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| António Câmara: Em relação ao futuro todos os temores são legítimos |
| António Pedro Ferreira |
"Temos de construir um mundo equilibrado sem Big Brother mas onde haja tempo para sermos algo mais do que os seres superficiais que a sociedade hoje produz." Foi com esta reflexão sobre o presente que António Câmara encerrou o ciclo de conferências "Visões sobre o futuro" promovidas pela Culturgest durante o mês de Março a que assistiram 948 pessoas. Desta feita, o director-executivo da YDreams e professor catedrático da Universidade Nova falou sobre "A Comunicação em 2050".
Comparando os receios de George Orwell e Aldous Huxley, lembrou que "o autor de 'Mil Novecentos e Oitenta e Quatro' tinha medo do Big Brother e que nos transformássemos em algo possuído por uma autoridade superior" enquanto que "o autor de 'Admirável Mundo Novo' tinha medo que nos tornássemos vítimas de uma cultura da banalidade e da superficialidade".
Definindo-se "optimista por natureza", para o professor da Universidade Nova este apetite infinito pela distracção e pela superficialidade poderá ter efeitos nefastos.
"Esse é um dos riscos que corremos num mundo em que os 140 caracteres são a mensagem e que vivemos constantemente interrompidos", afirmou Câmara, acrescentando: "É um mundo em que não há o tempo suficiente para reflectir ou sequer para imaginar e portanto é um mundo necessariamente superficial. É por isso que em relação ao futuro todos os temores são legítimos. E todo o desenvolvimento tecnológico deve ter em conta que, no fundo, nem Huxley nem Orwell podem estar certos". Mas que desenvolvimentos podemos esperar?
A revolta dos robôs
Nos domínios da comunicação humana, mais especificamente do texto, o futuro deverá banalizar o recurso a sistemas de tradução instantânea. No entanto, quer o Babel Phish
da Yahoo ou o Translate
da Google que já permitem efectuar traduções entre dezenas de idiomas, ainda têm um longo caminho pela frente na melhoria da qualidade das traduções, tal como demonstrou o fundador da YDreams num breve exercício.
No domínio do texto, podemos ainda esperar o surgimento de formas cada vez mais inovadoras de contar histórias. Um exemplo: A personagem fictícia "iamcherrygirl
" que está a contar a sua história através do sistema de microbloging, Twitter.
Passando para a imagem em movimento, António Câmara acredita que no futuro os espectadores vão poder entrar no filme que estão a ver e interagir com as personagens. "Este ano conseguimos, finalmente, começar a desenvolver o software que vai torná-lo possível", afirmou o fundador da YDreams. Mas as novidades em matéria de comunicação não ficam por aqui.
No domínio da robótica, por exemplo, alguns cientistas acreditam que eles poderão ser mais inteligentes do os seres humanos e até capazes de antecipar a nossas intenções. Actualmente, já existem robôs capazes de tocar trompete, correr e subir escadas, ou até manter diálogos elementares com seres humanos. No Japão, a Mitsubishi já está a comercializar um modelo que dá as boas-vindas e orienta quem chega aos hospitais.
Já na recta final, António Câmara abordou a comunicação com inteligência extra-terrestre lembrando o esforço de alguns cientistas, desde meados dos anos 50, "para sintetizar mensagens que identificam como possíveis elos de contacto" com seres de outros mundos.
TRÊS PERGUNTAS A ANTÓNIO CÂMARA