Bento XVI junto ao antigo altar pintado por Miguel Ângelo
Maurizio Brambatti/Reuters
Bento XVI celebrou hoje a Festa de Baptismo de Jesus baptizando 13 crianças, filhos de funcionários do Vaticano, na imponente Capela Sistina, local onde se realizam os conclaves para a escolha dos Papas. O Sumo Pontífice oficiou a missa solene no antigo altar, junto à parede na qual o renascentista Miguel Ângelo pintou uma representação dramática do 'Juízo Final', ficando, desta forma, de costas viradas para os fiéis e de frente para o grande Crucifixo".
Até ao momento, usava-se um altar móvel, colocado no local para a ocasião, tal como fora feito na época de João Paulo II e nos dois primeiros anos do pontificado de Bento XVI.
O Gabinete de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice fez questão de precisar que o antigo altar foi usado em respeito pela "beleza e a harmonia desta jóia arquitectónica".
A homilia foi proferida em italiano, a partir de um trono de madeira utilizado por Pio IX no século XIX e colocado no lado esquerdo do altar, seguindo o ritual introduzido por Paulo VI, em 1970, o qual foi já considerado por Bento XVI como a forma "normal" de liturgia.
Recorde-se que a reforma conciliar deu lugar à substituição do latim pelas línguas de cada comunidade cristã, a um processo de modernização da Igreja e encorajou o diálogo inter-religioso. Depois de décadas, Bento XVI torna possivel o retomar de um rito antigo e o latim nos sermões.
No decorrer da celebração, Bento XVI alertou para o significado do baptismo: "o homem recebe uma vida nova, abençoada, que permite estabelecer uma relação pessoal com o Criador para toda a eternidade".