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Tiago Mota Saraiva
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8:00 Segunda feira, 25 de abril de 2011
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O FMI quer aumentar o preço das casas, o FMI diminuirá o subsídio de desemprego e as pensões, o FMI vai despedir funcionários públicos, o FMI quer diminuir o número de juntas de freguesias e câmaras municipais... Todos estes títulos já fizeram capas de jornais o que me leva a crer que, das duas uma, ou o FMI está no terreno com uma agressiva equipa de assessores de imprensa, ou faz parte da estratégia de quem criou a ilusão que há uma negociação em curso. Também digno de nota, é a bonomia mediática que permite que tudo se declare sobre as intenções do FMI, sob a litúrgica concessão que estes representam uma certa forma de penitência por termos vivido em luxuria. Trabalhadores incansáveis, estes homens do FMI, franzem o olho a tolerâncias de ponto, feriados e fins de semana. Não interessa que sejamos dos países da UE que se trabalha mais horas por menos dinheiro. Produzimos pouco e a culpa é de quem trabalha.
O mesmo governo que, há umas semanas, se ufanava com a sua execução fiscal diz-nos que já não há dinheiro para Junho. Curiosa coincidência que procura legitimar uma intervenção externa pré-eleitoral. Quando Jerónimo ou Louçã se declaram contra a entrada do FMI, há sempre uma Clara de Sousa, Fátima Campos Ferreira ou Judite de Sousa, que declaram em voz irada que não há dinheiro nem outra solução!
O medo está instalado. Se, no pós-25 de Abril, apesar das dificuldades, havia uma inabalável esperança que se projectava um futuro melhor, nos últimos anos tudo se inverteu. Com o FMI aceita-se uma quimioterapia durante a qual devemos abdicar dos nossos direitos, soberania e integridade, com pouca esperança de recuperação. Uma quimioterapia que não se propõe eliminar o tumor das políticas neoliberais que nos conduziram ao estado actual, mas aprofunda-las com o auxílio dos mesmos agentes que criaram o tumor.
Hoje, comemora-se o dia 25 de Abril de 1974. Dia em que os portugueses se libertaram de uma das mais longas ditaduras do séc. XX. Com o 25 de Abril todos os cidadãos maiores ganharam o direito ao voto e a decidir, quem e como, seriam os seus governos. Independentemente do que Cavaco, Sócrates, Passos ou Portas decidam assinar pelo país, a 5 de Junho e graças ao 25 de Abril, os cidadãos eleitores serão chamados para exercer um direito conquistado. Quem votar PS, PSD ou CDS, saberá que, mais assim ou mais assado, estará a votar em quem ajudou a criar o tumor e a legitimar uma quimioterapia que o aprofunda. Não será a altura ideal para experimentar votar diferente?
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Bruno Sena Martins
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22:11 Sexta feira, 22 de abril de 2011
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Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com a consciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma "evolução", colocando o "R" no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu. Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro. O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara - com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do "grande centro" ideológico - pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde. O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX. O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população. Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em "credores" aqueles que lucram com a dívida, em "resgate financeiro" a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em "consenso alargado" a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada. Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperança. Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!
