O Sindicato de Professores da Região Centro (SPRC) classificou hoje de "intimidatória" a visita de agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) que pediram informações sobre eventuais protestos a realizar na visita do primeiro-ministro à Covilhã, terça-feira.
"Os polícias disseram ao único funcionário que estava na sede do SPRC que era uma atitude de rotina, mas não há memória disto", refere a dirigente sindical Dulce Pinheiro.
O SPRC vai integrar terça-feira um cordão humano de vários sindicatos da CGTP na recepção do primeiro-ministro, organizado pela União de Sindicatos de Castelo Branco contra as políticas do Governo.
José Sócrates é esperado às 15h na Escola Secundária Frei Heitor Pinto, onde estudou, numa acção organizada no âmbito da iniciativa "Regresso à Escola", da responsabilidade da Comissão Europeia.
Segundo a sindicalista Dulce Pinheiro, "os polícias que passaram hoje de tarde pelo SPRC pediram informações sobre o que íamos fazer e arrogaram-se no direito de dar conselhos. Que tivéssemos cuidado com a linguagem, que não fosse atentatória da integridade pessoal", referiu.
"É uma atitude intimidatória e deplorável. Ainda estamos a reflectir sobre o que vamos fazer, mas é claro que nos vamos dirigir às instituições deste país", refere Dulce Pinheiro.
"Também é curioso que passem pela sede de um sindicato membro da FENPROF, querendo enrolar a estrutura sindical na contestação de que este Governo é alvo e que envolve muitos mais sectores de actividade", acrescenta.
Dulce Pinheiro garante que a visita da PSP "não condiciona em nada o protesto que está previsto".
"Somos uma organização responsável, livre e legalizada e, como tal, não nos vamos deixar intimidar", conclui.
Questionada pela Agência Lusa, fonte do comando da PSP da Covilhã disse que a visita ao SPRC "foi feita apenas para saber se há ou não algum protesto, porque, como em todas as intervenções para preservar a segurança pública são consultadas todas as entidades".
A Agência Lusa tentou ainda obter mais esclarecimentos e um comentário do comando distrital de Castelo Branco da PSP às acusações do SPRC, mas nenhum responsável estava disponível.
Para Luís Garra, coordenador da União de Sindicatos de Castelo Branco (USCB), a visita da PSP à sede da SPRC "mostra o carácter repressivo do estado policial que o PS está montar".
"No cordão humano não haverá corte de trânsito e obviamente decorrerá de forma ordeira. Não sei quantas pessoas estarão, mas vamos marcar presença onde José Sócrates entrar", garantiu.