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| António Câmara: «Vivemos num país fantástico mas falta-nos vibração e alma» |
| Tiago Miranda |
Milhares de pessoas a jogar computador numa praça, jardins musicais onde os visitantes são convidados a compor, centros comunitários abertos à imaginação de qualquer cidadão. Estes são alguns dos projectos que hão-de ajudar transformar as cidades do futuro em "sítios fantásticos". Palavras do fundador da Ydreams
, que numa conferência na Culturgest revelou as suas visões sobre o futuro dos espaços públicos.
À excepção da praça de Lyon, França, transformada em mega-salão de videojogos durante a última edição do Festival das Luzes, em Maio do ano passado (veja aqui o vídeo
), que em breve há-de chegar a Portugal pela mão da empresa liderada por António Câmara, os restantes estão a ser desenvolvidos em parceria com diversas autarquias portuguesas.
No Jardim da Música em Odivelas, por exemplo, a Ydreams sugere que os visitantes sejam convidados a compor uma banda sonora, enquanto que no Barreiro a ideia é conceber um centro comunitário em que a biblioteca seja apenas um dos elementos de um espaço onde o conhecimento, aliado à imaginação, faça brotar novas ideias numa reedição da oficina clássica. Um mundo pensado à imagem dos Fab-Labs
do prestigiado MIT-Instituto Tecnológico de Massachusetts, onde qualquer pessoa pode construir um protótipo a partir de uma plataforma digital.
Mas estes são apenas dois de série de projectos que a tecnológica portuguesa desenvolve, por estes dias, com dezenas de autarquias e instituições de todo o país. Do Oceanário de Lisboa a um centro de interpretação em Castelo Branco. Do Centro de Ciência Viva em Bragança ao Fluviário de Mora.
Vibração e alma procuram-se
Discursando perante um anfiteatro sobrelotado, António Câmara defendeu que são projectos como estes que fazem vibrar os espaços públicos.
"Vivemos num país fantástico mas falta-nos vibração e alma", afirmou o professor da Universidade Nova, acrescentando: "Precisamos de algo que chame as pessoas, uma causa em que acreditem e que as faça sair de casa".
Citando um estudo recente sobre a emigração portuguesa, António Câmara disse que se nos anos 1950 quem ia trabalhar para o estrangeiro optava por um país, actualmente os jovens escolhem cidades. E para o presidente executivo da Ydreams, vencedor do Prémio Pessoa em 2006, são "as cidades na fronteira que atraem mais as pessoas".
As visões de António Câmara sobre o futuro seguem na próxima quarta-feira, às 18h30, no pequeno auditório da Culturgest, em Lisboa. Tema: Inteligência colectiva. Sabia que um grupo de indivíduos perante um dado problema consegue tomar decisões mais acertadas do que os melhores especialistas individualmente? Exemplos não faltam, garante o Prémio Pessoa.
TRÊS PERGUNTAS A ANTÓNIO CÂMARA