A morte do opositor ao regime castrista Orlando Zapata e a situação de Farias Hernández em estado critico abrem uma "janela de oportunidade" para a mudança em Cuba, afirmam à Lusa ex-presos políticos cubanos.
"A morte deste homem (Orlando Zapata) é um drama humano, criou um momento que deve ser aproveitado para conseguir mais avanços em Cuba. Foi um caso acompanhado em todo o mundo e um gesto que merece ser apoiado", diz em Madrid o ex-preso político cubano, Raul Rivero.
A posição é partilhada pelo ex-preso político Alejandro Raga, que não se mostra otimista de que a morte de Orlando Zapata consiga mudar as coisas, embora concorde que há "uma oportunidade".
Despertar a consciência adormecida
"Não digo que seja o princípio da mudança. Até porque as coisas já estão a mudar há algum tempo. O povo cubano está a começar a movimentar-se e a questão de Zapata despertou a consciência adormecida", afirma.
Os dois ex-presos políticos, agora exilados em Espanha, faziam parte do grupo de 75 opositores detidos em março de 2003, no período conhecido como "Primavera Negra". Ambos consideram que, apesar de maior consciência sobre a realidade, só com o afastamento dos irmãos Castro é possível a mudança.
"A situação está absolutamente ligada aos Castro. É um país praticamente sem liderança. Um está doente e não se sabe onde está, o outro quase não aparece. Há uma fraqueza de liderança total, muitos foram eliminados. E, por isso, é um regime totalmente pessoal e agora familiar", afirma Raul Rivero.
Europa deve liderar a mudança
Os dois ex-presos políticos também sublinham a falta de posições da América Latina face a Cuba, sustentando que, por isso, cabe à Europa liderar a mudança. "A América Latina não existe para os cubanos da oposição, há muitos governos oportunistas. Um grupo que admira e ama Fidel, como Chávez e companhia. E outro grupo de governos de centro e direita que são oportunistas, porque querem manter tranquilas as suas esquerdas", afirma Raul Rivero.
"Por isso, é muito importante a Europa, onde há uma tradição de liberdade. Por isso, o Governo espanhol tem de responder", porque, explica, Espanha "está errada na sua política sobre Cuba", devendo alterar a forma como dialoga com Havana.
Posição partilhada por Alejandro Raga, que considera que o diálogo não pode ser apenas com o regime. "Tem de se manter o diálogo, mas não se pode afastar desse diálogo a oposição pacífica. Tem de se dialogar com todo o espetro da sociedade cubana. Não podemos esquecer os opositores", conclui.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***