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Relatório anual "Educação para todos" da UNESCO

Portugal: desenvolvido, mas pouco

Portugal é o único país desenvolvido com taxa de repetentes a atingir 10% nos primeiros ciclos.

Lusa
17:00 Quinta-feira, 29 de Nov de 2007
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Um em cada dez alunos portugueses já chumbaram na antiga primária e no 2.º ciclo
Um em cada dez alunos portugueses já chumbaram na antiga primária e no 2.º ciclo
Ana Baião

Portugal é o único país desenvolvido onde a taxa de alunos repetentes no primeiro e segundo ciclos atinge os 10%, de acordo com dados da UNESCO divulgados esta quinta-feira.

Segundo o relatório anual "Educação para todos" da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), um em cada dez alunos portugueses (10,2%) a frequentar a antiga primária e o 2.º ciclo chumbaram e estão a repetir o ano de escolaridade.

Em Espanha e na Alemanha estes valores situam-se nos 2,3 e 1,4%, respectivamente, enquanto em países como Finlândia, Grécia, Irlanda e Itália a taxa não atinge sequer um por cento.

Com repetências inferiores a Portugal estão ainda países menos desenvolvidos como o Botswana (4,8%), o Paquistão (3,1%) ou o Bangladesh (7%), por exemplo.

De acordo com os dados do relatório, referentes a 2005, a percentagem de alunos repetentes nestes níveis de escolaridade atinge valores recorde na República Centro Africana e no Burundi, ambos com 30%, seguidos do Brasil (21,2%), Nepal (20,6%) e Cabo Verde (15,4%).

No documento, a UNESCO ordena 129 países de acordo com indicadores como o acesso universal ao primeiro ciclo, a literacia entre a população adulta, a qualidade da educação e a paridade de género, quatro dos seis objectivos traçados pela organização para cumprir até 2015.

Nesta tabela, na qual Noruega, Reino Unido e Eslovénia ocupam o pódio, Portugal figura na 40.ª posição, estando incluído no grupo de 51 países que a UNESCO classifica como tendo um elevado nível de cumprimento daqueles objectivos.

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O pior cego é aquele que não quer ver...
Dunca (seguir utilizador), 2 pontos , 10:25 | Sexta-feira, 30 de Nov de 2007

Caro william blake ( 1:37, Sexta-feira, 30 de Nov de 2007 )

- “... Antes de reprovar um aluno, vamos reprovar tudo o resto que está mal, desde o poder político até aos espaços educativos, integrando todos os seus elementos, como "RECURSOS EDUCACIONAIS". Assim comecemos pelo governo, incluindo o primeiro ministro, os ministros envolvidos (Finanças, Educação, Assuntos Sociais...), os respectivos secretários de estados, os directores regionais, as inspecções gerais (do sistema educativo, vulgo: do ensino), etc. Estes devem ser reprovados desde já.
Depois tudo cai como peças de dominó! Os educandos são, por certo, os menos responsáveis... e devem ser os últimos a cair!!!.”

Sim, mas sob o ponto de vista prático, como reprovar as elites? Como vamos substituir uma oligarquia que está solidamente implantada há séculos, sem qualquer interesse no que tange a mudanças?

Você mesmo, como descreveu, foi uma vitima do sistema vigente, no que toca as suas tentativas para transformá-lo, tentou e pelo visto fracassou, outros tentaram e também não tiveram um melhor destino.

Uma revolução com armas? Já sabemos que não funciona. Qual é a alternativa que nos resta para remover um ranço secular que impede a nação de se transformar? Como removo-lê? Como sair disto?

Camões, já o havia notado e nunca foi à Inglaterra:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía."

Para concluir e a vista do exposto, penso que a única alternativa que nos resta é a de espernear, enquanto tivermos vida. E só...
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william blake (seguir utilizador), 1 ponto , 20:03 | Domingo, 16 de Dez de 2007
Resposta: Ó Dunga.
Dunca (seguir utilizador), 2 pontos , 13:58 | Sexta-feira, 30 de Nov de 2007

Caro Senhor Sóescrevooquepenso (11:14, Sexta-feira, 30 de Nov de 2007)

Por favor, antes de mais nada: Dunca.

“... Eu não necessito, que um brasileiro me venha dizer o que está mal no meu país...”

Aqui há um equivoco, eu sou tão português quanto você, nem mais nem menos, e, portanto, temos os mesmos direitos de nos expressar livremente: a constituição portuguesa nos garante.

