Vítor Constâncio vai ocupar o lugar de vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE
), depois de uma década à frente do Banco de Portugal
(BdP).
"O Banco de Portugal é o guardião da estabilidade do sistema financeiro", dizia Vítor Constâncio na sua tomada de posse, a segunda, como governador do Banco de Portugal, em 2000.
Dez anos depois destas palavras, foi precisamente durante a guarda de Constâncio que o sistema financeiro português passou pelos maiores momentos de instabilidade, com os casos dos bancos BCP
, BPN e BPP
.
Consciência tranquila
No caso do BPN
chegou mesmo a ver partidos políticos a pedirem que se demitisse, acusando-o de falhas graves na supervisão, mas Constâncio disse estar de consciência tranquila e assim parece partir para Frankfurt (sede do BCE).
Com uma vasta carreira académica e política, Vítor Manuel Ribeiro Constâncio nasceu a 12 de outubro de 1943 em Lisboa, licenciou-se em Economia no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (agora ISEG) e seguiu para o Reino Unido, dando aulas na Universidade de Bristol, entre 1965 e 1973.
Regressou a Portugal para assumir funções governativas: foi secretário de Estado do Planeamento nos dois primeiros Governos Provisórios (1974-75) e secretário de Estado do Orçamento e do Plano em 1976.
Início de carreira no Banco de Portugal
Aderiu formalmente ao Partido Socialista em 1975 e foi eleito deputado pela primeira vez em 1976.
A carreira no Banco de Portugal iniciou-se precisamente em 1976, com pouco mais de 30 anos, como diretor do Departamento de Estatística e Estudos Económicos. Em 1977 passa a vice-governador.
Chegou então uma breve experiência como ministro das Finanças e do Plano, em 1978, retomando no ano seguinte o cargo de vice-governador, que ocupou também entre 1981 e 1984, passando em 1985 para governador, cargo que manteve até ao ano seguinte.
Administrador do BPI entre 1995 e 2000
Terminada a primeira fase da aventura no Banco de Portugal, Vítor Constâncio regressa à política: eleito em 1986 e 1988 secretário geral do PS, candidatou-se a primeiro ministro em 1989 mas perdeu nas urnas para o agora Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Demitiu-se então do cargo de secretário geral do PS, passando a professor catedrático do ISEG em 1989, sendo coordenador e docente do Mestrado em Economia Monetária e Financeira desta faculdade, apesar de nunca ter concluído o doutoramento.
Antes de ser nomeado novamente governador do Banco de Portugal, passou ainda pelo sector privado, como administrador do BPI, entre 1995 e 2000, e administrador não executivo da EDP, entre 1998 e 2000.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
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O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.
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