17/05/2012 atualizado às 0:39
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Banco de Portugal não segue receita de irlandeses e espanhóis

Banco central explica que a lei bloqueia qualquer corte nos subsídios ou salários dos seus colaboradores. No Banco de Espanha não há bloqueios. Os cortes são para todos.

Isabel Vicente e João Silvestre (www.expresso.pt)
12:21 Quarta feira, 1 de fevereiro de 2012
Vítor Gaspar, ministro das Finanças, e Carlos Costa, governador do Banco de Portugal
Vítor Gaspar, ministro das Finanças, e Carlos Costa, governador do Banco de Portugal
Mário Cruz/Lusa

O Banco de Portugal (BdP) continua debaixo de fogo por ter ficado de fora do corte de subsídios de Natal e férias no setor público. Em Espanha e na Irlanda, a austeridade não poupou os bancos centrais e os seus trabalhadores tiveram cortes idênticos aos funcionários públicos.

O governador do BdP já veio explicar, em comunicado, que a lei não permite que cortes salariais e/ou subsídios (férias e Natal) sejam efetuados, sob pena de contrariar o parecer do Banco Central Europeu (BCE), além de "estarem condicionados pelo regime aplicável ao Banco de Portugal, que se rege pelo Código do Trabalho e pelas convenções coletivas em vigor, uma vez que a Lei do orçamento não se lhe aplica".

O Expresso sabe que o banco central receia um processo de contraordenação, que poderia manchar a reputação da instituição e do próprio governador, caso avance com os cortes sem que haja cobertura legal, uma vez que não é abrangido pelas regras do Orçamento.

O Banco de Portugal faz parte do sistema europeu de bancos centrais e, tal como os seus pares, goza de independência face ao poder político. Uma das razões é precisamente impedir que, indiretamente, os governos financiem os défices através do banco central. Por exemplo, se os cortes de custos revertessem diretamente para os cofres do Estado, como acionista único, na forma de dividendos, seria um financiamento encapotado do défice público.

É isso que Frankfurt quer evitar e que dizia claramente no parecer de 2010: o BdP pode cortar, desde que seja por sua iniciativa, mas as poupanças serão usadas da forma que entender e não obrigatoriamente entregues ao Estado. A regra vigente é que o banco central entrega anualmente 80% dos lucros ao ao Estado em dividendos.

Ao mesmo tempo, o BCE não permite normalmente que alterações às remunerações dos governadores sejam aplicadas no mandato corrente para evitar pressões políticas. A questão já se levantou em relação a alguns países da zona euro.

Gaspar 'poupou' BdP


Vítor Gaspar, que é funcionário do BdP e esteve durante vários anos no BCE, conhece bem as regras. E seguiu-as à letra. Segundo apurou o Expresso, o Ministério das Finanças optou por não incluir o BdP no Orçamento do Estado para 2012 precisamente por causa do parecer do BCE. O que não significa que Gaspar não esperasse que Carlos Costa tomasse medidas semelhantes por sua iniciativa.

É que, desde que haja acordo, o BCE autoriza cortes nas remunerações. O BdP já cortou os subsídios de Natal e férias dos administradores. Mas em relação aos funcionários escuda-se no acordo coletivo de trabalho e preferiu cortar outras remunerações acessórias - como o subsídio para livros - de montante equivalente. Sobre os pensionistas do BdP ainda não há decisão.

Nos partidos que suportam o governo já se percebeu que a questão formal, das regras do eurossistema, estão num plano diferente do político que se vive todos os dias. E com a população toda a sofrer as medidas de austeridade, quaisquer exceções, por mais justificadas que possam ser, não ajudam.

Finanças e BdP não falam


Questionado sobre a razão de o BdP não estar sujeito às mesmas regras impostas aos funcionários públicos, o Ministério das Finanças preferiu não comentar, remetendo o assunto para o banco central.

Por seu turno, o BdP não respondeu às várias questões colocadas pelo Expresso até ao fecho desta edição. Nomeadamente, se houve algum contacto prévio à elaboração do Orçamento com as Finanças sobre este assunto, já que havendo acordo, na perspetiva do BCE, poderiam ser efetuados cortes idênticos aos dos funcionários públicos. Questionou-se também quais as diferenças entre o regime legal do BdP e o dos seus congéneres irlandês e espanhol que explique as atuações distintas nesta matéria. As respostas não chegaram.

O mesmo não aconteceu junto dos bancos centrais irlandês e espanhol, que responderam. Referiram ter feito cortes semelhantes ou iguais aos aplicados aos funcionários públicos. Mesmo tendo, no que toca ao BCE, os mesmos constrangimentos que o BdP alega. No Banco de Espanha, os cortes são iguais, muito embora o regime jurídico também assente num contrato coletivo específico (ver caixa).

Perante o coro de críticas, o BdP explicou, em comunicado de 13 de janeiro, que os administradores terão os subsídios suspensos e os funcionários sofrerão cortes equivalentes em complementos que se somam ao salário. Em relação aos pensionistas, aguarda pareceres jurídicos para decidir.


Espanha e Irlanda cortaram salários

Os bancos centrais de Espanha e Irlanda, no âmbito dos programas de austeridade, realizaram cortes iguais ou semelhantes aos seus trabalhadores, como apurou o Expresso junto das duas instituições de supervisão. Situação que não aconteceu em Portugal e provavelmente não irá acontecer. Em Portugal houve cortes em benefícios complementares, mas cortes nas remunerações propriamente ditas não. Isto porque o Banco de Portugal alega fazer parte do eurossistema que confere independência, além de que estão ao abrigo do contrato coletivo de trabalho dos bancários. No caso do Banco de Espanha e segundo resposta da assessoria de imprensa, os "funcionários do banco têm um acordo coletivo específico (diferente do dos funcionários públicos) mas o seu salário foi sujeito aos cortes anunciados pelo Governo". Em 2010, exemplifica a mesma fonte, "os funcionários sofreram os mesmos cortes (5%) ordenados pelo Governo para os funcionários públicos". Já o Banco Central da Irlanda fez questão de sublinhar que a sua estrutura é independente do Governo mas que "as medidas referentes ao sector público tomadas pelo Governo irlandês foram semelhantes às aplicadas pelo banco central". O Expresso questionou o Banco de Portugal e as Finanças, mas o banco central não respondeu e o ministério de Vítor Gaspar não comenta o assunto.



Parecer do BCE travou Gaspar

O Ministério das Finanças decidiu não incluir o Banco de Portugal (BdP) nos cortes de subsídios com base no parecer que o Banco Central Europeu (BCE) emitiu a propósito dos cortes salariais que Teixeira dos Santos introduziu no Orçamento de 2011 e que incluíam o supervisor. Na altura, em outubro de 2010, o governo incluiu o BdP nos cortes sem antes consultar o BCE, como está obrigado pelas regras europeias já que o banco central goza de independência. O diploma acabou por ser enviado para Frankfurt no final de outubro e teve resposta num parecer divulgado a 12 de novembro. Nele, o BCE dizia claramente que qualquer corte salarial tinha de ter acordo prévio do BdP. Frisava ainda que a decisão quanto ao destino a dar à poupança conseguida por uma eventual redução salarial era da exclusiva competência do banco central e que, além disso, limitações às contratações ou progressões de carreira eram uma ingerência na sua independência. O BdP acabou por cortar os salários da administração em 10%, aplicando a regra da função pública, e fez cortes alternativos de dimensão equivalente aos dos outros trabalhadores nos seus funcionários. Agora, Vítor Gaspar optou por não incluir sequer o BdP nos cortes.


Texto publicado no caderno de economia do Expresso de 28 de janeiro de 2012

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O feudo
Ficção (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 12:39 | Quarta feira, 1 de fevereiro
A argumentação destes tipos do Banco D'eles, não de Portugal, dos postugueses, demonstra bem da desonestidade intelectual que por, ali, grassa.
 
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Coutos
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 12:46 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Há gente que aceita e aconselha os sacrifícios , os cortes de rendimento, a contenção salarial, desde que se apliquem aos outros.

O Banco de Portugal sempre tem sido uma coutada privada, com dinheiros públicos, atribui pensões que nada têm a ver com os contributos dos pensionistas, têm ordenados reservados, até o condutor do governador tem viatura distribuída.

Vamos agora ver a dimensão do Gaspar, se tem autoridade para pôr moralidade no galinheiro, onde o galo canta com os dinheiros do povo.

Deve ser uma cultura de impunidade e de torre de marfim, pois já o Constâncio funcionava na mesma frequência.

Era agora uma boa ocasião parara corrigir comportamentos (quem quer aulas de equitação, que as pague)

Aliás parece não necessitarem de aulas para cavalgarem o próximo.........
 
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    Re: Coutos    Ver comentário
Goodwaves (seguir utilizador), 2 pontos , 14:07 | Quarta feira, 1 de fevereiro
    Sacrifícios?    Ver comentário
Spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 13:02 | Quarta feira, 1 de fevereiro
    Grandes CAVALGADURAS , é o que são …    Ver comentário
castanhinha (seguir utilizador), 1 ponto , 16:05 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Banco de Portugal não segue Irlandeses e Espanhóis
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:47 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Com razão ou sem ela, uns são filhos e outros enteados, ou seja uns comem os figos e a outros rebenta a boca. Pessoalmente só já acredito nisto quando vir um politico cortar a direito e começar pelos da casa.

Reduzir os salários de TODOS os cargos políticos em 50%.

Retirar TODOS os subsídios, abonos ou subvenções. Apenas poderão auferir o salário.

