Os EUA aprovaram hoje um segundo ensaio clínico com células estaminais embrionárias humanas, terapia promissora mas controversa, para um tratamento, desta feita de uma doença infantil hereditária e irreversível do olho.
A aprovação veio da agência norte-americana do medicamento e permitirá à sociedade Advanced Cell Technology iniciar um teste clínico em 12 crianças que sofrem de distrofia macular de Stargardt, uma doença hereditária do olho ligada a uma degenerescência da retina, anunciou a empresa.
A doença de Stargardt é uma das degenerescências maculares infantis mais comuns, afetando crianças entre os 7 e os 12 anos, e provoca a perda progressiva da visão e, mesmo, a cegueira.
A mácula é a zona da retina na qual se centra a visão de precisão. Quando
se danifica, o centro da visão começa a perder a nitidez e a cegueira ocorre quando a distrofia afeta a capa de pigmentação da retina, chamada epitélio pigmentado da retina (EPR).
Células estaminais podem gerar células ilimitadas
O chefe do departamento científico da Advanced Cell Technology, Robert Lanza, assinalou que, atualmente, não há tratamento da doença de Stargardt.
Mas, "usando células estaminais embrionárias", pode "gerar-se uma fonte ilimitada de células sãs do EPR, que são as primeiras células que morrem com esta doença, e outras formas de degenerescência macular", que atingem pessoas com mais de 60 anos, ressalvou.
Segundo o responsável, os estudos efetuados em ratos demonstraram que "as células foram capazes de recuperar os fotorrecetores dos animais, que, de outra maneira, teriam ficado cegos".
A agência norte-americana do medicamento autorizou, em 2009, uma outra sociedade, a Geron Corporation, a avançar com um ensaio clínico, em outubro, de um tratamento experimental baseado em células estaminais embrionárias humanas em pessoas paralisadas na sequência de uma lesão na espinal medula.
A investigação e a utilização de células estaminais embrionárias são controversas porque incidem em células extraídas do embrião no seu primeiro estado de desenvolvimento, resultando na sua destruição. Grupos religiosos e conservadores contestam o seu uso.