A ex-ministra Manuela Ferreira Leite defendeu hoje que o novo pacto orçamental europeu não tem nada de novo e que "só com um milagre" Portugal cumprirá as metas do défice no prazo previsto pelo acordo da ajuda externa.
Manuela Ferreira Leite, que falava numa conferência no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa sobre consolidação orçamental, defendeu que não existe alternativa à política do Governo, criticando "apenas um ponto": o prazo de tempo acordado com a troika da ajuda externa para o ajustamento financeiro.
"É extremamente difícil neste prazo de tempo, em recessão, atingir aqueles níveis de défice. Sem crescimento não vejo como será possível, só um milagre", afirmou, acrescentando que provavelmente Portugal não teve "margem de manobra para pedir mais tempo". "Quem empresta é que dita as regras", afirmou.
Para Manuela Ferreira Leite, o Fundo Monetário Internacional (FMI), "apesar de tudo", tem tomado consciência desta questão da austeridade em tempos de recessão, o que não acontece com a União Europeia, considerando que isso só acontecerá "quando o problema bater à porta da Alemanha", o que "não falta muito", não por ser um país com os mesmos constrangimentos, mas porque todos os seus vizinhos estão em recessão.
"Pacto não tem nada de novo"
A também anterior líder do PSD apontou que, por exemplo, o pacto orçamental assinado na segunda-feira por 25 países europeus "não é novo" porque o Tratado de Maastricht já estabelecia limites de défice públicos aos estados-membros da zona euro e previa punições para quem os superasse.
A ex ministra das Finanças recordou que Portugal foi precisamente o primeiro país a violar esses limites e foi ameaçado com o corte de fundos estruturais. Porém, acrescentou, "tudo isso foi esquecido" quando a Alemanha e França superaram também os limites do défice.
Para Ferreira Leite, "ninguém tem dúvidas" de que as medidas de austeridade que estão a ser adotadas em Portugal "conduzem à recessão", mas "não havendo dinheiro" e dada a dependência dos credores externos, não vê alternativa.
"Falta uma orientação a nível europeu de algo menos rígido que possa impor acordos para promover o crescimento", acrescentou.