Alijó, 23 Jan (Lusa) - Os familiares do homem que morreu em Castedo, Alijó, ameaçaram hoje mover um processo ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) por demora "excessiva" na assistência ao seu familiar.
Esta acusação é "veementemente" refutada pelo INEM.
António Moreira, 44 anos, faleceu na madrugada de terça-feira, na sua casa em Castedo do Douro, concelho de Alijó, depois de uma queda, em que terá batido com a cabeça, e que o terá deixado a sangrar.
A casa da vítima fica a cerca de 60 quilómetros do Hospital de Vila Real e a nove quilómetros da sede do concelho, cujo serviço nocturno do SAP foi encerrado a 27 de Dezembro.
A família acusa o INEM sustentando que a viatura médica de emergência e reanimação (VMER) só chegou à aldeia "duas horas depois do pedido de ajuda", versão que é "veementemente" refutada pelo INEM.
Manuel Lopes, cunhado da vítima, afirmou à Lusa que a chamada para o 112 foi feita "às 03:30" e que a VMER de Vila Real apenas chegou à aldeia "duas horas depois".
O familiar lamentou a morte do cunhado "por falta de assistência do INEM" e ameaça avançar com um processo judicial contra aquele instituto de emergência médica
Contactada pela Lusa, fonte do INEM referiu que o pedido de socorro foi feito por volta das "03:40" e que, logo nesse primeiro contacto, a família já avançava que o homem estaria morto.
Na gravação daquela chamada telefónica, a que a Lusa teve acesso, o irmão do falecido afirmava que este já se encontrava morto, que sangrava pela boca e que já não respirava.
O INEM accionou os bombeiros de Favaios, através de uma chamada feita às "03:51" - que demorou perto de oito minutos - ao mesmo tempo que solicitava os serviços da VMER de Vila Real.
Por falta de tripulação dos bombeiros de Favaios, já que o motorista se encontrava de serviço sozinho, o INEM teve que chamar os soldados da paz de Alijó, que também só tinham um elemento na corporação.
O comandante dos bombeiros de Alijó, António Fontinha, referiu que a sua corporação recebeu a chamada às "04:01" e que chegou a Castedo às "04:15".
Este responsável explicou que, apesar de só um funcionário se encontrar na corporação durante a noite, os outros elementos estão ao serviço de chamada e que são accionados em "segundos".
A Lusa contactou o comandante dos bombeiros de Favaios que se limitou a confirmar a hora do contacto efectuado pelo INEM.
António Fontinha realçou as dificuldades de circulação nas estradas, devido às condições meteorológicas nomeadamente o nevoeiro intenso, as mesmas condições que, segundo o INEM, condicionaram também a chegada da VMER a Castedo.
A viatura de emergência demorou, segundo o INEM, "40 minutos a chegar" e, segundo António Fontinha, "50 minutos" até chegar perto da vítima, tendo apenas confirmado o óbito.
Pelo segundo dia consecutivo, os distritos de Vila Real e Bragança estão sob alerta amarelo, o segundo de uma escala de quatro, devido a nevoeiro persistente.
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