Manifestantes ouviram a reacção de Chávez ao chumbo das suas reformas
Jorge Silva/Reuters
Por uma curta diferença o Presidente Hugo Chávez viu a sua proposta de reforma à Constituição ser chumbada pelos venezuelanos no referendo que teve ontem lugar. O "não" saiu vencedor com 50,7% (4 545 434 votos), enquanto que o "sim" teve 49,29% (4 379 392).
Após a divulgação dos resultados, milhares de venezuelanos saíram às ruas do leste de Caracas para celebrar a vitória do "não", enquanto que a zona central da capital, onde tradicionalmente se concentram os apoiantes de Chávez, permaneceu praticamente vazia.
Cerca das 4h00 horas locais (8h00 horas em Lisboa), quase três horas depois de o Conselho Nacional Eleitoral ter divulgado os resultados, formaram-se cortejos automóveis, com buzinas, foguetes e tambores, pelas avenidas de Las Mercedes e Chacao.
Em Altamira (Chacao) os opositores à reforma constitucional ocuparam a Praça de França, local emblemático para a oposição, pois foi ali que em
2002 dezenas de militares se declararam em desobediência ao regime do presidente Hugo Chávez.
Os manifestantes cantarolavam canções em apoio à RCTV, o mais antigo canal de televisão do país, forçado a deixar de transmitir em finais de
Maio último porque o Presidente venezuelano decidiu não renovar a licença, argumentando que era "golpista".
Também canções alusivas ao futuro, com expressões como "eu fico na Venezuela porque sou optimista" e "não há mal que dure 100 anos", se
ouviam pelas ruas do leste da capital.
As alterações constitucionais visavam instaurar um Estado socialista, permitindo a Chávez apresentar-se indefinidamente à presidência e dando-lhe o direito de censurar a imprensa em situações de crise. O bloco A integrava as 33 propostas apresentadas pelo Presidente para alterações à constituição. O segundo bloco, composto por 36 artigos, reformados pela Assembleia Nacional, também foi chumbado com 51,05% (4 522 332 votos) pelo "não" e 48,94% (4 335 136) pelo "sim".
O referendo venezuelano contou com uma elevada taxa de abstenção que atingiu os 44,11%. O total de votos válidos foi de 8 883 746, o total de nulos foi de 118 693.
Comunidade portuguesa apela para que aceitem derrota
Representantes da comunidade portuguesa radicada
na Venezuela apelaram hoje aos defensores da reforma constitucional proposta pelo presidente Hugo Chávez que aceitem os resultados do
referendo de domingo.
"Há que aceitar os resultados.Continua a ser o momento de orientar ideias e pensar no país em primeiro lugar", disse José Luís Ferreira, presidente da Câmara de Comercio e Turismo Luso-venezuelana.
O apelo para que os defensores da reforma constitucional acatem os resultados eleitorais é também a principal mensagem de Juan Gonçalves, presidente do Centro Português de Caracas.
"A actual constituição da Venezuela é uma das mais avançadas e democráticas do Mundo. É importante agora que todos nos reconciliemos e
pensemos seriamente no futuro da Venezuela", disse.
O embaixador da Venezuela em Portugal afirmou que a vitória do "não" no referendo à reforma da Constituição proposta por Hugo Chávez prova que o
país não é uma ditadura, nem o presidente um ditador.
"Impôs-se a vontade popular como sempre e estes resultados servem como exemplo e vêm esclarecer as pessoas que dizem que há ditadura na Venezuela
e que Chávez é um ditador", disse o general Lucas Rincón Romero.