Portugal conseguiu, no final do segundo trimestre, sair do grupo dos 10 países e estados com maior probabilidade de default (incumprimento da dívida soberana) num horizonte de cinco anos na percepção dos investidores no mercado dos credit default swaps (cds).
Também a Espanha e a Irlanda viram o seu risco diminuir para níveis abaixo dos 20%, afastando os dois países da probabilidade de entrada no "clube" dos 10 de maior risco.
No entanto, estes três países da zona euro mantêm-se no grupo mais alargado dos 20 de maior risco à escala mundial, segundo o relatório de balanço do segundo trimestre realizado pela CMA Datavision e divulgado esta manhã em Londres.
O último lugar desse TOP 10 foi ocupado pela Roménia e países como a Letónia e a Bulgária encontram-se em posições muito próximas da fronteira deste "clube" de alto risco. A "frente de Leste" da União Europeia emergiu como o pólo de especulação mais recente no mercado dos cds.
Foco da crise da dívida
A União Europeia continua a ser o hub e foco da crise global da dívida soberana, com a Grécia mantendo o segundo mais alto nível de probabilidade de default num horizonte de cinco anos, segundo o balanço do segundo trimestre realizado pela CMA DataVision, com base no seu monitor de risco abrangendo 70 países em oito "regiões" (Estados Unidos e Reino Unido; Europa Ocidental; Europa emergente; Escandinávia, América Latina e do Sul, Médio Oriente e África, Australásia e Ásia).
As maiores deteriorações de crédito à escala mundial durante o segundo trimestre localizaram-se integralmente na zona euro, tendo a probabilidade de default da Grécia aumentado 190%, a da Bélgica 168,5%, a da Espanha 129,2% e a de Portugal 127,3%. Durante este trimestre, a Espanha e Portugal atingiram os seus máximos históricos aquando da crise da zona euro a 6 de Maio, a Itália a 4 de Junho e a Grécia a 24 de Junho, quando alcançou um nível recorde do custo dos cds relativos à dívida de Atenas na ordem dos 1126,85 pontos base e 68,68% de probabilidade de default a cinco anos.
Os cinco países de maior risco mundial durante o segundo trimestre foram a Venezuela, Grécia, Argentina, Paquistão e Ucrânia, com probabilidades de default superiores a 35%. Os cinco países mais seguros foram a Noruega, Finlândia, Estados Unidos, Dinamarca e Suécia, com a probabilidade de default inferior a 4%.