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Henrique Raposo, A Tempo e a Desmodo

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O "político" e o "politiqueiro"

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
21:17 Sábado, 13 de Mar de 2010

Paulo Rangel fez um discurso "político", virado para o país. Pedro Passos Coelho fez um discurso "politiqueiro", virado para as intrigas do partido. 

 

I. Paulo Rangel traçou linhas políticas claras. Ao nível económico, foi claro na forma como disse que o país precisa de uma barreira higiénica entre o público e o privado. É preciso acabar com a promiscuidade entre o público e um privado. De facto, é preciso colocar os partidos "acima dos interesses". E para isso é necessário, entre outras coisas, acabar com as golden share. É esta a ruptura com a "promiscuidade socialista", com a teia de interesses instalados, com o "populismo tipo Hugo Chávez de José Sócrates". Mal ou bem, é esta a mensagem política de Rangel. Uma mensagem que é resumida com um slogan que fica no ouvido: "des-socratizar". Rangel falou ainda de mudanças na justiça, que implicam mudanças constitucionais.

II. Mais uma vez, Pedro Passos Coelho desiludiu politicamente. "Política" não é tomar conta das secções e dos sindicatos de votos de um partido. "Política" é ter um discurso para o país, para os problemas do país. Passos Coelho não fez isso. Fez um discurso cheio de picardias e "bocas" para militante ouvir (não se percebeu as bocas que dirigiu a Rui Machete, por exemplo). Autojustificou-se em excesso, revelando aí uma fraqueza enorme. E levou uns assobios (justos, diga-se) quando voltou a dizer que Paulo Rangel é militante do partido há pouco tempo. É um pouco sinistro este discurso contra o "militante novo". Os partidos estão sempre a dizer que precisam de gente nova, mas depois os mais novos são tratados como militantes de segunda sem o direito a concorrer à direcção.

III. O momento político mais forte de Passos Coelho foi uma espécie de imitação da agenda de Paulo Portas. O que não é mau per se, atenção. Mas não deixa de ser engraçado ver esta colagem de Passos à agenda anti-subsídios de Portas.
 
PS: e Passos comete uma gaffe de todo o tamanho na forma como lidou com Alberto João Jardim. Sem necessidade.


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PSD: os discursos (antes dos candidatos)

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
19:10 Sábado, 13 de Mar de 2010

Manuela Ferreira Leite mostrou que tinha a razão do seu lado. Marques Mendes fez um discurso pela ética política, com a mensagem mais necessária para o país: "não podemos colocar boys laranja onde agora estão boys rosa".

I. Manuela Ferreira Leite fez o seu melhor discurso de sempre. O seu último discurso foi mesmo o seu melhor discurso. Parece que, sem a pressão da liderança, a dama de ferro finalmente se libertou. Parece que a liderança foi, de facto, um fardo para Manuela Ferreira Leite. Mas, seja como for, a ainda líder do PSD disse a verdade: a realidade do país deu-lhe razão. Mais: o PEC de Sócrates é, na verdade, uma transposição dos discursos que Manuela Ferreira Leite fez ao longo de dois anos. Ou seja, Sócrates não tinha razão. Sócrates venceu as eleições através de uma falácia económica. Ferreira Leite deixa, no fundo, uma pergunta implícita: as eleições de Setembro foram para valer? Foram a sério?
 

II. Marques Mendes fez um bom discurso político (não politiqueiro). E deixou a mensagem anti-boys num sítio cheio de boys: "não podemos colocar boys laranja onde agora estão boys rosa". Se o próximo líder do PSD seguisse esta mensagem de Marques Mendes, Portugal agradecia. Os galhos onde estão agora os boys rosa não podem passar a ser propriedade de boys laranja. Esses galhos têm de acabar.

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A antropologia do PSD: primeiras notas

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
12:59 Sábado, 13 de Mar de 2010

Meus caros amigos, tenho a dizer uma coisa: um congresso do PSD é uma coisa muito divertida. Isto parece um casamento cigano.

I. Bom, eu pensava que isto era um congresso político. Afinal, isto mais parece uma festa. Um casamento, para ser mais exacto. E eu, por sinal, sou o convidado mais mal vestido do casamento. O idiota, o intruso de calças de ganga num ajuntamento de gente onde as senhoras mais parecem madrinhas da noiva.

II. Ao longo do dia, prometo contar mais coisas sobre esta minha experiência antropológica. Mas uma coisa fica já assente: um congresso do PSD é um laboratório de humor.  

PS: cara Manuela Ferreira Leite, um pedido para o primeiro ponto de ordem: por amor ao Altíssimo, mudem de hinos, mudem de músicas. É que já ando a dançar ao som do "paz, pão, povo e liberdade".

