, sobre o barroco, p. ex António José Almeida... ou com a profundidade devida sobre António Pinho Vargas, ou sobre pintura, sei lá, sobre os modernistas portugueses e a sua relação com os contemporâneos, ou sobre dança (se calhar até fez ballet quando era menina) ou sobre as formas teatrais no pós 25 de Abril, ou sobre O Judeu, ou sobre os heterónimos de Pessoa, ou a estética da imagem videografada... ou mesmo sobre as janelas de Maluda ou sobre o Padre António Vieira... Caramba... tanto tema, mas ela não diz nada, excepto que vai mexer no que está... E voltamos ao problema: a conversa baixou para o ponto em que já não existe. Não é de ensino artístico que se trata aqui, é de formas curriculares de entertenimento para ver se as crianças aguentam estar na escola 8 horas por dia. De outro modo, como explicar que uma reforma tão profunda se baseie num documento que não compreende o objecto do seu estudo? Isto é recorrente: neste país quem determina o que se passa nas artes não é do meio... normalmente é gestor e gere mal. Tão mal que não há memória de um ministro da cultura que compreendesse o valor de mercado da arte e o seu consequente peso político. Tão mal, que é uma que vem do ISCTE - que já produziu vários ministros, mas nenhum artista - dizer agora o que é que se pode aprender. É ministra, vem no DR; Não faz ideia do que é arte mas quer determinar o que pode ser... (Já alguém viu as «exposições» de pintura que mostram às crianças na famosa escola de gestão do iscte - o INDEG?) É esta gente que, mais uma vez e sem qualquer conhecimento reconhecido, vai decidir o que é o futuro da arte. Há uns básicos que acham que esta é mais uma etapa na luta contra os interesses corporativos. Esses nem pobres de espírito são. A democracia tem este problema: o nível da conversa desce inexoravelmente porque qualquer um fala de qualquer coisa. Eu sei que a ieia não era essa, mas foi nisto que deu.
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