O representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Lisboa, Albert Jäger, contrariou hoje notícias de que Portugal terá de pedir novo resgate ou reestruturar a sua dívida, manifestando confiança no programa de ajustamento financeiro do governo.
O orçamento português para 2012 "contém medidas muito boas e corajosas, incluindo o aumento da competitividade, e também um corte de despesas em dimensões adequadas", disse Jäger em entrevista publicada hoje na edição online do jornal de economia alemão "Handelsblatt".
Tais medidas ajudarão, na opinião do responsável do FMI, a colocar o défice deste ano nos 4,5% pretendidos.
Além disso, acrescentou, a política orçamental "demonstra que o governo português assumiu o programa de ajustamento financeiro como seu, O que é decisivo para a aplicação de uma agenda tão ambiciosa de consolidação fiscal e de reformas estruturais".
Jäger referiu ainda que "houve já progressos significativos" em Portugal, e que a implementação de uma série de reformas estruturais "será decisiva" para o sucesso do programa acordado com a troika do FMI e da União Europeia.
Forte consenso político e social
Falou também do recente acordo obtido em concertação social pelo governo de Passos Coelho, que considerou "mais uma prova da existência de um amplo consenso político e social" que existe no país quanto à necessidade de uma mudança de rumo no plano económico e financeiro.
"A nossa experiência mostra que o sucesso de um tal programa depende do apoio político num país, e em Portugal o programa é sustentado por um forte consenso político e social", reiterou Jäger.
O especialista do FMI lembrou também que a dívida pública portuguesa, a rondar os 100% do Produto Interno Bruto (PIB), é muito inferior à da Grécia, que já ultrapassa os 163%.
Além disso, o sistema de coleta fiscal português é bastante eficiente, recordou.
Portugal deu ainda "os primeiros passos prometedores" para resolver o problema da falta de competitividade da sua economia, indicou Jäger.
A terminar, disse que o FMI "está confiante" de que Portugal conseguirá voltar a refinanciar-se exclusivamente nos mercados de capitais, terminado o programa de ajustamento financeiro, até porque beneficiará da política coordenada de combate à crise no plano europeu.