Em dezembro de 2010, os procuradores-gerais dos 50 estados norte-americanos começaram a investigar o papel dos cinco principais bancos dos EUA na crise económica de 2008, especialmente as alegadas más práticas na concessão de empréstimos à habitação (cedência de documentação falsa ou incompleta, por exemplo).
Menos de 14 meses depois, Bank of America, JP Morgan Chase, Wells Fargo, Citigroup e Ally Financial serão obrigados a restituir mais de 25 mil milhões de dólares (18,8 mil milhões de euros) aos consumidores lesados.
Cerca de dois milhões de cidadãos norte-americanos beneficiarão com o acordo que, a esta hora, está a ser finalizado em Washington.
Cheques e prestações mais baixas
Prevê-se que um milhão de clientes beneficie com a redução substancial das suas prestações mensais, enquanto outros 300 mil poderão renegociar os seus créditos à habitação a juros mais baixos.
Cada uma das cerca de 750 mil pessoas que, entre 2008 e 2011, perderam as suas casas depois das execuções hipotecárias, receberá um cheque de 2000 dólares (1500 euros).
Desde o início da crise económica, que começou em 2007, mais de 4 milhões de norte-americanos ficaram sem habitação.
Uma gota apenas
Apesar da dimensão dos números, alguns economistas criticam o acordo. "Os americanos devem mais de 700 mil milhões de dólares (526 mil milhões de euros) aos bancos porque as suas casas desvalorizam-se brutalmente. Se as quisessem vender hoje, receberiam uma ínfima parte do que pagaram por elas", disse Paul Diggle, da Capital Economics.
Ira Rheingold, diretora da Associação Nacional de Direitos dos Consumidor, lamenta que aqueles que perderam tudo venham a receber "apenas" um cheque de 2000 dólares. "Apesar de pela primeira vez se estar a fazer alguma coisa, é uma gota".