Lisboa, 16 Fev (Lusa) - Seis momentos da história contemporânea de Portugal são o ponto de partida da série documental "No dia em que...", projecto do realizador José Carlos de Oliveira com emissão prevista na RTP que revisita os últimos 40 anos do país.
A queda de Salazar, a publicação do livro "Portugal e o Futuro", do General Spínola, em Fevereiro de 1974, o 25 de Abril, os golpes militares de 11 de Março e 25 de Novembro de 1975 e a entrada de Portugal na Comunidade Europeia, em 1986, foram os acontecimentos seleccionados pelo realizador e autor da série, ainda em fase de produção.
"A ideia é trazer ao imaginário dos portugueses muito do que está esquecido e fazer isso sem que exista zapping", disse à agência Lusa José Carlos de Oliveira.
Para o cineasta, os acontecimentos em destaque foram "as grandes rupturas da história portuguesa recente" que determinaram "muito do que está a acontecer hoje".
"O objectivo é mostrar o que está por detrás de cada ruptura, contextualizar o facto histórico e dar uma visão alargada", explicou o responsável.
Cerca de 40 anos de história que serão revisitados através das imagens de arquivo da RTP, de cenas dramatizadas e de entrevistas aos "actores dos acontecimentos", de acordo com o autor.
Adriano Moreira, Almeida Bruno, Veiga Simão, Otelo Saraiva de Carvalho, Ramalho Eanes, Mário Soares, Francisco Pinto Balsemão, Odete Santos e Belmiro de Azevedo estão entre as personalidades que foram convidadas a dar o seu depoimento.
A série documental, de seis episódios, conta ainda com a narração do actor Rui Morrison, que será "o elo de ligação" entre os diversos elementos da produção que quer conciliar informação histórica com entretenimento e conquistar assim a atenção dos telespectadores, segundo o realizador.
"No dia em que... Salazar caiu da cadeira" é o primeiro episódio da série e já está concluído, contou José Carlos de Oliveira, adiantando que os trabalhos para os episódios seguintes estão a decorrer.
À semelhança da estrutura prevista para toda a série, o episódio leva o telespectador a presenciar, durante 40 a 50 minutos, uma reconstituição dos factos que são relatados.
"No caso de Salazar, de forma cinematográfica e a partir da criação de expectativas na audiência, sugiro a queda da cadeira, desde a abertura do documentário, e só no final a mostro", salientou.
A ideia inicial do projecto surgiu há cerca de dois anos, tendo sido discutida com a direcção de programas da RTP, então assumida por Nuno Santos.
"Na altura, a estreia estava prevista para Março, no horário nobre", disse José Carlos de Oliveira, recordando, porém, que ainda não teve oportunidade de falar com a nova direcção, agora liderada por José Fragoso, sobre os planos para a série documental.
"Na próxima terça-feira está marcada uma reunião e caso assim o entenderem temos condições para estrear em Abril", garantiu.
O projecto, produzido pela MarginalFilmes, conta com o apoio científico do Centro Nacional de Cultura e do historiador e antropólogo Paulo Lima.
Entre os trabalhos assinados pelo realizador, encontram-se os filmes "Inês de Portugal", "Preto e Branco" e "Um Rio", este último uma adaptação da obra do escritor moçambicano Mia Couto "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", publicada em 2002.
SCA.
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