O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa considerou hoje que a advertência do Cardeal Patriarca às jovens portuguesas que pensem casar com muçulmanos é um "justo conselho de realismo" e afastou qualquer "discriminação ou menosprezo" pelo islamismo.
"É um conselho de imprescindível realismo que seguramente qualquer um de nós de cultura ocidental e de religião cristã, ou então de cultura árabe e de religião muçulmana, daria para bem de ambas as partes e das respectivas famílias", sublinhou o padre Manuel Morujão.
O porta-voz lembrou ainda que as declarações de D. José Policarpo surgem numa conversa informal e recordam a importância do diálogo entre religiões.
"As declarações, proferidas num clima informal de 'tertúlia' e não numa conferência magistral, confirmam que este diálogo é importante, mas advertem para as dificuldades do mesmo diálogo, concretamente com os muçulmanos", adiantou à agência Lusa o padre Manuel Morujão.
Salientou que D. José Policarpo tem sido o maior promotor em Portugal do diálogo inter-cultural e inter-religioso nos seus escritos e nas suas intervenções orais.
O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, advertiu na noite de terça-feira as jovens portuguesas para o "monte de sarilhos" de se casarem com muçulmanos.
O padre Manuel Morujão lembrou que o Papa João Paulo II afirmou que o futuro no mundo depende do diálogo entre culturas e entre religiões.
"Bento XVI tem feito declarações na mesma linha. Advertir para as dificuldades do diálogo não é dizer que não se faça, mas promover o realismo necessário que o possibilite e o torne eficaz", salientou.