Cardiotecnologia: Coração monitorizado em tempo real
Uma unidade de cuidados intensivos é por definição um serviço atento, 24 sob 24 horas, aos sinais vitais de quem está entre a vida e a morte. Incomunicáveis com o mundo, é a tecnologia que vai servindo de intermediário, através dos sistemas de monitorização, mostrando às equipas clínicas tudo o que se passa naquele momento com aquele doente.
Para além da informação em tempo real do que está a acontecer, investigadores portugueses desenvolveram um software que consegue prever problemas, muitas vezes fatais, que podem atingir estes pacientes. A tecnologia em causa detecta a ocorrência de um ataque cardíaco, com 24 horas de antecedência.
O sistema junta "a informação que vem em tempo real dos monitores que estão ligados aos pacientes: a parte da temperatura, respiração, ritmo cardíaco; mais a informação laboratorial: análise à urina e sangue; e mais o passado, a parte histórica deste paciente que está a ser observado e de outros pacientes semelhantes tanto do momento como do passado com quadros clínicos semelhantes, em termos de doença ou de idade e sexo, e depois faz comparações e faz previsões sobre se esse paciente vai ou não ter um ataque cardíaco nas 24 horas seguintes", garante Pedro Bizarro, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra.
Falsos alarmes anulados
Além da capacidade de integrar toda a informação disponível num mesmo sistema e de conseguir prever e apontar as razões de um potencial ataque cardíaco, este software consegue ainda anular quase por completo os falsos alarmes, possibilitando personalizar alertas por doença e por paciente. Por motivos óbvios, este trabalho foi o vencedor da quinta edição do prémio BES Inovação, no valor de 85 mil euros.
É também para prever e avaliar o risco de desenvolver doenças cardiovasculares que uma empresa portuguesa já possibilita um exame, semelhante a um TAC, mas que submete os pacientes a uma dose mais baixa de radiação. Demora apenas 10 minutos, é indolor e, de acordo com os responsáveis, não apresenta contra-indicações ou prejuízos significativos para a saúde.
A técnica Susana Barata explica que "na primeira fase obtemos uma imagem geral do coração, para saber a posição inicial e a posição final do coração, o utente tem de ficar uns breves segundos sem respirar, e depois, numa segunda fase do exame, o utente terá de fazer um período maior de apneia. No final do exame as imagens são passadas para uma workstation de trabalho, onde através de um software apropriado para detecção do cálcio nas artérias coronárias vamos calcular o score, ou seja o índice de cálcio".
Com esta tecnologia, chamada tomografia por feixe de electrões, é possível avaliar o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, que matam cerca de 17 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, mas também se pode prever o aparecimento de outro tipo de patologias. "A nossa aposta é na realização de programas de avaliação de risco da doença coronária, a doença do cancro do cólon e do cancro do pulmão, no sentido de colocar esta tecnologia ao serviço duma preocupação saudável, ou seja, que pretenda efectivamente fazer uma avaliação, um pouco à semelhança do que fazemos todos os anos na manutenção dos nossos veículos e é importante que as pessoas tenham a preocupação de fazer essa avaliação e essa manutenção do seu próprio corpo", assegura Miguel Agrela, da clínica Life Beat.
Para além da eficácia na detecção de doenças cardiovasculares que matam mais de 100 portugueses por dia, esta tecnologia de ponta permite ainda a realização de exames não invasivos como a colonoscopia virtual e o rastreio de cancro pulmonar.
Na próxima semana no Falar Global
Portugal / Carnegie Mellon University
Balanço da parceria
Veja na SIC Notícias:
O Falar Global tem o patrocínio de: