O candidato presidencial Cavaco Silva afirmou-se hoje alvo de uma "campanha suja" a propósito do Banco Português de Negócios (BPN), em resposta ao seu adversário Defensor Moura, que o acusou de "pactuar com negócios ilícitos".
Quando Defensor Moura colocou a questão do BPN, acusando-o de ter obtido "lucros chorudos" com ações deste banco e considerando que "houve muita tolerância, e até algum benefício com negócios ilícitos ou negócios que são muito claramente estranhos para o normal da população", Cavaco Silva agradeceu.
"Ainda bem que me faz a pergunta. Eu como Presidente da República apenas o que fiz em relação ao BPN foi a aprovação do decreto de nacionalização, depois de o Governo e o Banco de Portugal me terem informado por escrito que não havia alternativa à estabilização do sistema financeiro português e que havia graves prejuízos para os depositantes", reagiu.
PR nega ligações com ex-dirigentes do BPN
Cavaco Silva alegou que há contra si "uma campanha desonesta e suja" de que Defensor Moura "quer ser portador" e contestou a ideia de que tem alguma ligação com antigos dirigentes do BPN por estes terem sido membros dos seus governos.
"Se nós nem acompanhamos a vida dos nossos filhos depois de eles saírem de casa o que é que eu tenho a ver com a vida profissional de pessoas que estiveram no meu Governo há 25 anos e que agora conduzem a sua vida?", questionou.
Quanto às suas aplicações financeiras, o chefe de Estado referiu que decidiu em conjunto com a sua mulher colocar parte das suas poupanças no BPN em 1999, seis anos antes de se candidatar a Presidente da República.
"O que eu quero dizer é que essas campanhas desonestas e sujas não pegam comigo. Até nós estamos a perder muito dinheiro no conjunto das aplicações que fizemos", completou.