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PSD: o estado da arte (II)

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
10:27 Sexta-feira, 12 de Mar de 2010

Paulo Rangel é o melhor candidato. Mas a Política não é uma aula de direito. Para vencer, é preciso ter uma vontade felina de vencer. E foi Passos Coelho quem mostrou essa vontade.

I. Paulo Rangel é o melhor candidato, intelectualmente falando. Basta ler o que escreveu . Basta ler as entrevistas que deu. Rangel não tem medo de ser polémico, e diz as coisas que os portugueses têm de ouvir. Exemplo: o ensino português é uma desgraça, e, sim, é preciso uma revolução conservadora na escola pública. Uma revolução que devolva autoridade ao professor, para começar. Ao invés, quando ouvimos Passos Coelho, "aquilo" não parece genuíno; até parece que Passos Coelho decorou "aquilo" na véspera.

II. Porém, a democracia não é uma aula de direito, ou de economia. Dentro do PSD, a facção anti-Passos Coelho parece que não entende isto. Paulo Rangel e outros até podem ser melhores do que Passos Coelho, mas têm de revelar isso no terreno, têm de sujar as mãos na máquina do partido. É a vida. Se não conseguem conquistar os militantes, como é que esperam, depois, conquistar o povo inteiro? Paulo Rangel, ao contrário de outros desta facção, parece que entende isto, parece que tem o killer instinct para andar pelo terreno. Mas libertou-se tarde demais da pouca inteligência táctica de Manuela Ferreira Leite. Rangel arrancou quando Passos Coelho já tinha dado três voltas à pista.

III. Em democracia, não basta ser melhor, não basta ter razão : é preciso demonstrar isso na realidade. E a realidade não é uma aula de direito ou de economia.

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Cavaco não acredita em Sócrates

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
10:23 Quinta-feira, 11 de Mar de 2010

Cavaco Silva foi claro: não acredita que o Governo desconhecia o negócio PT/TVI. Mas, diz Cavaco, o Presidente não pode demitir o Governo apenas por falta de confiança política.

I. Ontem, em entrevista a Judite de Sousa, na RTP 1, Cavaco Silva foi bastante claro em dois pontos. Em primeiro lugar, não acredita que o Governo não conhecesse os contornos do negócio PT/TVI. No campo das possibilidades, esta operação não podia acontecer sem o conhecimento do primeiro-ministro. Aliás, Henrique Monteiro afirmou o mesmo na comissão de ética no parlamento.

II. Em segundo lugar, Cavaco Silva disse que - no plano ético - um negócio que envolva a compra de uma TV tem de ser transparente. Não é apenas o Governo que tem de estar a par do dito negócio. Toda a opinião pública deve ser informada atempadamente. Porque a compra de uma TV não é bem a mesma coisa que a compra de uma cadeia de supermercados.

III. Parece-me evidente que Cavaco Silva perdeu qualquer confiança em José Sócrates (quem não perdeu que levante o braço). Muitos - como eu - pediam que o Presidente actuasse em conformidade perante esta falta de confiança. A estes pedidos, Cavaco Silva tem uma resposta elucidativa: "O Presidente não pode demitir o Governo por falta de confiança política". O Presidente já não confia no Governo, mas não o demite. Porquê? Há três hipóteses: (1) ao contrário dos seus antecessores, Cavaco tem uma visão minimalista dos seus poderes; (2) Cavaco Silva já está em campanha eleitoral, e a demissão de um primeiro-ministro - que faltou às mais elementares regras de transparência - estragaria a festa da reeleição; (3) Cavaco Silva quer que José Sócrates passe pelas passas do Algarve, ou seja, Cavaco quer queimar em lume brando o Governo nesta crise. Resta saber se José Sócrates vai nesta conversa.

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Dr. Sócrates e os pacóvios

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
10:26 Quarta-feira, 10 de Mar de 2010

"José Sócrates deve achar que somos um país de pacóvios". Bagão Félix dixit. Assino por baixo. O primeiro-ministro vive dentro da propaganda. Não sabe o que é a realidade.

I. Ontem, na SIC-N, Bagão Félix desmontou, sem papas na língua, as mentiras económicas do primeiro-ministro. Em primeiro lugar, o ex-ministro disse que as eleições de Setembro foram realizadas sobre uma mentira económica. E tem toda a razão. No verão, José Sócrates escondeu a realidade ao país; pintou Portugal com tons de rosa para conseguir ganhar umas eleições. Depois, com o poder de novo no bolso, virou o bico ao prego. Em Março de 2010, Sócrates negou tudo aquilo que disse em Setembro de 2009. Mas a realidade é a mesma, não mudou. O PS é que escondeu a realidade do país. Esta mentira económica é quase tão grave como a mentira política da TVI/PT.

