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"Faltam regras na educação das crianças"

É possível educar sem gritar? O psicólogo espanhol Guillermo Ballenato garante que sim, e explica como.

Mafalda Anjos
9:30 Quarta feira, 15 de abril de 2009
'Faltam regras na educação das crianças'
Jorge Simão

Hoje em dia, os filhos estão a reclamar autoridade, garante Guillermo Ballenato que esteve em Portugal a lançar o seu livro "Educar sem Gritar". É preciso impor regras e limites às crianças, mas também ouvi-las e dar-lhes atenção. Conjugar firmeza e flexibilidade é a chave do sucesso na educação, mantendo a coerência e o respeito. E não basta boa intenção para ser bom pai. Para este psicólogo, as escolas de pais deviam ser obrigatórias. Afinal, se nos exigem carta de condução para guiar, porque não nos exigem um diploma para educar outro ser?

A primeira reacção de muitos pais quando olham para o título do seu livro é dizer que tal é impossível. Tem filhos? Nunca gritou com eles?
Sim, tenho duas filhas de 15 e 17 anos, e apliquei desde o princípio as técnicas e propostas que aparecem no livro. O meu testemunho é duplo neste caso, como pediatra e pai. É claro que já gritei algumas vezes com elas. Quando faço essa pergunta numa conferência, ou numa sala cheia de pais, todos levantam o braço dizendo que sim, e pressente-se um riso em fundo. Em algum momento, todos os pais perdem a cabeça, mas não é o mesmo perder a cabeça uma vez pontualmente e desculpar-se, e sistematicamente educar aos gritos. Há um provérbio que diz: "Se educas o teu cavalo aos gritos, não esperes que te obedeça quando simplesmente lhe falas." Só te obedecerá quando lhe gritares. Não se trata só da forma, mas também do conteúdo. Um trato negativo, humilhante, desvalorizante faz perder a auto-estima dos filhos e a autoridade dos pais, porque se perde o respeito. Os filhos devem ver nos pais um modelo de conduta, de respeito e de comunicação, e tenderão a imitar o que vêem em nós. Não podemos dizer aos berros a um filho "Já te disse que não grites!", porque com a nossa conduta estamos a dizer que os gritos são legítimos.

Em matéria de autoridade, passou-se de um extremo ao outro. Os pais eram autoritários e hoje são negociadores, os filhos discutem com eles de igual para igual. Estamos a ficar demasiado permissivos?
Sim, penso que agora se peca pela permissividade. Os filhos estão a reclamar autoridade, precisam de ser postos no seu lugar. Se tudo lhes é permitido, se nada lhes custa a conquistar, estamos a criar crianças inadaptadas. As crianças têm que ter regras, percebê-las e cumpri-las. Há vários estilos educativos, e acredito que nem o autoritário nem o permissivo ou liberal, nem tão pouco o paternalista ou sobreprotector, funcionam. Penso que o estilo democrático e dialogante é o que resulta melhor. Note-se que não existe uma relação de igualdade, os filhos não estão ao nível dos pais, mas há uma comunicação fluida entre as duas partes.

Estão a regressar algumas vozes conservadoras na forma de educar as crianças.
A questão é que existe uma confusão enorme acerca do que é a autoridade dos pais. A autoridade que reivindico é moral, fruto da competência, coerência e do sentido de justiça. Um pai injusto ou incoerente é um pai que perdeu a autoridade. A autoridade não vem por se castigar mais.

Os castigos são aceitáveis?
Sim, mas devem ser o último recurso. Devem ser aplicados pontualmente, com pré-aviso, e têm de ser razoáveis. Por outro lado, deve ser anunciado calmamente à criança - e não a quente -, e deve ser imediato após a conduta errada da criança. E o pior castigo é a ausência de atenção. Ser justo é tão difícil que a prudência aconselha a ser-se benévolo e suave nos castigos.