Alexandre de Sousa Carvalho - Relações Internacionais, investigador; Alexandre Isaac - antropólogo, dirigente associativo; Alfredo Campos - sociólogo, bolseiro de investigação; Ana Fernandes Ngom - animadora sociocultural; André Avelãs - artista; André Rosado Janeco - bolseiro de doutoramento; António Cambreiro - estudante; Artur Moniz Carreiro - desempregado; Bruno Cabral - realizador; Bruno Rocha - administrativo; Bruno Sena Martins - antropólogo; Carla Silva - médica, sindicalista; Catarina F. Rocha - estudante; Catarina Fernandes - animadora sociocultural, estagiária; Catarina Guerreiro - estudante; Catarina Lobo - estudante; Celina da Piedade - música; Chullage - sociólogo, músico; Cláudia Diogo - livreira; Cláudia Fernandes - desempregada; Cristina Andrade - psicóloga; Daniel Sousa - guitarrista, professor; Duarte Nuno - analista de sistemas; Ester Cortegano - tradutora; Fernando Ramalho - músico; Francisca Bagulho - produtora cultural; Francisco Costa - linguista; Gui Castro Felga - arquitecta; Helena Romão - música, musicóloga; Joana Albuquerque - estudante; Joana Ferreira - lojista; João Labrincha - Relações Internacionais, desempregado; Joana Manuel - actriz; João Pacheco - jornalista; João Ricardo Vasconcelos - politólogo, gestor de projectos; João Rodrigues - economista; José Luís Peixoto - escritor; José Neves - historiador, professor universitário; José Reis Santos - historiador; Lídia Fernandes - desempregada; Lúcia Marques - curadora, crítica de arte; Luís Bernardo - estudante de doutoramento; Maria Veloso - técnica administrativa; Mariana Avelãs - tradutora; Mariana Canotilho - assistente universitária; Mariana Vieira - estudante de doutoramento; Marta Lança - jornalista, editora; Marta Rebelo - jurista, assistente universitária; Miguel Cardina - historiador; Miguel Simplício David - engenheiro civil; Nuno Duarte (Jel) - artista; Nuno Leal - estudante; Nuno Teles - economista; Paula Carvalho - aprendiz de costureira; Paula Gil - Relações Internacionais, estagiária; Pedro Miguel Santos - jornalista; Ricardo Araújo Pereira - humorista; Ricardo Lopes Lindim Ramos - engenheiro civil; Ricardo Noronha - historiador; Ricardo Sequeiros Coelho - bolseiro de investigação; Rita Correia - artesã; Rita Silva - animadora; Salomé Coelho - investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa; Sara Figueiredo Costa - jornalista; Sara Vidal - música; Sérgio Castro - engenheiro informático; Sérgio Pereira - militar; Tiago Augusto Baptista - médico, sindicalista; Tiago Brandão Rodrigues - bioquímico; Tiago Gillot - engenheiro agrónomo, encarregado de armazém; Tiago Ivo Cruz - programador cultural; Tiago Mota Saraiva - arquitecto; Tiago Ribeiro - sociólogo; Úrsula Martins - estudante
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Vasco M. Barreto
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16:57 Domingo, 17 de abril de 2011
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É consensual que o homem que pedia um tiro na cabeça acabou por fazer o serviço sozinho, embora apontando a pistola para o seu próprio pé. Não há em Portugal quem apoie a decisão de Fernando Nobre, o que há é gente indignada
(os que votaram nele), gente divertida
(os que sempre desconfiam dos candidatos anti-sistema) e gente a tentar limitar os estragos que a decisão de contratar Fernando Nobre pode causar ao PSD
.
Nobre não se livrará da imagem do deslumbrado pelo poder e do mentiroso que há umas semanas "categoricamente" afirmava a sua recusa em aceitar o convite de um partido depois das eleições presidenciais. A indefinição das suas ideias políticas, que antes ainda poderia passar por capacidade para pensar fora da divisão clássica entre esquerda e direita, é agora apenas um sinal de oportunismo. E a sua falta de preparação técnica para a política, antes uma garantia de um percurso feito fora dos partidos, passou agora a prova de incompetência. Mas importa menos o futuro de Fernando Nobre do que o futuro da ideia do candidato da sociedade civil, que Alegre e Nobre se esforçaram por destruir.
Ao contrário do que escreve Pedro Lomba
, há uma diferença essencial entre as candidaturas presidenciais de Alegre e de Nobre. Alegre apropriou-se da imagem do candidato anti-sistema depois de o sistema lhe fechar as portas, enquanto Nobre tinha currículo para se assumir como um verdadeiro candidato da sociedade civil. Se formos capazes de pensar o caso Nobre além da actual campanha para as eleições legislativas, é evidente que as grandes semelhanças entre Alegre e Nobre são o excelente resultado que ambos obtiveram nas eleições presidenciais e a traição que o tropismo partidário subsequente representou para quem os elegeu. O que dá esperança a um adepto da ideia do candidato da sociedade civil é que, se houve Nobre, apesar de Alegre, haverá no futuro mais alguém, apesar de Nobre.
Os críticos desta ideia dizem que se trata de uma utopia perigosa, capaz de dar um livre-trânsito a populistas. Não sendo uma crítica disparatada, teria mais força se não houvesse populistas e populismo dentro dos partidos. Há também a sensação de que o candidato não pode ganhar sem os partidos e que por isso se trata de um projecto intrinsecamente contraditório. O exemplo típico do projecto intrinsecamente contraditório é a banda anti-mainsrtream que ganha fama e fortuna e continua depois a escrever letras autobiográficas sobre a exclusão social. Ora, se repararmos, a raiz da contradição é o sucesso da banda e no caso do candidato anti-sistema a contradição surge mais facilmente com o insucesso. Basta lembrar que geralmente é preciso ganhar eleições para começar a não cumprir as promessas e que, nesse sentido, Nobre representava uma promessa especial, que mais depressa se atraiçoa sem ter poder do que depois de o conquistar.
Para o candidato anti-sistema, a desgraça vem quando ele não ganha e tem um resultado bom que desperte a cobiça dos partidos; é a morte na praia, mas que não vai além de uma desgraça pessoal. Com o país de rastos, continua a haver razões para pensar que daqui a uns anos Durão Barroso e António Guterres não estarão nas melhores condições para chegar à Presidência da República e que um candidato da sociedade civil, com prestígio e mais preparado dos que os anteriores, poderá ganhar e deixar o compromisso com o eleitorado protegido da ambição dos partidos.
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Adolfo Mesquita Nunes (www.expresso.pt)
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7:10 Quinta feira, 14 de abril de 2011
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1. O nível de exigência da opinião publicada e da classe jornalística costuma ser, em qualquer país democrático, mais exigente com o Governo do que com a oposição. Por cá, sabe-se lá porquê - talvez por medo? - exige-se da oposição tudo o que se não exige do Governo.
2. Num momento em que Portugal sofre a necessária humilhação da condição de país resgatado, e em que há que começar a prestar contas a quem nos vai ajudar, PS e PSD gastam meios e gastam tempo e gastam a nossa paciência em enredos de novela das 5 da tarde.
3. Governo e instituições europeias pretendem negociar um pacote de ajuda externa como se o Governo não estivesse constitucionalmente limitado e como se os eleitores não estivessem prestes a ser chamados a votar. E quem diz que o pacote é inegociável é porque já deu de barato que, por exemplo, as grandes obras públicas são para se fazer, o que não é o meu caso.
4. O Governo diz que vamos deixar de ter dinheiro em Maio. Tendo em conta que o PEC IV não era um cheque em branco a descontar até Maio, ficamos a saber que, para o Governo, o salvífico PEC IV não ia, afinal de contas, salvar-nos da ajuda externa.
5. Fernando Nobre não quer ser deputado. Quer apenas ser Presidente da Assembleia da República.
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Alexandre Homem Cristo (www.expresso.pt)
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7:45 Terça feira, 12 de abril de 2011
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Todas as Repúblicas têm uma Constituição, mas certas Repúblicas têm duas: a primeira (pública e escrita) para garantir a legitimidade institucional, a segunda (oculta e não-escrita) para conduzir a verdadeira acção política do Governo. Passados 6 anos de governação de José Sócrates, alguns artigos da Constituição não-escrita do PS tornaram-se suficientemente claros para que os pudéssemos compilar.
I. O PS é o guardião do regime. Sem o PS, o regime cairia. Defender o PS é, portanto, defender o regime.
II. Não se pode confiar a Administração Pública aos inimigos do regime. Portugal é de todos, mas o Estado é dos socialistas -- entende-se por socialistas os militantes do Partido Socialista.
III. O interesse geral é definido a partir do interesse particular da liderança do PS, porque são uma e a mesma coisa.
IV. A unanimidade faz a força. A crítica interna à liderança do PS apenas favorece os inimigos do regime.
V. São inimigos da Pátria todos os que são inimigos do PS. Porque ao PS compete "Defender Portugal", só o PS tem legitimidade para identificar os inimigos do regime.
VI. A legitimidade vale mais do que a legalidade.
VII. O PS e o Governo reservam-se o direito de desrespeitar o normal funcionamento das instituições políticas quando o seu respeito é prejudicial para os interesses do PS (e, portanto, do país).
VIII. Em tempos de crise, o PS não pode ser responsabilizado pelos males da Pátria, originados por uma Oposição desleal. Quanto mais tempo o PS governar, maior a responsabilidade da Oposição nos destinos do país.
IX. O PS nunca se contradiz, apenas se adapta à nunca previsível realidade. O mundo muda, e o PS muda com ele.
X. A única sociedade livre é a que depende do Estado, e portanto do PS. Os privados são inimigos do desenvolvimento social e agentes da Oposição.
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Tiago Mota Saraiva
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8:35 Segunda feira, 11 de abril de 2011
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As entidades que vivem à custa da dívida pública portuguesa não tinham outra opção que não forçarem o governo a chamar o FMI. Só assim vêm garantido os seus pagamentos.
Em primeiro lugar, é preciso perceber que dívida pública é esta. O discurso corrente fala em má gestão, más políticas, maus políticos, ainda que não se preveja um sobressalto eleitoral que reconfigure o sistema político. A direita, na qual o PS se inclui, tende a imputar todas as culpas a um Estado enorme e despesista que, afirma, importa reformar. Ora este argumento, em parte, é verdadeiro. É difícil de crer que, tal como o Estado se encontra, seja possível mantermos a nossa soberania por muito mais tempo, mas a situação não se resolverá com cortes na Saúde, Educação, salários ou cegos aumento de impostos.
Ao contrário do que PS, PSD e CDS pretendem fazer crer é fundamental analisar o que é hoje a nossa dívida pública.
Analisemos o exemplo concreto da nacionalização do BPN aprovada exclusivamente por estes três partidos. Os cinco mil milhões de euros que a CGD já teve de colocar no BPN, corresponde a 6,25% do valor que iremos pedir emprestados ao FEEF/FMI. Ou seja, pelo menos 6,25% do total do pedido de empréstimo, é dívida privada com que PS, PSD e CDS, decidiram engordar o Estado.
Decompor a dívida pública permitir-nos-á perceber qual o valor de juros que a banca, nacional e internacional, está a encaixar decorrente das necessidades dos apoios à iniciativa privada decorrentes da crise de 2008 (dos quais parte importante ficaram com a banca) ou das mais valias que se constituíram a partir da especulação financeira a que a nossa dívida esteve sujeita (importa não esquecer que os bancos portugueses iam buscar dinheiro a taxas de juro baixas ao BCE, que tem verbas de todos os Estados da UE incluindo o nosso, comprando dívida portuguesa a elevadas taxas de juro). Isto não é dívida pública é especulação financeira sobre um país soberano.
Por último também importa perceber em que medida estão a ser absolutamente ruinosas para o país as Parcerias Públicas e Privadas, responsabilizando directamente quem as determinou. Isto não é dívida pública é gestão ruinosa e, por isso, um caso de polícia.
PS, PSD e CDS, durante os próximos dois meses, não se cansarão de repetir que não devemos olhar para o passado e que o FMI é a única solução para um futuro risonho. Paulo Portas
e Cavaco Silva
até vão mais longe afirmando que tornar perceptível o que motiva a dívida pública é uma "querela" que não deve ser discutida.
Contudo, conforme é demonstrado neste livro
que estuda várias "ajudas" em diferentes países, o FMI procura assegurar três coisas: 1. O cumprimento do pagamento da dívida pública a privados; 2. A diminuição dos custos afectos à produção, designadamente salários, saúde, educação/formação e prestações sociais; 3. A abertura de portas a capitais estrangeiros para que possam adquirir a baixo custo, importantes participações em empresas essenciais de Estados soberanos. Ou seja, nem um cêntimo do FMI irá para o bolso de 99% da população portuguesa.
Uma das questões essenciais para que Portugal consiga sobreviver a médio prazo enquanto Estado soberano, conforme os exemplos da Islândia (positivo), Irlanda e Grécia (negativos) bem o demonstram, é retirando da dívida pública a dívida privada, através da imputação directa da dívida a cada um dos seus responsáveis. Mas esse será o caminho que PS, PSD e CDS, nunca quererão fazer e que tentam ocultar.
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Tiago Mota Saraiva
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8:30 Segunda feira, 11 de abril de 2011
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As entidades que vivem à custa da dívida pública portuguesa não tinham outra opção que não forçarem o governo a chamar o FMI. Só assim vêm garantido os seus pagamentos.
Em primeiro lugar, é preciso perceber que dívida pública é esta. O discurso corrente fala em má gestão, más políticas, maus políticos, ainda que não se preveja um sobressalto eleitoral que reconfigure o sistema político. A direita, na qual o PS se inclui, tende a imputar todas as culpas a um Estado enorme e despesista que, afirma, importa reformar. Ora este argumento, em parte, é verdadeiro. É difícil de crer que, tal como o Estado se encontra, seja possível mantermos a nossa soberania por muito mais tempo, mas a situação não se resolverá com cortes na Saúde, Educação, salários ou cegos aumento de impostos.
Ao contrário do que PS, PSD e CDS pretendem fazer crer é fundamental analisar o que é hoje a nossa dívida pública.
Analisemos o exemplo concreto da nacionalização do BPN aprovada exclusivamente por estes três partidos. Os cinco mil milhões de euros que a CGD já teve de colocar no BPN, corresponde a 6,25% do valor que iremos pedir emprestados ao FEEF/FMI. Ou seja, pelo menos 6,25% do total do pedido de empréstimo, é dívida privada com que PS, PSD e CDS, decidiram engordar o Estado.
Decompor a dívida pública permitir-nos-á perceber qual o valor de juros que a banca, nacional e internacional, está a encaixar decorrente das necessidades dos apoios à iniciativa privada decorrentes da crise de 2008 (dos quais parte importante ficaram com a banca) ou das mais valias que se constituíram a partir da especulação financeira a que a nossa dívida esteve sujeita (importa não esquecer que os bancos portugueses iam buscar dinheiro a taxas de juro baixas ao BCE, que tem verbas de todos os Estados da UE incluindo o nosso, comprando dívida portuguesa a elevadas taxas de juro). Isto não é dívida pública é especulação financeira sobre um país soberano.
Por último também importa perceber em que medida estão a ser absolutamente ruinosas para o país as Parcerias Públicas e Privadas, responsabilizando directamente quem as determinou. Isto não é dívida pública é gestão ruinosa e, por isso, um caso de polícia.
PS, PSD e CDS, durante os próximos dois meses, não se cansarão de repetir que não devemos olhar para o passado e que o FMI é a única solução para um futuro risonho. Paulo Portas
e Cavaco Silva
até vão mais longe afirmando que tornar perceptível o que motiva a dívida pública é uma "querela" que não importa discutir.
Contudo, conforme é demonstrado neste livro
que estuda várias "ajudas" em diferentes países, o FMI procura assegurar três coisas: 1. O cumprimento do pagamento da dívida pública a privados; 2. A diminuição dos custos afectos à produção, designadamente salários, saúde, educação/formação e prestações sociais; 3. A abertura de portas a capitais estrangeiros para que possam adquirir a baixo custo, importantes participações em empresas essenciais de Estados soberanos. Ou seja, nem um cêntimo do FMI, irá para o bolso de 99% da população portuguesa.
Uma das questões essenciais para que Portugal consiga sobreviver a médio prazo enquanto Estado soberano, conforme os exemplos da Islândia (positivo), Irlanda e Grécia (negativos) bem o demonstram, é retirando da dívida pública a dívida privada, através da imputação directa da dívida a cada um dos seus responsáveis. Mas esse será o caminho que PS, PSD e CDS, nunca quererão fazer.
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Vasco M. Barreto
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12:44 Domingo, 10 de abril de 2011
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Os signatários do texto Um Compromisso Nacional
, que o Expresso publicou em exclusivo, formam um grupo ecléctico de portugueses notáveis: antigos Presidentes da República, ex-ministros, reitores das principais universidades, Prémios Pessoa, os dois arquitectos galardoados com o Pritzker, empresários e artistas, entre outros. A amplitude etária abarca 2 ou até 3 gerações (os 2 elementos mais novos, com 54 anos, podiam em teoria ser netos do mais velho, Manoel de Oliveira, que tem 102 anos), mas a média etária é cerca de 70 anos. Esta geração não assumia tamanho protagonismo desde 1991, quando o Prof. Manuel Sérgio arregaçou as mãos e deu ao Partido da Solidariedade Nacional quase 100 000 votos. Os nossos senadores ficaram-se pelo magistério de influência, mais adequado ao seu estatuto, oferecendo ao país um texto em que pedem um compromisso aos políticos em actividade. Talvez tenhamos aqui testemunhado uma concentração de prestígio acima da massa crítica a partir da qual é impossível impedir a reacção em cadeia que leva à perda de bom senso. Porque o resultado final é pífio e o prestígio do grupo fica aquém da soma do prestígio dos seus elementos.
Entre amigos, ou seja, entre pessoas da geração anterior, o texto foi recebido com grande irritação. Na geração ainda mais nova, admitindo que alguém terá lido o texto, a impressão só terá sido diferente para pior. Se a ideia era apaziguar a crescente tensão social, (don't) try again.
Há um problema de legitimidade: alguns dos signatários, que não aproveitaram outros momentos de crise para fazer as míticas "reformas estruturais", vêm agora exigir de outros um compromisso que eles não cumpriram. Directa ou indirectamente, alguns são também responsáveis pelo estado em que o país se encontra.
Há o problema da desconfiança generalizada. Afinal, estamos diante de um gesto voluntarioso (sempre são 6 parágrafos) de gente desinteressada e que só pensa no bem do seu país ou de um simples ritual de manutenção do estatuto adquirido?
Há também um problema de conteúdo. Na alínea b), a única parte do texto com alguma substância política, pede-se uma "maioria inequívoca". Ora, uma "maioria inequívoca" deve ser "maioria absoluta" em langue de bois, um modo mais neutro de fazer passar uma ideia cujos contornos não ficam absolutamente definidos mas neste caso o suficiente para irritar. Porque, como se não bastasse estarmos perante as eleições em que o cidadão mais sente o futuro condicionado por Bruxelas, é como se os anciãos viessem roubar-lhe ainda mais a pouca autonomia que o voto ainda lhe dá.
Há ainda um problema de tom. A alínea a), em que se pede "capacidade de execução de um plano de acção imediato" é o que temos ouvido de toda a gente, há semanas. Originalidade e oportunidade: zero. Quanto ao resto, exigir "um nível de informação objectiva sobre a realidade" durante as eleições quando é sabido que nem antes das eleições houve informação objectiva ilustra bem o desfasamento com a realidade. Ouvir o discurso já ao ataque de Sócrates e ler imediatamente a seguir o texto dos senadores faz com que o tom grave da prosa ganhe uma candura infantil.
Há, por fim, um problema de imagem. Dos 47 signatários, só 5 são mulheres; destas, 2 representam os maridos falecidos (Mota Pinto e Ernâni Lopes). Ou seja, o grupo que nos escreve sobre os desafios que a sociedade enfrenta é quase talibânico no desequilíbrio de género. Não é uma surpresa. Um conselho de anciãos que reúna espontaneamente e não esteja condicionado por leis de paridade é uma fotografia da sociedade de há 30 ou 40 anos. Por isso, sem ter grandes ilusões quanto ao contributo que os ilustres da minha geração vão dar quando se reunirem daqui a 30 ou 40 anos para repensar o país, algo terá melhorado substancialmente - embora talvez não o défice - se nesse grupo houver mais mulheres.
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Bruno Sena Martins
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23:47 Sábado, 9 de abril de 2011
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Como resposta às negociações entre o BE e o PCP, Manuel Alegre usou o palanque do congresso do PS para, qual oráculo, lembrar sonante:
"Não há soluções de esquerda sem o PS"
Para mim este singelo aviso sintetiza bem o erro que alguma esqueda cometeu ao apoiar Alegre nas presidenciais. Manuel Alegre serve a dois senhores: está comprometido com os valores de esquerda e está comprometido com o PS (uma relação de amor incondicional, está bom de ver). Esse compromisso dúplice tem obrigado Alegre a anos e anos de contorcionismos tão maçadores como previsíveis: ora faz aproximações estratégicas à esquerda contestatária, ora volta com a consciência pesada à casa mãe do PS (por muito que esta se afaste do que outrora jurou ser). A mim não me levou. Manuel Alegre será sempre o filho pródigo do PS e o maior capital que representa é, no fundo, servir àquele partido como o símbolo de esquerda pronto-a-servir.
A esquerda que vai a eleições nas legislativas deve ter a inteligência de deixar Alegre entregue aos jogos narcísicos das suas dores de alma, à instrumentalização a que se sucessivamente se permite, e forjar um alternativa de governo que se imagine poder (e porque não uma coligação pré-eleitoral entre BE e PCP?).
Se Alegre não imagina soluções de esquerda sem o PS, cabe à esquerda mostrar que pode sobreviver sem os movimentos pendulares tão bem interpretados por Manuel Alegre, o prodigioso filho do Partido Socialista. Não deve ser assim tão difícil.
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Adolfo Mesquita Nunes (www.expresso.pt)
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11:05 Sexta feira, 8 de abril de 2011
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O Domingos Soares Farinho apresenta 5 notas sobre a comunicação do Primeiro-Ministro relativa ao pedido de ajuda externa para comparação com o meu post de ontem
. 5 notas factuais, efectivamente para uma boa discussão, e não para jogos florais de retórica, como não poderia deixar de ser vindas dele. Vamos a isso.
1. O Domingos diz que ultrapassar os 7% nas taxas de juro (valor de referência para um pedido de ajuda externa inicialmente previsto pelo Ministro das Finanças) mas conseguir evitar a ajuda externa pareceu ser um bom plano até à rejeição do PEC IV. Eu não sei se o plano era bom, embora desde sempre me parecesse de difícil execução. O que sei é que, bom ou não, o plano não conseguiu ser executado pelo Governo. A sucessão de PEC, sempre viabilizados, e de Orçamentos, sempre viabilizados, demonstra isso mesmo.
2. O Domingos parece achar que a sucessão de PEC foi determinada pela mudança da realidade. Não é essa a minha opinião. A realidade, a dramática realidade, esteve sempre à espreita e o Governo sempre se recusou a olhá-la de frente e a actuar em conformidade. A ideia de que a realidade mudou antes ou durante cada PEC pode ajudar a enquadrar o desnorte do Governo, mas teremos de convir pela maior plausibilidade da incapacidade do Governo em lidar com a dita.
3. Concordo com o Domingos, e talvez me tenha expressado de forma deficiente no meu post inicial, que a crise política diminuiu a capacidade do Governo reagir à crise. Mas não foi a crise política que lhe retirou essa capacidade. O governo há muito tinha demonstrado incapacidade de fazer face aos desafios.
4. O investimento público, como se viu, e para isso é irrelevante que outros socialistas Europa fora o tenham tentado ou aconselhado, foi um mau plano, antes e durante a crise. E esse investimento público, que o Governo socialista sempre assumiu como motor essencial da economia (e é natural que assim seja, já que o Governo é socialista), trouxe grande parte do endividamento. O endividamento, nas mãos do Governo socialista, não pode ser explicado apenas à luz dos últimos dois anos. Nem o endividamento privado pode ser inteiramente desligado do investimento público, já que nele se integra todo o endividamento relativo à resposta ao investimento público ou a investimentos decididos politicamente pelo Governo. Assim como não pode ser desligado de políticas públicas, que o incentivaram ou a ele conduziram.
5. Não sei se o Domingos leu a resolução apresentada pelo CDS. Se a ler, vai encontrar um conjunto de propostas (suspensão das grandes obras públicas, renegociação das parcerias público-privadas, reestruturação das empresas públicas, extinção dos Governos Civis, criação de um programa de rescisões amigáveis na função pública etc...), cuja importância ou relevância pode claro ser discutida mas cuja existência não pode ser negada.
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