O ministro das Finanças acusou hoje a direita de estar "profundamente desiludida" com o "sucesso" da emissão de dívida e achar ser mais fácil "contornar com o Fundo Monetário Internacional" a falta de coragem de assumir medidas difíceis
"A direita mostra-se profundamente desiludida com o sucesso da operação de hoje. Nós temos consciência que é necessário continuar a pedir aos portugueses sacrifícios para ultrapassar estas dificuldades. O Governo não tem medo, não tem vergonha de pedir aos portugueses esses sacrifícios", afirmou o ministro.
Teixeira dos Santos, que respondia aos deputados no Parlamento sobre a proposta de alteração à Lei de Enquadramento Orçamental, acusou então a direita de ter "vergonha", porque "é incapaz nestas circunstâncias de defender medidas que impõem sacrifícios" e de ter "vergonha de dar a cara."
FMI como bode expiatório
"Acham que é mais fácil contornar com o Fundo Monetário Internacional, porque o Fundo Monetário Internacional serve como bode expiatório" para as decisões impopulares, afirmou novamente.
O PSD, através do deputado Duarte Pacheco, afirmou que "só o stress" que Teixeira dos Santos estará a viver "pode desculpar o seu discurso" e que o PSD "mostra agrado pela forma como foi colocada dívida pública" hoje, e acusou o ministro de "estar a salivar" quando deu a entrevista ao jornal Expresso, em que colocava os sete por cento como limite a partir do qual seria melhor recorrer ao FMI.
Resultado "não é para euforias"
Teixeira dos Santos havia dito que o sucesso desta emissão deve ser imputado a todos os portugueses, após a deputado do PS Jamila Madeira ter levantado o assunto durante a discussão de hoje.
Honório Novo, do PCP, afirmou por sua vez que "com juros de 6,72% não de facto qualquer especulador no mercado que não compre dívida soberana de Portugal ou outra qualquer".
José Gusmão, do Bloco de Esquerda, foi quem começou por acusar a direita de não ter ficado satisfeita com o resultado da emissão de dívida desta manhã, acusando-a de estar "entusiasmada e mobilizada" com a perspetiva de uma intervenção do FMI, mas afirmou também que este resultado "não é razão para euforias".