Você tem todo o direito de não concordar comigo, pode me questionar, contra argumentar sobre tudo o que escrevo, se eu estiver errado, demonstre com argumentos pertinentes e consistentes, não terei nenhum pejo em reconhecer os meus erros, se forem corretamente demonstrados. Estou aqui para aprender e não ensinar.

Você pode discorda como quiser, só não pode me insultar. Agora, isso que você faz comigo, não é só com a minha pessoa, é com todos aqueles, com quem não concorda em idéias. Você usou, no meu caso, a questão de uma nacionalidade que presume ser a minha, apenas como um pretexto para ofender.

“... O meu ponto é: apesar de tudo, eu gosto do meu país, e não gosto de ver estrangeiros (e ainda por cima brasileiros, que têm cá um país ...) sistematicamente a vilipendiá-lo”

Não é só você, quem gosta de Portugal, se eu não gostasse não estaria, aqui, a perder o meu tempo a malhar em ferro frio. Quanto a dizer que vilipendio Portugal, é sua opinião e respeito como qualquer outra, por mais absurda que me possa parecer.

”O meu ponto é: não fui eu que me registei num “site” de um jornal brasileiro para, diariamente, dizer mal do Brasil.”

Se fosse brasileiro, eticamente, poderia fazê-lo, não haveria nada de errado. Mas este não é o meu caso, por muito que isto lhe custe.

” O meu ponto é: quem é você para criticar tudo e mais alguma coisa? Já lhe fiz o repto: uma vez que seja, diga bem de Portugal, ou nada se aproveita?”

Quem sou eu? Uma pessoa como você, um cidadão com os mesmos diretos que procura respeitar a opinião dos outros, sejam elas quais forem, todas as opiniões para mim são válidas, entretanto, criticáveis.

Atender ao seu repto? Mas o que faço, em meu entender, já é para o bem de Portugal, faço críticas e julgo que são bem fundamentadas, pode não achar, é sua maneira de ver, que respeito, não a comento, neste momento, penso que não nos interessa.

Por princípio, não qualifico as opiniões que são colocadas, neste espaço, como asneiradas, como você costuma fazer: eu não me assumo com juiz de quem quer que seja.

Outrossim, digo-lhe que “só escrevo o que penso” não o que lhe agrada, coloque as suas idéias, se as tem, contrarie outras opiniões, exponha os seus argumentos, não fique, simplesmente, pelos insultos, entre pessoas educadas eles nunca se justificam, por mais que estejamos irados e com a razão do nosso lado.

“E depois fica muito admirado se o ofendem...”.

E... Parece-me que não se lembra:

“Quem não se sente não é filho de boa gente”

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    Re: Resposta: Ó Dunga.    Ver comentário
Sóescrevooquepenso (seguir utilizador), 1 ponto , 16:02 | Sexta-feira, 30 de Nov de 2007
Ó Dunga
Sóescrevooquepenso (seguir utilizador), 1 ponto , 17:29 | Quinta-feira, 29 de Nov de 2007

