Monsaraz, Évora, 08 Set (Lusa) - Um touro foi hoje abatido ilegalmente na vila medieval de Monsaraz, no Alentejo, no final de uma novilhada popular, cumprindo uma tradição reivindicada pela população local.
O golpe fatal foi desferido cerca das 19:50, depois de o touro ter sido laçado e preso ao muro da arena, na antiga praça de armas do castelo de Monsaraz, histórica povoação localizada nas margens da albufeira de Alqueva.
O abate do touro não foi presenciado pela assistência que enchia o castelo (cerca de 1.500 pessoas, segundo a organização), por o animal ter sido coberto com um pano negro.
Apesar de o abate ser ilegal, por não lhe ter sido reconhecido o carácter de excepção previsto na legislação, a população de Monsaraz cumpriu a promessa de manter a tradição que reivindica de matar um touro no final da novilhada.
O touro foi abatido apesar de a autorização excepcional para o espectáculo com touro de morte ter sido recusada pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC).
A novilhada com touro de morte faz parte do programa das festas em honra de Nosso Senhor Jesus dos Passos, em Monsaraz, que se realizam anualmente no segundo fim-de-semana de Setembro.
Segundo a tradição reivindicada pela população e autarquias locais, o espectáculo taurino - de carácter amador e popular e que termina com a morte ritualizada do touro, fora da lide - realiza-se desde 1877, de forma ininterrupta.
Este ano, pela sexta vez consecutiva, a IGAC recusou a autorização excepcional para o espectáculo com touro de morte, proibido por lei, tendo os promotores da tourada (Misericórdia e comissão de festas) decidido recorrer a uma providência cautelar.
Contudo, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja indeferiu o pedido dos promotores da novilhada para se pronunciar com urgência sobre o conteúdo da acção judicial, interposta para tentar contornar a proibição do espectáculo com touro de morte.
Apesar dos indeferimentos da IGAC e do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, a tradição que população local reivindica, de morte de um touro no final da novilhada, voltou hoje a ser cumprida, apesar se tratar de um abate ilegal.
Os autarcas locais garantem, mesmo, que se trata de "uma tradição que se mantém ininterrupta há mais de cem anos".
A legislação que entrou em vigor em 2002 estabelece que a realização de "qualquer espectáculo com touros de morte é excepcionalmente autorizada no caso em que sejam de atender tradições locais que se tenham mantido, de forma ininterrupta, pelo menos, nos 50 anos anteriores à entrada em vigor do diploma, como expressão de cultura popular, nos dias em que o evento histórico se realize".
O diploma estabelece ainda que a IGAC deve consultar a câmara municipal do concelho onde o evento decorra para confirmar a existência da tradição sem interrupções no período exigido.
Na opinião dos responsáveis pelas festas, "as provas de que a tradição tem sido cumprida nos últimos 50 anos, assim como as declarações sob compromisso de honra de quem testemunhou ou participou ao longo dos anos nessa manifestação cultural tradicional, não foram atendidas pelas entidades da tutela".
Nos últimos anos, desde a entrada em vigor da legislação de 2002, o touro tem sido abatido ilegalmente no final da novilhada popular, depois de laçado e preso ao muro da arena.
MLM.
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