II. Em segundo lugar, Bagão Félix afirmou que, mais uma vez, Sócrates faltou às suas promessas eleitorais: dizia que não aumentava impostos, mas aí estão os aumentos de impostos. E, de forma clara, citando um documento oficial de 2007, Bagão Félix provou como a mentira está instituída na cultura de governação deste PS. Os documentos "oficiais" não são retratos exactos do país. São peças de propaganda.

III. Em terceiro lugar, Bagão Félix falou da incompetência deste PEC. Não há apenas propaganda. Há também incompetência. Isto porque este plano, como também salienta André Macedo, não aponta para o crescimento. Não se vêem medidas destinadas a fomentar o crescimento. Não se vêem medidas destinadas a fomentar o investimento privado.

IV. Dr. Sócrates, escreva no quadro quarenta vezes: "investimento privado".

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As três mentiras de José Sócrates

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
9:53 Terça-feira, 9 de Mar de 2010

José Sócrates mentiu sobre a TVI. Mentiu sobre o estado das contas públicas. Mente quando diz que não aumenta impostos. Afinal, Manuela Ferreira Leite tinha razão.

O currículo de José Sócrates é notável. Vejamos:

I. Como toda a gente já percebeu, o primeiro-ministro mentiu ao país sobre o caso TVI/PT. Afinal, Manuela Ferreira Leite tinha razão para falar em asfixia democrática.

II. Durante a campanha eleitoral, o Governo escondeu o estado das contas públicas. Ninguém acredita que o Governo só descobriu em Dezembro aquilo que Manuela Ferreira Leite dizia desde Janeiro. Das duas, uma: ou o Governo mentiu, ou o Governo é profundamente incompetente. Eu estou com a primeira hipótese. Para alimentar a sede de poder de José Sócrates, o PS e o Governo mentiram ao país sobre a economia, apelidando de "bota-abaixistas" aqueles que apenas apontavam o dedo para a realidade. As eleições foram feitas sobre uma mentira (ou melhor, sobre duas mentiras). E, ontem, José Sócrates deu razão a Manuela Ferreira Leite. É oficial, portanto: Sócrates é um "bota-abaixista".

III. Quando diz que não aumenta impostos com este PEC, José Sócrates está a mentir. Às claras. Os impostos aumentam de facto , mas José Sócrates consegue dizer, sem se rir, que "eu não aumento impostos". Um profissional.

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Paulo Rangel e os debates de plástico

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
10:49 Sexta-feira, 5 de Mar de 2010

O mainstream avalia de forma errada os debates na TV. O político que fala da realidade e para a realidade, sem técnicas de marketing, é sempre considerado o "perdedor".

 

I. Repito: um debate político na TV não é uma audição para os "Ídolos". Em política, a realidade virtual da televisão não pode substituir a realidade. Porque um político tem de lidar não com a "realidade" virtual da TV, mas sim com a realidade pura e dura, aquela coisa que está do lado de fora do estúdio de TV. Um político até pode fazer um marketing brilhante na TV, mas isso serve de muito pouco quando se percebe que esse mesmo político está deslocado da realidade. Foi isto que sucedeu no debate entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite. Na altura, fui criticado por dar a vitória a Manuela Ferreira Leite: "então, v. não vê que o Sócrates esmagou a senhora? Não se vê que isso é óbvio?". Não, não era óbvio. Porque Manuela Ferreira Leite foi a única que falou da realidade do país. José Sócrates desprezou, por completo, o problema do endividamento. Isto não contou na altura. "Sócrates limpou a senhora", dizia-se. Meses depois, a realidade deu razão a Manuela Ferreira Leite. E agora é a realidade que está a limpar o país. 

II. Há dias, a maioria das pessoas considerou que Passos Coelho venceu Paulo Rangel. E eu fico a pensar: mas porquê? Mas as pessoas ouvem o que é dito? Ou só vêem? Além das desonestidades , Passos Coelho disse coisas graves - do ponto de vista político e económico - para um candidato a primeiro ministro. Propor que o PSD não devia ter aprovado o Orçamento é de uma enorme irresponsabilidade, nesta época de pressão externa sobre a nossa dívida. É isto que conta. Só isto. Ok, Passos Coelho decorou uns cartões e fala como se estivesse a olhar para o power point. E depois? A substância deve ser superior à forma. Ou não? Em Portugal, é a forma que interessa? Parece-me que sim. Na política portuguesa, pode-se ser irresponsável, desde que se seja fotogénico.

III. Falei com um amigo. Ele diz-me que Paulo Rangel perdeu. Eu pergunto porquê. À medida que o meu amigo responde, percebo a razão da nossa diferença de opiniões: ele vê um debate de TV como se estivesse a ver um jogo de ténis ou de futebol: "Ah, ele esteve muito à defesa". Ora, a meu ver, o cenário é um pouco diferente. Paulo Rangel defendeu as suas ideias. Paulo Rangel defendeu ideias e actos que causaram polémica (ex.: ensino profissional; discurso no Parlamento europeu), e defendeu-se das críticas implícitas da jornalista. Óptimo. Então, como é? Estamos sempre a queixarmo-nos que só temos políticos de plásticos a dizer vacuidades, e depois dizemos que um político polémico perde debates só porque defendeu as suas ideias fortes e polémicas? Sendo assim, mais vale ser de plástico.

IV. No debate entre Aguiar Branco e Paulo Rangel, tudo girou em torno das ideias de Rangel. Aguiar Branco foi uma espécie de fiscal das ideias de Paulo Rangel. Não deu uma única ideia, só criticou as do adversário. Mas a malta acha que Aguiar Branco foi o vencedor. Ora, quando fizer um debate, eu já sei o truque: não apresento uma única ideia, e só ataco a dos adversários. Posso ser pouco inteligente, desde que seja agressivo. Boa.

 

 

 

 

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PSD: o estado da arte

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
10:38 Quinta-feira, 4 de Mar de 2010

Entre Passos Coelho e Paulo Rangel existe um consenso sobre as medidas económicas. Óptimo. E Rangel iniciou o caminho para outro consenso: a revolução da escola pública.

I. Há um dado positivo, muito positivo, que não tem sido salientado com a devida atenção: no PSD, parece existe um consenso na área económica. Paulo Rangel e Passos Coelho dizem o mesmo: devemos acabar com a promiscuidade entre público e privado. Para mim, esta é a melhor notícia desta campanha. Seja qual for o vencedor, não há razões para o PSD não apresentar um programa forte com as seguintes metas: fim das golden share, privatizações, regulação realmente forte. Ou seja, um PSD realmente diferente do PS pode estar a caminho .

II. Por outro lado, é bom ver que Paulo Rangel iniciou o debate que vai, a seu tempo, gerar outro consenso: é preciso uma ruptura com o "eduquês" na escola pública. O discurso de ruptura na educação, por parte de Paulo Rangel, é a grande novidade política desta "campanha". É um discurso que já existia nos media , mas é a primeira vez que aparece em força num responsável político. É preciso rigor. É preciso acabar com o facilitismo . E, por outro lado, é preciso dar autonomia às escolas. É preciso libertar os professores da tutela castradora do ministério .

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Passos Coelho quer ser o novo Guterres

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
11:05 Quarta-feira, 3 de Mar de 2010

Pedro Passos Coelho foi uma desilusão. Esperava-se mais do suposto futuro primeiro-ministro. Revelou vícios de "jotinha" e uma estranha ambição: quer ser o Guterres do PSD.

I. Na análise ao debate de ontem, convém começar por algumas desonestidades intelectuais de Pedro Passos Coelho (PPC). O ex-líder da JSD insinuou que as declarações de Paulo Rangel (PR) no Parlamento europeu sobre liberdade de expressão em Portugal tiveram influência na forma como os mercados internacionais olham para Portugal, e, até, deu a entender que essas declarações contribuíram para a perda de milhões na bolsa portuguesa. Ora, isto é de uma desonestidade intelectual assinalável. É politiquice muito baixa.

II. Depois, já no fim, se bem percebi no meio daquela confusão, PPC tentou comparar PR a Elisa Ferreira (por ter assumido um compromisso na Europa que agora coloca em segundo plano para tentar ser líder do PSD). E o dedo em riste no final, cheio de ressentimento contra Manuela Ferreira Leite, também não era necessário. Um primeiro-ministro está acima disso. Estas tiradas revelam uma mentalidade "jotinha" em PPC. Uma mentalidade que já devia ter passado. Mas, se calhar, os militantes do PSD gostam desta mentalidade "politiqueira". Lamento, mas já chega disto.

III. Não se percebe muito bem aquilo que PPC quer dizer quando afirma que "quer dar uma mensagem de esperança ao país". Isso quer dizer o quê? Que espécie de optimismo é este? A mim, parece-me um optimismo "socrático" travestido em tons laranja. Tive aquela estranha impressão de estar a ver e a ouvir um segundo José Sócrates. Lamento, mas isto não chega.

IV. O ponto principal: PPC diz que é preciso evitar "rupturas", porque o país está farto da crispação provocada pelo estilo do actual primeiro-ministro. Ora, isto soa-me a familiar. Foi assim que António Guterres chegou ao poder: com uma mensagem vaga de esperança, e prometendo diálogo a uma nação cansado do estilo duro de Cavaco. PPC quer ser o Guterres do PSD. Lamento, mas isto não chega.

 

 

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