Limitar o salário dos cargos políticos, ao valor de 5 salários mínimos (+/- 2.500 € ?)

Apenas poderão auferir UM salário.

Reforma para os políticos aos 65 anos de idade, como todos os outros portugueses.

http://www.youtube.com/wa...

http://www.youtube.com/wa...

http://www.youtube.com/wa...
 
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    Re: Banco de Portugal não segue Irlandeses e Espan    Ver comentário
Spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 13:01 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Esta é mais
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:20 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Uma prova que existem anomalias nas nossas leis e que têm de ser retificadas rapidamente em virtude de estarmos em democracia, ou não estamos?
Mas a ministra da justiça já afirmou que há lei para pobres e outra para ricos, e com isto será que os nossos governantes querem?
 
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Quanto toca a meter o "Guito" no bolso...
Xibata (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 14:08 | Quarta feira, 1 de fevereiro
É sempre assim, a falar todos têm princípios, quanto o cheiro do dinheiro anda por perto, lá se vão os bons costumes e se revelam tal como são.
A BEM DA NAÇÃO, Sacrifícios para Todos!
Blá, blá, blá, blá
Aldrabões, engravatados com falinhas de santinhos!
 
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Um "estado" dentro do Estado?
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 14:23 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Alguma coisa está,profundamento errado.E,das duas uma, ou o Sr. Presidente da República é o Presidente do todos os Portugueses ou então faz vista "grossa" a alguns "gordos" que andam por aí.
 
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    Re: Um    Ver comentário
loiraburra (seguir utilizador), 1 ponto , 14:34 | Quarta feira, 1 de fevereiro
    Re: Um    Ver comentário
FP45 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:07 | Quarta feira, 1 de fevereiro
A LEI NÃO É IGUAL PARA TODOS ...
CENSURADO SARL (seguir utilizador), 2 pontos , 14:32 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Logo ... não é o Banco de Portugal ... é sim ... o Banco de Portugal Especial ...

Em Espanha ... por exemplo ... é igual ... por isso mesmo é o Banco de Espanha ...

Em Portugal não é igual ... porque o Banco não é de Portugal ...

    É do Portugal ... Especial ...

 
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As justificações que arranjam...
Franco5612 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:29 | Quarta feira, 1 de fevereiro


Quando os explorados e desrespeitados vierem para a rua....

até se vão cagar todos...

Vai ser vê-los como ratos a apanhar os aviões...

Não é por acaso que o Macedo já está a meter mais elementos nas forças da ordem...

porque a palavra de ordem vai ser cascar...

e disso sabe o Ângelo Correia....
 
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Puta que pariu esta jangada...
Franco5612 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:33 | Quarta feira, 1 de fevereiro


Já me começo a passar com estes filhos da puta!
 
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Incompatibilidade entre a moral e a lei.
JJFF (seguir utilizador), 2 pontos , 16:32 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Não se aplicar aos funcionários do BdP o regime de sacrifícios imposto aos demais funcionários públicos é notoriamente uma imoralidade. Se esta prática é resultado de falta de compatibilidade da lei relativamente à moral, então que se altere a primeira. É para isso que temos na Assembleia da República 230 deputados, que se não agirem estão a pactuar com esta imoralidade.
 
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Bloqueios e contractos
Spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 13:01 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Todos os funcionários públicos têm um contracto de trabalho onde, certamente, o subsídio de natal e de férias são contemplados. Se é para respeitar «a Lei», o contracto deve ser respeitado. Isso também é o bloqueio.

Se é para cumprir a Lei mas só para alguns, então há contractos de trabalho que interessam mais do que outros...
 
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lol
Buma (seguir utilizador), 1 ponto , 13:44 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Haja vergonha...
 
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Existem leis?
Marshall2k (seguir utilizador), 1 ponto , 14:15 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Se for esse o caso, que alterem a lei.
 
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    Re: Existem leis?    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 2 pontos , 14:53 | Quarta feira, 1 de fevereiro
    Re: Existem leis?    Ver comentário
Marshall2k (seguir utilizador), 1 ponto , 23:23 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Entao e qual o problema de contrariar o bce?
labreu (seguir utilizador), 1 ponto , 14:16 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Interessante como as situacoes extraordinarias tornam constitucional o que e inconstitucional, mas mm assim, ainda existem uns seres iluminados que estao acima de qq coisa...
 
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resiliente
resiliente (seguir utilizador), 1 ponto , 14:36 | Quarta feira, 1 de fevereiro
Lamentável a todos os titulos. O BCE é o mesmo para todos mas... há sempre um mas ...quando há que proteger os fortes. O Governo e o Governador já se viu são fortes perante os fracos e fracos perante os fortes. E assim Cavaco, Gaspar e tantos outros lá passam incólumes entre os pingos da chuva.
 
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