A garantia dada pelo primeiro-ministro de que não vão existir despedimentos na função pública foi recebida com criticas pelo sindicalista Bettencourt Picanço, que referiu que os trabalhadores "não ficam descansados, antes pelo contrário".
À Lusa, o dirigente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado declarou que "não é propriamente por força de um dado discurso num determinado dia que se pode ficar descansado quanto ao futuro, antes pelo contrário".
O secretário-geral do PS e primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou sábado que "não haverá despedimentos na função pública", alegando que essa medida e as privatizações são a base da "agenda liberal" do PSD.
"O que é que se ouve? Sempre as mesmas duas coisas. Por um lado, a ideia de despedimentos na função pública. É esta a agenda deles. Claro, depois passam toda a semana a explicar que não é bem assim porque temem essa impopularidade, mas é isso que está na cabeça deles, é a ideia de que deve haver despedimentos na função pública", alegou Sócrates na Convenção da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS.
"Sucessão de contratações precárias"
Em reação, Bettencourt Picanço lembrou que a possibilidade de despedimento na função pública "existe na legislação" e que além da mobilidade especial há agora a "redução nas remunerações".
"Quando vemos que o governo se volta para os trabalhadores, nomeadamente facilitando os despedimentos e tornando-os mais baratos, nós preocupamo-nos", afirmou o sindicalista, numa referência às reuniões de concertação social.
O responsável sindical criticou que os apoios estatais sejam canalizados para o setor financeiro e que para os trabalhadores o que sobra são cortes nas remunerações e reduções nas pensões.
"Algo está errado na forma como os políticos se dirigem ao país, dizendo que não vai haver despedimentos aqui ou além, quando na prática o que estão a fazer é exatamente o contrário: a facilitar o despedimento", observou.
Bettencourt Picanço indicou que na Administração Pública há uma "sucessão de contratações precárias a que seguem meses depois os despedimentos".
"Aquilo que estamos desejosos é de que hajam opções políticas que não apostem nos trabalhadores como problema, mas como a solução para os nossos problemas", resumiu.