Poderemos estar perante o início do fim da pior crise nuclear dos últimos 25 anos. O Governo japonês definiu a central nuclear de Fukushima como estando em "paragem fria", um anúncio muito importante para a resolução total dos problemas que afligiram o local.
A "paragem fria" significa que a central nuclear de Fukushima já não está a libertar quantidades substanciais de radiação, com os reatores a manterem, de forma estável, uma temperatura abaixo dos 100 graus centígrados.
"Os reatores atingiram um estado de 'paragem fria'. A central está finalmente estável. Julgamos ser possível afirmar que o incidente de Fukushima está encerrado", anunciou o primeiro-ministro japonês Yoshihiko Noda, ao início da manhã, acrescentando que a nível de radiação nas imediações da central é baixo.
O estado de "paragem fria" só pode ser anunciado quando a água utilizada para impedir os reatores nucleares de aquecerem em demasia fica abaixo do limite a partir do qual a própria água pode entrar em ebulição.
Próximos passos
Recorde-se que a central nuclear de Fukushima foi afetada pelo terramoto e tsunami que abalou o Japão a 11 de março deste ano, provocando graves danos no sistema de arrefecimento dos reatores, que levaram a fugas de radiação e ao perigo de fusão do núcleo. Cerca de 80 mil mpessoas tiveram de ser evacuadas num raio de 20 quilómetros.
A decisão de hoje abre, assim, o caminho para o realojamento das pessoas deslocadas, o que representa um enorme desafio, não só para o Governo japonês mas também para a Tepco, empresa responsável pela central nuclear.
O Ministério do Ambiente japonês estima que poderá ser necessário descontaminar uma área em redor da central do tamanho de 2400 mil quilómetros quadrados, equivalente à dimensão do Luxemburgo.
Como tal, os próximos trabalhos de recuperação da central e zonas limítrofes vão exigir um gigantesco esforço financeiro, na ordem dos 44 mil milhões de euros, o que deverá obrigar à nacionalização da Tepco.