Qual é então o grau certo de autoridade e como exercê-la correctamente?
Um pai que tem competência para educar, que é autoconfiante, que é um pai feliz, um exemplo e modelo de carisma que apeteça seguir, conquista uma autoridade moral enorme. Nos primeiros anos de vida, as crianças devem ter normas muito claras e fixas. Se, um dia, um pai recusa uma coisa para no dia seguinte a permitir, rapidamente terá um problema, as crianças detectam todas as incoerências. É essencial ser-se sistemático, e isso é válido ontem, hoje e amanhã. Deve dizer-se que as crianças não podem dormir na cama dos pais, e não abrir excepções. Quem permite excepções uma, duas, três vezes, perde a mão e vive numa discussão constante. A arbitrariedade é o pior inimigo da educação.

Mas ao descrever um bom pai parece estar a falar de um líder político ou de um gerente de empresa. Não se exige hoje demasiado dos pais?
Sim, sei que é muito difícil. Mas essa é uma boa comparação: o que faz hoje um líder numa organização? Cuida e confia nos seus funcionários. O que deve fazer um pai? Também cuidar e confiar nas capacidades dos seus filhos. Deve estar com eles, dedicar-lhes tempo, o mesmo que deve fazer um bom chefe. É evidente que não há máquinas perfeitas de educar, mas modelos e regras a seguir.

Quando os casais decidem ter filhos estão conscientes da enorme dificuldade que é educar uma criança? Têm formação suficiente para serem bons pais?
Não. Não conhecem princípios psicológicos muito básicos, por exemplo não sabem como se explica a conduta humana. Penso que as escolas de pais são fundamentais para dar essas bases. O que quis fazer neste livro é um manual sensato e simples com regras básicas a seguir.

Cita no livro uma frase que diz que os pais chegam a estar tão convencidos que os educadores e os psicólogos sabem o que é melhor para as crianças, que se esquecem de que eles são os verdadeiros especialistas nos seus filhos. Acabam por educar por livros e revistas e não com o seu bom senso ou razão. Isto não cria pais ansiosos e inseguros?
Sim, por isso repito que a escola de pais - nos centros, nas escolas - devia ser obrigatória. Temos de ter formação para guiar um carro, porque não devemos ter também para educar e formar outro ser? Devíamos ter um diploma para educar, e não o temos. Estas técnicas podem ser ensinadas e há fórmulas e alternativas para resolver alguns dos problemas com que os pais mais se debatem. Só com boas intenções não se pode educar.


'Faltam regras na educação das crianças'

Como ajustar o grau certo de firmeza e flexibilidade no estilo educativo democrático e dialogante que defende?
A verdadeira chave está em ser suficientemente firme e claro nas regras, ponderando-as, e suficientemente flexível quando um momento o exigir. Se um filho adolescente deve regressar a casa à meia-noite, mas um dia há uma festa especial e todos os amigos vão voltar à uma da manhã, se para o filho isso for essencial para que esteja integrado e se sinta parte do grupo, pode permitir-se que chegue mais tarde.

Os pais hoje em dia fazem os trabalhos de casa com os filhos, estudam com eles, vigiam os seus deveres. Isto é bom ou mau?
Os pais devem relaxar e dar espaço aos filhos para aprenderem sozinhos - na escola, com os colegas e professores -, dando-lhes essa responsabilidade. Esse é o seu trabalho. Adoro a frase "Se queres ver uma criança com os pés na terra, coloca-lhe sobre os ombros uma responsabilidade". E não se devem julgar os filhos pelos seus resultados escolares, mas sim pelo seu esforço. Jamais olhei para a agenda das minhas filhas para ver que deveres têm para o dia seguinte. Nem nunca o farei. Elas sabem que estudar é o seu trabalho, que isso é a sua vida, e que têm essa responsabilidade. Explico-lhes como fazer, dou-lhes métodos e incentivo, mas não me substituo a elas na assunção de responsabilidade.

Quais são os maiores erros que os pais cometem na educação dos filhos?
Não dar importância aos primeiros anos de vida - dedicar-se aos três primeiros anos é um enorme investimento para o futuro. E também serem demasiado permissivos e brandos, não lhes impondo limites nem regras.

