O vício de navegar na Internet pode ter os dias contados na Ásia. Esta é pelo menos a crença dos governantes de países como a China e a Coreia do Sul, que estão a criar centros especializados para o tratamento dos viciados na web, um problema que afecta milhões de pessoas, sobretudo jovens.
Com efeito, as estatísticas oficiais chinesas apontam para a existência de 113 milhões de internautas, dos quais mais de 2,5 milhões têm menos de 18 anos e são considerados dependentes.
Treinos, choques e psicanálise
Nessas novas clínicas asiáticas, o tratamento baseia-se na disciplina militar, ou seja, em treinos espartanos, sessões de psicanálise e leves choques eléctricos. Dentro dos estabelecimentos, além de serem proibidos os computadores, o uso dos telemóveis apenas é permitido durante uma hora diária.
O Jump Up Internet School é o primeiro desses centros na Coreia do Sul destinado ao tratamento das vítimas do vício do século XXI. Nessa clínica, recém-inaugurada, os ciberdependentes são submetidos a duros exercícios militares.
Na China, já existem oito centros. O maior e o mais importante, denominado Base de Crescimento Psicológico para Adolescentes Chineses, funciona desde 2005 nas instalações de um hospital militar no distrito de Daxing, em Pequim. Em declarações ao jornal estatal 'China Daily', o director da clínica, Tao Ran, afirmou que "a dependência da Internet é tão grave quanto a do álcool, tabaco ou drogas".
Vício conduz ao crime
A nova forma de tratamento, defendida para combater a dependência da Internet, foi uma resposta à crescente onda de tragédias associadas ao problema de que os países asiáticos têm sido palco.
Os casos sucedem-se há mais de três anos na China, sendo relatados com frequência pelos jornais. Em Junho passado, um adolescente assassinou a mãe com várias facadas, por ela se ter recusado dar-lhe dinheiro para o rapaz ir jogar para um cibercafé, em Cantão. Algumas semanas depois, na mesma cidade, um homem de 30 anos teve uma paragem cardíaca após passar três dias seguidos a jogar na Internet.
Recorde-se que, em Março, a China proibiu a emissão de novas licenças para a abertura de cibercafés, alegadamente numa tentativa de restringir o acesso da população à rede. A medida, porém, foi interpretada pela imprensa estrangeira mais como uma forma de censura do que propriamente como uma resposta para conter o crescimento dos casos de dependência.