A Federação Internacional de Canoagem (ICF) e a Associação Europeia (ECA) defendem o investimento de Portugal em infra-estruturas ao nível do desempenho desportivo que o país tem mostrado.
"Portugal está entre os poucos países sem uma pista olímpica ao nível do seu desempenho desportivo. É uma federação pequena, mas com grande potencial. Está no grupo das melhores", disse à Lusa o presidente da ICF.
O espanhol Jose Perurena, presidente da ICF, considera que "investimento é a única coisa que falta" para Portugal estar na elite nas disciplinas olímpicas, pista e slalom.
"Em maratonas, é primeiro do Mundo em mulheres e segundo em homens, como tal, está no pódio dos melhores. Em pista tem mostrado nos campeonatos jovens que tem boa equipa, com grande potencial", vincou.
Albert Woods, presidente da ECA, tem opinião idêntica: "Estas quatro medalhas nos Mundiais de maratonas não foram surpresa, pois eu vejo a canoagem portuguesa todo o ano. Conquistou 14 medalhas entre europeus e mundiais".
"São resultados fantásticos! É uma grande federação, com grande futuro. Gostava de saber o segredo, pois faria o mesmo no meu país", frisou.
Pista (atribui 12 medalhas de ouro) e slalom (quatro) são as duas disciplinas olímpicas da canoagem, mas Portugal, que em Pequim-2008 participou com quatro atletas (Beatriz Gomes, Teresa Portela, Helena Rodrigues e Emanuel Silva), não tem infra-estruturas adequadas para a prática da modalidade.
Para slalom, o único local de treino são os rios e, para pista, está em construção o Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Vvelho, que tem sofrido sucessivos atrasos e a conclusão está prevista para Setembro de 2010.
"Em todas as disciplinas são precisas infra-estruturas, pois sem isso é complicado estar na elite mundial", frisou Woods, considerando que "o desempenho de Portugal e a sua organização já mais do que justificaram esse investimento".
Em 2009, a canoagem portuguesa conquistou um recorde de 14 medalhas, oito em pista (sobressaíram os títulos mundial e europeu da júnior Joana Vasconcelos) e sete nas maratonas, com destaque para as quatro nos mundiais do passado fim-de-semana no Rio Douro, em que Beatriz Gomes foi ouro em K1.