Miguel Macedo, assessor de Luís Figo, enviou a Rui Pedro Soares uma entrevista que o ex-jogador deu ao "Diário Económico" na véspera de ser publicada, a 7 de Agosto de 2009. Nessa entrevista, Figo reconhecia "a energia de José Sócrates", fazendo-lhe rasgados elogios.
Este foi um dos indícios recolhidos pelo Ministério Público, juntamente com um pequeno-almoço a 25 de Setembro de apoio público do futebolista ao primeiro-ministro para a sua reeleição, que levaram a procuradora Teresa Almeida a considerar como provado que a relação contratual entre o Taguspark e o ex-jogador do Inter de Milão foi "um mero recurso que utilizaram para conceder a Luís Figo uma remuneração anual em troca do apoio a uma candidatura eleitoral".
O despacho de acusação foi enviado esta terça-feira para a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, para que seja averiguado o eventual financiamento ilegal da campanha do Partido Socialista para as últimas legislativas.
Segundo o documento, a que o Expresso teve acesso, Luís Figo só foi ilibado porque, quando foi inquirido, conseguiu provar que desconhecia que a Taguspark é uma empresa de capitais públicos.
Indícios suficientes para três arguidos
Em relação aos outros envolvidos, o Ministério Público (MP) concluiu que há indícios suficientes para levar Américo Thomati, João Carlos Silva e Rui Pedro Soares, administradores do Taguspark, a julgamento, por corrupção passiva para acto ilícito. "Na realidade e por decisão dos arguidos, a celebração do referido contrato constituiu um expediente para, através de uma remuneração anual, pelo período convencionado de três anos, alcançarem, da parte de Luís Figo, um apoio político-partidário determinado", refere o despacho.
O inquérito-crime resultou das intercepções telefónicas a Paulo Penedos e a Domingos Paiva Nunes, administrador da EDP Imobiliário e arguido no processo Face Oculta, e ainda da entrevista que Luís Figo deu ao Diário Económico. Segundo o MP, as escutas davam a entender que Figo "teria aceite apoiar a candidatura de um partido político nas eleições legislativas que se iriam realizar em 27 de Setembro de 2009, mediante a outorga de um contrato com uma empresa portuguesa que, no caso, acabou por ser a Taguspark, S.A."
A procuradora Teresa Almeida enviou também a acusação para o Conselho de Prevenção da Corrupção e ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal.