23/02/2012 atualizado às 1:43
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As cores de Serralves

Esta exposição em Serralves pode ser dividida em três. A primeira é a fase verde, dos recibos dos seus trabalhadores. A segunda é cor-de-rosa, com apelos ao "empreendedorismo". A terceira é negra: o despedimento.

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
9:00 Quarta feira, 31 de março de 2010

As pessoas que trabalham na recepção e nas bilheteiras de Serralves têm horários? Têm. Ocupam uma função fixa e sempre necessária à instituição? Ocupam. Dependem de uma hierarquia? Sim. Trabalham nas instalações da Fundação de Serralves? Nem podia ser de outro modo. São funcionários da Fundação que gere aquele espaço cultural? Não. Trabalham a recibos verdes. Aqueles que supostamente foram criados para prestadores de serviços.

Os da Fundação de Serralves são falsos recibos verdes. Ilegais, portanto. Porque a lei é clara: um trabalhador que obedece a uma hierarquia dentro da empresa, cumpre horário por esta estipulado, exerce actividade nas suas instalações e usa ferramentas de trabalho fornecidas pela mesma não pode trabalhar a recibos verdes. É o caso destas pessoas.

Perante este facto, o que seria normal? Que a Fundação de Serralves integrasse aqueles trabalhadores como seus funcionários, que é o que eles são. Foi isso que fez? Claro que não. Afinal de contas, estamos em Portugal. A lei é apenas um conselho para quem o queira seguir.

Convidou os seus trabalhadores, ilegalmente pagos através de recibos verdes, a constituírem a sua própria empresa e fornecerem o serviço externos à instituição. Ou seja, para continuarem a ser trabalhadores na Fundação de Serralves têm de ser empresários de portaria e bilheteira. Com que objectivo? "Por forma a promover o empreendedorismo" . Ou seja, depois da fase verde, a Fundação passou à cor-de-rosa.

Houve queixas à Autoridade para as Condições de Trabalho. Houve perguntas de deputados às autoridades. O que fez a Fundação? Regularizou a situação? Claro que não. Continuamos em Portugal e a lei continua a ser facultativa. Enviou uma carta aos recepcionistas anunciando que a partir do próximo dia 12 estão sem emprego . Chegámos finalmente à fase negra.

Irá contratar um serviço externo para desempenhar as funções que os seus trabalhadores ilegalmente pagos através de recibos verdes já desempenhavam e, ao que parece, bem, já que a instituição até os queria lá a trabalhar.

É esta a moda destes tempos: o empregador quer ter funcionários com a obrigação de cumprir horários e desempenhar tarefas com "profissionalismo". Mas não quer a maçada de fazer a sua parte. E chama a este negócio - em que tem o direito de exigir tudo e nenhum dever a cumprir - promoção do "empreendedorismo".

A Fundação de Serralves tem dois representantes do Estado na administração - de seus nomes Rui Guimarães e Elisa Ferreira (a tal que estava disposta a perder a "gamela de Bruxelas"). O seu presidente até é um ex-ministro: Luís Braga da Cruz. E o seu vice-presidente também: Luís Campos e Cunha . Todos em algum momento das suas vidas foram responsáveis pelas leis que regem este país e, julgava-se, a Fundação de Serralves. A Fundação recebeu e recebe apoio financeiro do Estado. O mesmo que fez as leis que esta acha que não tem de cumprir. E não hesita em pedir voluntários (não pagos) com base "nos princípios da participação, da solidariedade e cooperação" . Ou seja, não hesita em pedir à comunidade os bons sentimentos que não pratica em casa.

Conclusão: uma instituição que tem dinheiros públicos e representantes do Estado e três ex-ministros na administração contrata trabalhadores de forma ilegal. Quando confrontada com o problema tenta que eles formem uma empresa para cumprirem a mesma função. Perante a recusa despede os trabalhadores.

E querem estes distintos senhores que levemos a sério as leis que aprovam quando se sentam nos conselhos de ministros e no Parlamento.

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Mecenas para que te quero?
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 11:26 | Quarta feira, 31 de março de 2010
Infelizmente Serralves não é caso único:
por detrás das revistas de propaganda da sua actividade -e distribuidas á grande e á francesa em Jornais nacionais-esconde-se esta prática politica de procedimentos,que devia envergonhar a sua administração.
A cultura não respeita quem trabalha e a Escola(do secundário ás Universidades) está a ficar cheia de mecenas-que vão integrar os seus orgãos dirigentes-e por certo condicionar o que lá se ensina e investiga.
A entrada dos mecenas-que servem para dar dinheiro e suavizar os impostos(para além de "boa"justificação"
para outros itinerários) está assim -perigosamente e por aquilo que já se conhece-a substituir o Estado.
E quando o Estado foge e se demite das suas obrigações,isso é um mau sinal porque quem o substitui
não tem contas a prestar a ninguèm.
 
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Tempo volta atrás...
Trolha da Areosa (seguir utilizador), 1 ponto , 9:52 | Quarta feira, 31 de março de 2010
Mas não é o estado o mair empregador a recibos verdes deste País? Não é este mesmo estado que tem enfermeiros a trabalhar com contratos a termo certo á mais de 7/8 anos, tendo falta destes mesmos técnicos? Se é verdade o que se pasa na fundação de Serralves onde estão as " forças vivas" da cidade do Porto a denunciarem a situação? E os " artistas "? E afinal a Fundação também é um sorvedouro de dinheiros Públicos ? Quanto já agora? Afinal aparecem tantos a dar a cara como mecenas e recorda-me do Srº Artur Santos Silva e fernando Ulrich do BPI entre outros que tais e afinal ainda vão mamar na teta do estado ? Para quando a arte em Portugal é verdadeiramente independente ? Depois é óbvio o PEC não vai chegar !!
 
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As hipocrisias dos políticos
Runaldinho (seguir utilizador), 1 ponto , 10:33 | Quarta feira, 31 de março de 2010
Se tudo isto é verdade, e admito que sim, pois Daniel Oliveira tem o cuidado de esmiuçar todos os pormenores, aqui está um exemplo bem elucidativo de como os nossos iluminados governantes e dirigentes políticos abordam as questões do emprego, e os direitos laborais e sociais do cidadão!
Mas o mais grave é que esta gente nunca foi capaz de querer para si e para os seus mais íntimos, aquilo que pratica ao comum dos mortais! Qualquer filho de político que entre para um emprego público ou privado assume-o como quadro de empresa e nunca como prestador de serviços!
Estamos naquele velho plano inclinado, onde lá de cima diz o Orador!
Olhem para o que eu digo, mas não olhem para o que faço!

Depois lamentam-se de a população não votar, nem se rever na classe política!
Acham mesmo que esta gente merece o mínimo de credibilidade?
 
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Tem toda a razão.
MárioJTAlmeida (seguir utilizador), 1 ponto , 10:36 | Quarta feira, 31 de março de 2010
Mas pergunto duas coisas:
Onde estão agora os sindicatos?
O que raio está o Estado a fazer na Fundação de Serralves?
 
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OS FALSOS RECIBOS VERDES
sara09 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:51 | Quarta feira, 31 de março de 2010
Caro Daniel Oliveira.
Parabéns pela análise do seu texto.
A Fundação Serralves, tem um horário de funcionamento. Tem uma recepção e uma bilheteira. Tem recepcionistas que asseguram estes serviços, permamentes e imprescindíveis, alguns há mais de 5 anos.
A Fundação sabe que devieria ter celebrado contratos de trabalho com estes trabalhadores, visto usarem uma farda da instituição, estarem inseridos numa equipa, visto terem chefias, visto estarem na dependência econónmica da entidade que as contrata: critérios que permitem aferir a existência de um contrato de trabalho e não de "trabalho independente".

A Fundação sabe que estas pessoas são "falsos recibos verdes".
Em vez de regularizar a situação contratual, optou por "convidá-los" a constituirem-se como empresa, chantagem a que a Fundação de Serralves chama "apelo ao empreendedorismo".
Depois surge o envio de uma carta a informar todos que a partir de 12 de Abril, deixam de trabalhar naquela instituição.
O comportamento da Fundação,é inenarrável, alheado do cumprimento da lei, desprovido de moralidade, dignidade e respeito para as pessoas que ao longo dos anos trabalharam nesta instituição.

Inacreditável igualmente a entrevista que Cristina Passos, a advogada da Fundação, deu ontem, dia 30, á Antena 1!!!

Sara
 
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Serralves por um canudo
dadada (seguir utilizador), 1 ponto , 13:21 | Quarta feira, 31 de março de 2010
enquanto assim for não ponho lá os pés
 
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País de mercearias
anticorporativo (seguir utilizador), 1 ponto , 13:39 | Quarta feira, 31 de março de 2010
Com o devido respeito pelos muitos proprietarios destes muito úteis estabelecimentos, o artigo de hoje do Daniel tipifica bem a análise TUGA.
Superficial, evocando pequenos exemplos, mas inconsequente, porque não vai á raiz do problema.
O que há a fazer é um trabalho (facílimo) de base, para se alterar o Código do Trabalho (e do processo do T).
Fomos do 8 ao 80 ! Bem sei que existem funcionarios improdutivos , amantes do dolce far niente! Mas tb existem os qualificados e produtivos.
Só que a actual legislação laboral, orgulho do zezito e do B.Felix,decidiu colocá-los no mesmo saco e permitir o despedimento selvagem e a precariedade.
Por isso , a questão de Serralves, encerra outra bem mais grave, que é a falta de valorização do emprego.
Um legis laboral adequada, colocaria estas pessoas no quadro no imediato e evitaria o infernal percurso até ao supremo ,em caso de litigio.
Sim, Daniel !
Se esta gente quiser lutar pelos seus direitos, só o conseguirá depois do infernal percurso 1ª inst-Relação-supremo-TC-Supremo. Do lado do estado esta o MP, e do lado dos desgraçados que recebem a recibo verde, estará um advogado, que para lhe pagarem terão de passar fome.
Dez anos depois, terão o problema resolvido, e a decisão será conhecida no país para onde emigraram.

Lutar sim, mas com pés e cabeça !
 
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Não percebo...
Nuno Figueiredo (seguir utilizador), 1 ponto , 14:25 | Quarta feira, 31 de março de 2010
... sinceramente a admiração. Estamos a falar do mesmo Estado que estipula prazos para pagamentos, mas não tem prazos para devoluções. Do mesmo Estado que cria regras para o pagamento de facturas, por o facto de ser a 30, 90 ou 180 dias por si só não é relevante (apesar de ser uma obrigatoriedade legal), é preciso criar uma regra para que as pessoas cumpram a lei.
Continuo a afirmar, não percebo qual é a admiração!
 
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Contemporaneidade
Duodeno (seguir utilizador), 1 ponto , 14:49 | Quarta feira, 31 de março de 2010
Trabalhei em Serralves durante meio ano e embora tenha gostado da experiência só tenho más memórias do que por lá vi acontecer.
Bons funcionários tratados como empregados descartáveis e funcionários incapazes, com bons contratos mas autênticas baratas tontas na sua função, a serem promovidos.
Como instituição representativa da cidade do Porto, orgulhosos da quantidade de visitantes, podia ter um bocado mais de vergonha do que se passa no seu interior.

Um exemplo flagrante que tem tanto de fútil como de sintomático. Todos os anos há ou havia um jantar de Natal onde se "sorteavam" prémios. Ia desde umas canetas da fundação até telemóveis e uma viagem. Nem todos estavam conscientes que o "sorteio" era viciado. Ficamos a saber isso quando uma das raparigas que tinha uma rifa recebeu um telemóvel e enquanto se dirigia à mesa ouviu-se os dois elementos que faziam o "sorteio" dizer: "Ei o telemóvel não era para essa..."
Quando chegou à altura da viagem a vencedora saltou da cadeira segundos antes de dizerem o número assim um pouco como os maus actores guardam os telemóveis enquanto ainda dizem até logo.

Agradeço imenso ao Daniel Oliveira por soprar no assobio deste caso e alertar toda a gente do que se passa nesta e outras instituições portuguesas, deste e outros sectores.
 
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Acusação Muito Grave
JJFF (seguir utilizador), 1 ponto , 16:22 | Quarta feira, 31 de março de 2010
Daniel Oliveira vem acusar as pessoas que trabalham nas bilheteiras da Fundação Serralves de estarem a emitir recibos verdes quando são trabalhadores por conta de outrem e não trabalhadores independentes. Isto é muito grave. É um negócio simulado - Fraude Qualificada nos termos do n.º 2 do artigo 104.º do Regime Geral das Infracções Tributárias, infracção punida com pena de prisão de 1 a 5 anos.
 
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    Re: Acusação Muito Grave    Ver comentário
Colaborador (seguir utilizador), 1 ponto , 16:30 | Quarta feira, 31 de março de 2010
Quantos ladroeis!
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 20:25 | Quarta feira, 31 de março de 2010

Eu sou um funcionário público e estas tristes figuras da Fundação de Serralves, que pagam os trabalhadores através de recibos verdes, dão-me desgosto.
Servidores do Estado, que ocuparam lugares importantes no Parlamento, abaixam-se a tais vilezas. Que vergonha! E' bom que os seus nomes figurem por aqui, vindo ser expostos ao escárnio de todos.

Eu gosto de servir o público e quando alguém pergunta-me: "Tenho de dar-lhe algo?"
Esta é a minha resposta: "Você paga os impostos?" - E ele/a: "Sim, eu pago-os".
Logo eu digo: "De tal forma você faz-me o salário" - "Eu sou mais que satisfeito".

Maldito dinheiro em nome de que se faz tudo, ainda prostituir a própria dignidade!

António
 
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O justo pelo pecador.
milhazes (seguir utilizador), 1 ponto , 2:22 | Quinta feira, 1 de abril de 2010
Daniel sabe porque as Instituições optam por este sistema lamentável? Porque uma vez no quadro, vem as baixas e as faltas e mais um votante do Bloco, que não podem ser despedidos. Ou então sendo Licenciadas logo vão fazer greve a equiparar a sua licenciatura a uma outra profissão qualquer.
 
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casa onde não há pão...
polar (seguir utilizador), 1 ponto , 0:04 | Sexta feira, 2 de abril de 2010
o artigo está bem escrito e bem defendido.
bem fundamentado.
é feio para serralves (e não só).
mas, casa onde não há pão, todos ralham e NINGUÉM tem razão !
é velhinho, mas anda muito esquecido.
duas perguntas:
1. alternativa ???
2. alguém acredita nesta sustentabilidade ??
 
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