De acordo com o Tribunal, foi provado que Mário Machado
tinha na sua posse uma stun-gun, uma arma que dá choques eléctricos, no dia 6 de Junho de 2006. Na primeira sessão do julgamento, o arguido admitiu mesmo ter adquirido a arma, mas esclareceu que a mesma se destinava apenas a uma coleção. O seu advogado, José Manuel de Castro, tinha pedido a absolvição.
Aos 37 anos, o dirigente da Frente Nacional e rosto mais visíve da extrema-direita em Portugal, passa os dias a ler, a escrever e a ver televisão no Estabelecimento Prisional contíguo à Polícia Judiciária, em Lisboa. Acumula penas de prisão para cumprir e tem ainda processos pendentes.
Uma das últimas condenações, em Fevereiro deste ano, valeu-lhe oito meses de cadeia. Em causa estavam os crimes de coação e difamação à procuradora Cândida Vilar, a responsável pela investigação que envolveu Mário Machado e outros 35 skinheads por suspeitas de discriminação racial, coação agravada e detenção de arma ilegal. Machado foi acusada por ter apelado aos "companheiros nacionalistas", numa página de Internet, para que "não esquecessem" Cândida Vilar.
Dentro de duas semanas, a 30 de Julho, no mesmo tribunal onde hoje foi condenado, Mário Machado vai ouvir a sentença de um outro processo: juntamente com outros seis arguidos responde por crimes de extorsão, roubo e ofensas corporais - estavam também acusado de associação criminosa, mas o Ministério Público recuou.
Os factos ocorreram no final de 2008 e início de 2009, quandoo grupo em que estava Mário Machado atraiu várias vítimas, com pretexto de venda de droga, que depois sequestrou e roubou. Também neste processo, o advogado de Mário Machado pediu a sua absolvição.
Há cerca de dois meses, numa entrevista ao jornal i, Mário Machado voltou a defender que é vítima de uma conspiração. E negou ter agredido, na cadeia, o violador de Telheiras. "Se o tivesse feito não me envergonharia, antes pelo contrário", disse.