Diz lá que é uma vergonha ..... não te esqueças é de ver o n.º do Brasil primeiro ......
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    Re: Ó Dunga    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 2 pontos , 17:51 | Quinta-feira, 29 de Nov de 2007
    Re: Ó Dunga    Ver comentário
Sóescrevooquepenso (seguir utilizador), 1 ponto , 18:02 | Quinta-feira, 29 de Nov de 2007
    Ó Dunga.    Ver comentário
Sóescrevooquepenso (seguir utilizador), 1 ponto , 11:14 | Sexta-feira, 30 de Nov de 2007
Maria e José
quase (seguir utilizador), 1 ponto , 17:42 | Quinta-feira, 29 de Nov de 2007
Maria de Lurdes Rodrigues a ministra da Educação, José Sócrates a primeiro-ministro e a tendência inverte-se em dois tempos
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Há um livro...
userEX165563 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:25 | Sexta-feira, 30 de Nov de 2007
... clássico chamado "How to lie with statistics".
Não sei se a percentagem de reprovações em Portugal é boa ou má. Só sei que é grande. O que até poderia ser sinal de um especial grau de exigência. Creio que isso sabemos que não é.
Mas se sabemos isso, não é pelos números apresentados nesta notícia. É pelo contacto diário com a realidade.
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Re: Portugal: desenvolvido, mas pouco
JosePedroAlmeida (seguir utilizador), 1 ponto , 1:29 | Sexta-feira, 30 de Nov de 2007
Só falta dizer que a culpa é de Salazar e de Caetano!!! Há 33 anos que andamos a levar com políticos medíocres e incapazes! Isto já parece um lugar comum, as pessoas queixarem-se da fraca qualidade e capacidade intelectual destes, MAS É VERDADE!
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O pior cego é aquele que não quer ver...
william blake (seguir utilizador), 1 ponto , 1:37 | Sexta-feira, 30 de Nov de 2007
Quando em 1982 regeressei de um curso de pós-graduação, em Inglaterra, pensei ter aberto os olhos para novas perspectivas educativas, na área do "curriculum" e dos métodos de pesquisa e estatística. Assim, sabia que um "curriculum" é, sobretudo, um conjunto de experiências educativas, que no caso da História, matéria da minha especialidade, se fundamentava em "olhar" e "ver", desenvolvendo as técnicas de análise crítica e de síntese, com especial incidência na conceptualização geral e específica, no património cultural e na história local.
Resultado: como indicam as medições feitas às várias atitudes à inovação, houve um reaccionarismo generalizado, suportado por vários processos disciplinares, interpolado por apoios ora discretos ora evidentes, resultantes de atitudes mais medrosas ou mais corajosas.
Na verdade, além de um "curriculum" suportado e suportando programas obsoletos, as técnicas de medição de conhecimentos, tradicionalistas, ineficazes e injustas, levavam a valores irrealistas e, consequentemente, a avaliações ridículas e totalmente injustas.
Os testes objectivos (ou testes de cruzinha!) eram genericamente criticados por dois motivos fundamentais: a absoluta ignorância das técnicas da sua elaboração e o desconhecimento geral do que é uma medição, uma estatística e uma avaliação.
Por isto, uma denúncia feita à Procuradoria Grearal da República, sobre fraude nas primeiras provas globais realizadas, acabou em "frustrantes águas de bacalhau". Por isso fui "punido" pelo poder político - apesar de ter ganho todos os processos em Tribunal Administrativo, já depois de me ter aposentado.
Tal aposentação foi despoletada por um incêndio na habitação, que me levou 3 anos de trabalho num doutoramento e toda a documentação que fui capaz de escrever, nomeadamente uma colecção de ensaios intitulada "Curriculum, Papalagui e Eurithmics". Desisti... e aposentei-me, guardando para mim aquilo que sei e tudo aquilo de que fui "acusado de saber", em prol da EDUCAÇÃO, do "CURRICULUM EDUCATIVO e do SUCESSO ECOLAR.
Como diria o poeta brasileiro, o QUADRADISMO... das ideias em vigor não permitem aos EDUCANDOS progredir no sentido da valorização pessoal validada e da integração social credibilizada. Porque os valores são dúbios e a credibilidade social está obsoleta. Uma sociedade em que o acesso à educação está generalizado, os padrões não podem ser iguais aos existentes para grupos de privilegiados com acesso ao "ensino", como "antigamente". "Educar" hoje não passa necessariamente pelo "ensinar" de ontem mas muito mais pelo "aprender e apreender" de hoje e de amanhã. E tudo isto não passa pela "obrigação irracional" de ir à "escola", mas antes pela "motivação racional" de se educar.
Assim, não precisamos de amestrar animais, mas sim de integrar seres humanos motivados. Daí que a punição tenha deixado de ter cabimento, dando lugar à compensação. Daí que as reprovações devam deixar de ter valores tão elevados em amostras de população absolutamente normais, não procurando penalizar "pseudo-delinquentes", só porque não sobrevivem a métodos e técnicas educativos obsoletos e a professores que fazem "o posso, quero e mando" num processo em que só o "mexilhão" é "avaliado".
O "curriculum" tem de ser avaliado na tua totalidade, envolvendo tudo e todos, desde os programas, aos materiais, aos educadores, às salas de aula, às experiências educativas, aos educandos,... e aos governantes, que declaram como compulsivo um PROCESSO que não assumem, não precavendo o direito ao ACESSO UNIVERSAL À EDUCAÇÃO.
Para a universalização é fundamental a igualdade. Para a a igualdade é essencial a gratuitidade de tudo o que se integra num "curriculum" como o conjunto de experiências educacionais.
Antes de reprovar um aluno, vamos reprovar tudo o resto que está mal, desde o poder político até aos espaços educativos, integrando todos os seus elementos, como "RECURSOS EDUCACIONAIS". Assim comecemos pelo governo, incluindo o primeiro ministro, os ministros envolvidos (Finanças, Educação, Assuntos Sociais...), os respectivos secretarios de estados, os directores regionais, as inspecções gerais (do sistema educativo, vulgo: do ensino), etc. Estes devem ser reprovados desde já.
Depois tudo cai como peças de dominó! Os educandos são, por certo, os menos responsáveis... e devem ser os últimos a cair!!!
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