Está a aumentar a ansiedade e depressão entre as crianças?
Sim, sem dúvida que está a crescer. E aumenta sobretudo de maneira alarmante a intensidade deste tipo de crises. Encontro crianças que parecem adultos em miniatura. E são sobretudo meninos que têm uma jornada pesadíssima, que têm inglês, natação, ginástica, informática, andam numa correria o dia todo e não têm tempo para serem crianças e brincar. Uma educação muito competitiva causa stress e ansiedade. O pais devem preocupar-se, sim, com a felicidade dos seus filhos hoje, e não excessivamente com o que serão quando forem grandes. Todos querem filhos bem sucedidos profissionalmente, mas isso só acontece se forem crianças felizes e não sobrecarregadas.

Qual a importância dos reforços e recompensas na educação e como administrá-los correctamente?
A recompensa é muito importante, deve ser esporádica e pública. O melhor prémio é o reconhecimento e o elogio. Mas a recompensa não deve ser excessiva. Por exemplo, eu jamais dei um presente às minhas filhas pelos seus êxitos na escola, isso é o seu trabalho e o seu dever. O contrário descamba facilmente numa situação em que as crianças dizem: "Se não há prémio, não o faço."

Fala em aproveitar o poder das nossas expectativas sobre os nossos filhos. Dar-lhes autoconfiança elogiando e elevando-lhes as metas.
Há duas ideias-chave na educação. Uma é a atenção - esta é a grande maravilha à disposição de todos os pais, é fácil e grátis. É o maior prémio, e o pior castigo é a retirada de atenção. A outra é convicção. A sua expectativa e crença nos filhos origina uma realidade. Se um pai diz a um filho "sei que o vais fazer bem", as hipóteses de isso acontecer são maiores do que se disser "não sei se consegues". Estimular a autoconfiança nas crianças é uma ferramenta poderosíssima. É quase como uma profecia autocumprida. Se se pegar num recém-nascido e se quiser fazer dele um delinquente, é fácil. Os bebés são uma página em branco. Podemos fazer deles quase tudo o que quisermos.

Mas que lugar cabe ao material genético de cada criança, o seu próprio feitio? A personalidade não é só resultado da educação... há filhos educados da mesma maneira que são totalmente diferentes.
Sim, a ideia de página em branco é metafórica. Mas, se tivesse de apontar um número, diria que 80% vem da educação e 20% da genética. Numa família com três filhos, por exemplo, é surpreendente o impacto da ordem de nascimento nas suas personalidades. Estatisticamente, é significativo que o filho mais velho tende a ser mais responsável, com alta resistência à frustração, com repetição do papel materno e paterno; o filho do meio tende a ser o rebelde, o criativo; o filho mais novo divertido, gracioso, conciliador, mas mimado e com baixa resistência à frustração. Uma educação eficaz não é igual para todos os filhos. Deve ser adaptada ao feitio de cada criança.


B.I
Guillermo Ballenato é psicólogo, docente e escritor, especialista em Psicologia Educativa, Psicologia Clínica, Industrial e de Formação. O seu último livro, "Educar sem Gritar", um best seller em Espanha, acabou de ser lançado em Portugal pela A Oficina dos Livros. Escreveu-o na qualidade de psicólogo e pai de duas adolescentes. Guillermo trabalha na Universidade Carlos III de Madrid, no Programa de Aperfeiçoamento Pessoal e Assessorias Técnicas de Estudo do Gabinete Psicopedagógico. Na psicoterapia, é especializado nas áreas da depressão, ansiedade, obsessões, dificuldades de aprendizagem, comunicação e relação.


Texto publicado na edição do Expresso de 10 de Abril de 2009

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Educação
Tiguerogre (seguir utilizador), 4 pontos (Interessante), 10:02 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
Relamente esta é uma das noticias que verdadeiramente merecem destaque, uma vez que em muitos casos é a educação que dita o caminho que muitas crianças seguem.
Não é por gritar ou bater que os filhos vão ter mais respeito aos pais, podem em muitos casos ter medo o que é muito diferente de respeito. De qualquer maneira e como os meus pais costumam dizer, "uma palmada no rabo não faz mal a ninguém desde que seja dada na hora certa" e muita razão têm.
Eu não me considero a melhor pessoa do mundo mas sei sem dúvida o meu lugar, sei respeitar os outros, e sem dúvida devo isso principalmente aos meus pais.
Gostava que os nosso politicos dessem a devida importância a este assunto uma vez que deviam dar o exemplo a todos e pelo contrário dá para ver que muitos deles não se importam minimamente com a sua própria educação, uma vez que certas declarações e comportamentos que têm principalmente no parlamento não são exemplo para ninguém
 
