O ator José Pedro Gomes, amigo e parceiro de trabalho de António Feio, durante mais de trinta anos, destacou hoje que o encenador "contribuiu muito para que o teatro voltasse a encontrar-se com o público".
"É uma perda muito grande para os amigos e para todos os portugueses", disse José Pedro Gomes à agência Lusa a propósito do falecimento de António Feio, na quinta feira à noite, no Hospital da Luz, em Lisboa, vítima de cancro no pâncreas.
Conhecidos pela dupla da "Conversa da Treta", que apresentaram primeiro na televisão, depois no teatro e cinema, António Feio e José Pedro Gomes personificaram Toni e Zezé, os dois amigos que satirizavam uma certa forma de estar dos portugueses.
"Era um grande amigo, e um homem cheio de coragem", destacou o ator que acompanhou António Feio sobretudo a partir dos anos 1990 também em espetáculos como "O Que diz Molero", de Diniz Machado, "Arte", de Yasmina Reza, "Dois Amores", de Ray Conney, e "Jantar de Idiotas", de Francis Veber.
Ao longo dos anos surgiu "uma amizade muito forte e uma grande cumplicidade" entre ambos. "Chegámos a um entendimento precioso", disse ainda o ator, avaliando a perda que para ele significa o culminar da luta contra a doença que vitimou António Feio.
Nascido em Moçambique em 1954, António Feio estreou-se no teatro com Carlos Avillez, que o convidou para entrar na peça "O Mar", de Miguel Torga, no Teatro Experimental de Cascais (TEC), a 06 de maio de 1966, tinha apenas 11 anos.
O funeral do ator realiza-se amanhã a partir das 16h00 para o cemitério dos Olivais, em Lisboa.