17/05/2012 atualizado às 0:31
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António Câmara: A sociedade estimula a banalidade

O caminho para a imaginação é estreito e serpenteia entre a banalidade e a ameaça permanente do Big Brother. O alerta partiu de António Câmara, professor da Universidade Nova, no encerramento das suas conferências "Visões sobre o futuro". (Ver vídeo no final do artigo)

Carlos Abreu (www.expresso.pt)
17:15 Quinta feira, 1 de abril de 2010
António Câmara: Em relação ao futuro todos os temores são legítimos
António Câmara: Em relação ao futuro todos os temores são legítimos
António Pedro Ferreira

"Temos de construir um mundo equilibrado sem Big Brother mas onde haja tempo para sermos algo mais do que os seres superficiais que a sociedade hoje produz." Foi com esta reflexão sobre o presente que António Câmara encerrou o ciclo de conferências "Visões sobre o futuro" promovidas pela Culturgest durante o mês de Março a que assistiram 948 pessoas. Desta feita, o director-executivo da YDreams e professor catedrático da Universidade Nova falou sobre "A Comunicação em 2050".

Comparando os receios de George Orwell e Aldous Huxley, lembrou que "o autor de 'Mil Novecentos e Oitenta e Quatro' tinha medo do Big Brother e que nos transformássemos em algo possuído por uma autoridade superior" enquanto que "o autor de 'Admirável Mundo Novo' tinha medo que nos tornássemos vítimas de uma cultura da banalidade e da superficialidade".

Definindo-se "optimista por natureza", para o professor da Universidade Nova este apetite infinito pela distracção e pela superficialidade poderá ter efeitos nefastos.

"Esse é um dos riscos que corremos num mundo em que os 140 caracteres são a mensagem e que vivemos constantemente interrompidos", afirmou Câmara, acrescentando: "É um mundo em que não há o tempo suficiente para reflectir ou sequer para imaginar e portanto é um mundo necessariamente superficial. É por isso que em relação ao futuro todos os temores são legítimos. E todo o desenvolvimento tecnológico deve ter em conta que, no fundo, nem Huxley nem Orwell podem estar certos". Mas que desenvolvimentos podemos esperar?

A revolta dos robôs


Nos domínios da comunicação humana, mais especificamente do texto, o futuro deverá banalizar o recurso a sistemas de tradução instantânea. No entanto, quer o Babel Phish da Yahoo ou o Translate da Google que já permitem efectuar traduções entre dezenas de idiomas, ainda têm um longo caminho pela frente na melhoria da qualidade das traduções, tal como demonstrou o fundador da YDreams num breve exercício.

No domínio do texto, podemos ainda esperar o surgimento de formas cada vez mais inovadoras de contar histórias. Um exemplo: A personagem fictícia "iamcherrygirl " que está a contar a sua história através do sistema de microbloging, Twitter.

Passando para a imagem em movimento, António Câmara acredita que no futuro os espectadores vão poder entrar no filme que estão a ver e interagir com as personagens. "Este ano conseguimos, finalmente, começar a desenvolver o software que vai torná-lo possível", afirmou o fundador da YDreams. Mas as novidades em matéria de comunicação não ficam por aqui.

No domínio da robótica, por exemplo, alguns cientistas acreditam que eles poderão ser mais inteligentes do os seres humanos e até capazes de antecipar a nossas intenções. Actualmente, já existem robôs capazes de tocar trompete, correr e subir escadas, ou até manter diálogos elementares com seres humanos. No Japão, a Mitsubishi já está a comercializar um modelo que dá as boas-vindas e orienta quem chega aos hospitais.

Já na recta final, António Câmara abordou a comunicação com inteligência extra-terrestre lembrando o esforço de alguns cientistas, desde meados dos anos 50, "para sintetizar mensagens que identificam como possíveis elos de contacto" com seres de outros mundos.



TRÊS PERGUNTAS A ANTÓNIO CÂMARA
Palavras-chave  Ciência
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O TEMPO MUDOU
Anamanacosta (seguir utilizador), 1 ponto , 17:53 | Quinta feira, 1 de abril de 2010
Uma hora costumava ter sessenta minutos. Havia tempo para sentir esses sessenta minutos. As coisas que se faziam levavam o seu tempo, que era o nosso, uns realizando mais, outros, com menores capacidades, realizando menos. Éramos diferentes porque no mesmo tempo realizávamos coisas diferentes. Não pretendíamos todos ser bons e igualmente capazes. A diferença existia porque havia uma reflexão sobre a realidade e se constatava essa diversidade. Não se ficava envergonhado por pedir a outro uma opinião. Ele era melhor e o que se pretendia era melhorar o nosso trabalho.
Hoje o tempo mudou. Uma hora tem 60n minutos, e quem fixa o valor do n não somos nós. Não se aprende com a experiência. Cada actividade parece ser feita pela primeira vez. Repetimos os mesmos erros e somo todos bons. Não há tempo para reflectir, quer em auto-reflexão quer com os outros. Há uma competição desenfreada na mediocridade. Somos todos bons porque não reconhecemos o erro. Não há tempo.
O tempo presente mata o tempo passado e esvazia o tempo futuro.
 
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De boas intenções está o mundo cheio... Será?...
afonso aguiar (seguir utilizador), 1 ponto , 18:59 | Quinta feira, 1 de abril de 2010
A acefalia"inteligente",a inconsistência das filosofias tolas do niilismo anárquico,o anarco-liberalismo selvagem acrescido da" outra face da moeda" a luta de classes anacrónica e oportunista,que tudo corroi, dos sub-marxismos defensores do igualitarismo social,de "género",do relativismo de que"está tudo bem e justificado"e do desgaste destrutivo do Capitalismo sem ter um sistema alternativo não utópico,que melhorasse as condições de vida humanas por comparação com o modus vivendi tradicional,determinou de forma evidente que que esse progressismo inviável fizesse com que o sistema capitalista apoiasse e desenvolvesse as altas tecnologias.

As tecnologias,graças sobretudo à Cibernética,avançaram esmagadoramente e estão a substituir o ser humano nas suas tarefas naturais,de tal modo que ao ser humano resta-lhe divertir-se de modo criativo,neurótico e asséptico a alimentar a sua "auto-estima" ao sabor das potencialidades cada vez mais crescentes da informática e da robotização que tornam tudo fácil e barato.
`
É curioso de como o escritor George Orswell,vivendo num ambiente quase rural,previu isso há 60 anos no seu livro"1984" ao assistir aos ideais e às dinâmicas revolucionárias de então que continuaram eclodir até hoje.

As TIC aí estão em crescendo a tornar o homem cada vez mais num"entertainer"auto-convencido a viver segundo a dinâmica dessas Novas Tecnologias.

Não vão faltar controles electrónicos e vídeo-vigilâncias,isto é,Big Brothers para a"felicidade"de todos.
 
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Ab alienatióne
Rio Grande (seguir utilizador), 1 ponto , 23:59 | Quinta feira, 1 de abril de 2010
Tem razão o articulista. Vivemos tempos de alienação, de cérebro vazio ou muito pouco utilzado, fato alimentado pela modernidade, com muito aplauso. É o aqui e agora pseudo inteligente, culturamente necessário e ativador das massas ociosas e apenas interessadas em programas leves, sem grandes incursões intelectuais. Massificação. Controle. Liberdade que, a cada era, é menor sem que se perceba a redução...
 
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A sociedade estimula a banalidade
agridoce lisboa (seguir utilizador), 1 ponto , 10:22 | Quinta feira, 8 de abril de 2010
... e a imprensa portuguesa faz o mesmo!
 
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