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    Re: Educação    Ver comentário
forevertheuni (seguir utilizador), 2 pontos , 13:59 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
Efeitos de uma cultura de violência
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 10:08 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
"O Neuropsicólogo James W. Prescott efectuou uma surpreendente análise estatística comparativa de 400 sociedades pré-industriais e evidenciou que as culturas que dispensam afecto físico às crianças têm tendência a evitar a violência. Por outro lado, sociedades que não tenham esse comportamento também desenvolvem adultos não-violentos, desde que a actividade sexual dos adolescentes não seja reprimida. Prescott defende que culturas com uma pré-disposição para a violência são culturas em que os indivíduos foram privados - durante pelo menos uma de duas fases críticas da vida, a infância e a adolescência - dos prazeres do corpo. Onde se encoraja o afecto físico, são pouco salientes o roubo, a religião organizada e a ostentação da riqueza; onde as crianças são fisicamente castigadas, desenvolve-se a escravatura, assim como os assassinatos e a tortura, a mutilação dos inimigos, a crença na inferioridade das mulheres e num ou mais seres sobrenaturais que intervenham na vida quotidiana.
Não compreendemos ainda o comportamento humano o bastante para conhecermos os mecanismos que estão por detrás destas atitudes; apenas podemos conjecturar. No entanto, as correlações são significativas. Consoante Prescott, «uma sociedade afectuosa para com as suas crianças e tolerante em relação ao comportamento sexual pré-matrimonial tem apenas 2% de hipóteses de se tornar fisicamente violenta. É de 1/121 000 a probabilidade de tal correlação se dever ao acaso. (...)"
CARL SAGAN: COSMOS: 378-379
 
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    Parabéns ao Expresso por esta entrevista    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 1 ponto , 10:17 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
    Re: Parabéns ao Expresso por esta entrevista    Ver comentário
certo iactu (seguir utilizador), 1 ponto , 16:00 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
Devíamos ter um diploma para educar, e não o temos
B l u e S k y (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 11:10 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
Por cá seria impossível...
Os mesmos pais que compram a carta de condução comprariam o diploma. Aliás, por cá o exemplo vem sempre de cima... Sócrates também o fez com toda a naturalidade para chegar a engenheiro...
 
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A Psicologia do Bom-Senso
Miranda07 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:10 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
Quanto a mim, o interesse da Psicologia é, entre outras coisas, o de "provar" com algum método aquilo que o bom-senso sempre disse. Nesta entrevista acho fantástico o equilíbrio (com este Psicólogo dá-me a impressão de que também eu gostaria de falar), o sentido da proporção e uma proposta absolutamente fabulosa: que se criem escolas de "pais", pois, hoje em dia, infelizmente, o que mais parece faltar na nossa sociedade é, tantas vezes, aquela boa dose de bom senso, ou de senso comum, que evitaria tantas confusões e, concomitantemente, sofrimentos desnecessários. Mais do que nunca, hoje são necessários em Portugal "Pais" de qualidade e, se possível, com um mínimo de certificação. Se não me engano, a Igreja Católica, mediante os seus cursos de preparação para o matrimónio, tem feito algo no sentido de ajudar os noivos a prepararem-se para as responsabilidades que os esperam. Mas acho que ainda não basta: é preciso fazer mais, é preciso fazer ainda melhor! Também penso que a Psicologia em Espanha, sobretudo no que diz respeito à pediátrica, está a léguas, muitas léguas de distância, da nossa. Assim, quanto mais não seja, publiquem-se boas traduções, pois há coisas que há muito se sabe, mas que outros teimam em não reconhecer. Como, por exemplo, esta verdade de La Palice: Educação sem Regras é pura contradição.
 
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eeheh
forevertheuni (seguir utilizador), 1 ponto , 10:35 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
Depois da discussão de ontem veio mesmo a calhar. Parabéns ao expresso.
Não é melhor isto do que a palmada no rabo sistematica?
Aposto que ainda há de haver respostas a dizer que são.... - como é que me disseram ontem? - teorias de meia-tijela??
 
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    Re: eeheh    Ver comentário
papadk (seguir utilizador), 1 ponto , 13:10 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
    Re: eeheh    Ver comentário
forevertheuni (seguir utilizador), 1 ponto , 13:17 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
    Re: eeheh    Ver comentário
papadk (seguir utilizador), 1 ponto , 13:46 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
Excelente por tudo e principalmente por isto:
A. Barradas Oliveira (seguir utilizador), 1 ponto , 12:36 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
"Encontro crianças que parecem adultos em miniatura. E são sobretudo meninos que têm uma jornada pesadíssima, que têm inglês, natação, ginástica, informática, andam numa correria o dia todo e não têm tempo para serem crianças e brincar. Uma educação muito competitiva causa stress e ansiedade. O pais devem preocupar-se, sim, com a felicidade dos seus filhos hoje, e não excessivamente com o que serão quando forem grandes. Todos querem filhos bem sucedidos profissionalmente, mas isso só acontece se forem crianças felizes e não sobrecarregadas. "
 
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Educação...
reticencias (seguir utilizador), 1 ponto , 13:38 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
tornou-se num tema cada vez mais complexo, a sua complexidade advém dos métodos praticados pela sociedade que temos, pelos pais, e pelos educadores sociais e docentes. A educação é uma troca de valores, gestos, atitudes, exemplos, tornado-se recíproca e quando as crianças se deparam com muita permissividade por parte dos pais, intolerência e quando adquirem uma educação sem regras, normas e valores devidos, tornar-se-ão nuns míseros seres humanos, conflituosos, egoístas e à incapacidade de poderem ter um futuro digno seja ele profissional ou de relação social.
 
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A Educação Colectiva Não Funciona
Pseudo... (seguir utilizador), 1 ponto , 13:52 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
Anossa política educacional baseia-se em duas enormes falácias. A primeira é a que considera o intelecto como uma caixa habitada por ideias autónomas, cujos números podem aumentar-se pelo simples processo de abrir a tampa da caixa e introduzir-lhes novas ideias. A segunda falácia, é que, todas as mentes são semelhantes e podem lucrar como o mesmo sistema de ensino. Todos os sistemas oficiais de educação são sistemas para bombear os mesmos conhecimentos pelos mesmos métodos, para dentro de mentes radicalmente diferentes.
Sendo as mentes organismos vivos e não caixotes do lixo, irremediavelmente dissimilares e não uniformes, os sistemas oficiais de educação não são como seria de esperar, particularmente afortunados. Que as esperanças dos educadores ardorosos da época democrática cheguem alguma vez a ser cumpridas parece extremamente duvidoso. Os grandes homens não podem fazer-se por encomenda por qualquer método de ensino por mais perfeito que seja.
O máximo que podemos esperar fazer é ensinar todo o indivíduo a atingir todas as suas potencialidades e tornar-se completamente ele próprio. Mas o eu de um indivíduo será o eu de Shakespeare, o eu de outro será o eu de Flecknoe. Os sistemas de educação prevalecentes não só falham em tornar Flecknoes em Shakespeares (nenhum método de educação fará isso alguma vez); falham em fazer dos Flecknoes o melhor. A Flecknoe não é dada sequer uma oportunidade para se tornar ele próprio.

Aldous Huxley
 
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Pois é
ContraCorrente (seguir utilizador), 1 ponto , 14:22 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
Excelente entrevista. Uma verdadeira notícia. Mas há aqui uns pequeno pormenores: se os pais não são educados, como hão-de educar os filhos? E o tempo para educar? Como podem os pais que trabalham por turnos desfazados educar os filhos? Como podem os pais que ganham € 500,00 não gritar? Como se pode educar os filhos se a esmagadora (sim, a esmagadora) dois pais sai de casa às 07,00 horas e regressa às 19,00/20,00 horas? Como se pode educar os filhos se estes estão sózinhos mais de metade do dia? Como se pode educar os filhos se a mensagem que passa diária e frequentemente na rádio, tv (esta a "grande educadora" e jornais é que para singrar vale tudo? Como?
 
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ehehhe
forevertheuni (seguir utilizador), 1 ponto , 14:51 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
http://en.wikipedia.org/w...
http://en.wikipedia.org/w...
http://en.wikipedia.org/w...
http://en.wikipedia.org/w...
Nem uma palavra sobre os pais. Geralmente quando são à moda da porrada é sabido.

Agora vamos lá ver.
http://en.wikipedia.org/w... - à lei da xibatada
http://en.wikipedia.org/w... - Este não foi mal tratado pelo menos nada diz no texto.
http://pt.wikipedia.org/w... "Infância Dificil"
http://en.wikipedia.org/w... Rédea Curta.

Na verdade só fiz isto para chatear, isto não tem valor estatístico nenhum. Mas sinceramente foram as "personagens" que me lembrei por ordem. Não tirei nenhuma.
Ainda tentei do José Socrates..não vem nada.
 
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As crianças
cjours (seguir utilizador), 1 ponto , 15:36 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
As crianças são o espelho dos pais! Se a criança é malcriada, os pais não devem ser grande espingarda.... até rima!
A escola para pais é uma ideia que advogo há muito, por acaso. E acho que faz tanta falta em Portugal... É confrangedor ir, como vou todos os fds cam a minha petiza, aos espaços públicos para crianças. Os homens do futuro, em Portugal, vão ser as mulheres! Escrevam o que vos digo! Vejam num parque infantil, entre miúdos da mesma idade, se são os rapazes ou as raparigas, os mais destemidos. Os miúdos hoje, em Portugal, são educados para ser os rabetas do futuro. Vai ser tudo uma cambada de bestas ou de maricas! O futuro de Portugal está nas miuditas de hoje que são mais tesas que os miúdos e os imbecis dos pais - sobretudo das mães que não sabem educar e muito menos rapazes!
 
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As crianças e as mães
cjours (seguir utilizador), 1 ponto , 15:37 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
As crianças são o espelho dos pais! Se a criança é malcriada, os pais não devem ser grande espingarda.... até rima!
A escola para pais é uma ideia que advogo há muito, por acaso. E acho que faz tanta falta em Portugal... É confrangedor ir, como vou todos os fds cam a minha petiza, aos espaços públicos para crianças. Os homens do futuro, em Portugal, vão ser as mulheres! Escrevam o que vos digo! Vejam num parque infantil, entre miúdos da mesma idade, se são os rapazes ou as raparigas, os mais destemidos. Os miúdos hoje, em Portugal, são educados para ser os rabetas do futuro. Vai ser tudo uma cambada de bestas ou de maricas! O futuro de Portugal está nas miuditas de hoje que são mais tesas que os miúdos e os imbecis dos pais - sobretudo das mães que não sabem educar e muito menos rapazes!
 
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Os programas escolares.
Nanquim (seguir utilizador), 1 ponto , 21:19 | Quarta feira, 15 de abril de 2009
Excelente a escolha do tema.
Sem dúvida que o contacto com os pais marca definitivamente o comportamento social do indíviduo para toda a vida.
Muitas vezes me debati com estas questões, durante oo crescimento dos meus dois filhos, hoje jovens adultos.
Curiosamente acho que eles são bem mais equilibrados do que o pai, e penso que isso se deve com certeza ao facto de eu ter ficado orfão de pai aos 13 anos.
No entanto eu tive a sorte de, no meu curso complementar dos liceus, ter frequentado 3 disciplinas que, em muito vierem facilitar o meu trabalho de educador: filosofia, psicologia e introdução á politica.
Considerando que, estas 3 disciplinas juntas, nos dão uma optima noção do funcionamento das sociedades, e das relações interpessoais, não seria aconselhável, a criação de uma disciplina obrigatoria, que incluisse noções basicas destas diciplinas, por forma a que os alunos formassem uma noção correcta de cidadania?
Estou convicto que se assim se fizesse, teriamos jovens pais com melhor capacidade para educar os filhos.
 
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