O chefe da Igreja Católica Romana, Bento XVI, chega hoje ao princípio da tarde a Luanda para uma visita de três dias, já definida como uma "oportunidade" que não deixará ninguém indiferente.
Os católicos angolanos, que segundo as estatísticas representam 55,6% da população, estão "entusiasmados" com a presença do seu chefe religioso, que também "honra" toda a classe política, de acordo com declarações de dirigentes dos três partidos históricos do país - MPLA, no poder, UNITA, maior força da oposição, e FNLA.
A visita do Papa é considerada pelas autoridades angolanas uma oportunidade para mostrar a fase de "reconstrução" que o país actualmente vive, ao contrário do que aconteceu na deslocação de João Paulo II, em 1992, o ano em que recomeçou a guerra civil angolana e durou mais dez anos.
Num plano secundário e já no anonimato estarão todos aqueles que prepararam o país para receber condignamente o Papa, não se incluindo aqui as múltiplas comissões organizativas da visita mas toda a mão-de-obra utilizada para tornar Luanda uma capital mais acolhedora e garantir as infra-estruturas necessárias para as iniciativas programadas.
Durante a estada em Luanda, Bento XVI preside à celebração de três serviços religiosos, além de uma missa privada, na segunda-feira, celebrada na capela da Nunciatura Apostólica na capital angolana.
Hoje, logo após a chegada, o Papa fará a sua primeira intervenção ainda no aeroporto, seguindo depois para uma visita de cortesia ao Presidente
de Angola, José Eduardo dos Santos, no palácio presidencial, onde também manterá um encontro com autoridades políticas e civis e o corpo diplomático.
Bento XVI, que chega a Luanda proveniente de Yaoundé (Camarões), o outro país incluído nesta primeira deslocação a África do seu pontificado, fará várias intervenções ao longo da visita, sendo aguardados com especial interesse os discursos que proferirá perante as autoridades políticas e os jovens e as homílias das missas de sábado e domingo, esperando-se nesta última cerca de meio milhão de fiéis.
O documento de preparação do II Sínodo dos bispos para África, já divulgado pelo Vaticano durante a estada do Papa nos Camarões, servirá também em Angola de conforto para os mais desfavorecidos, ao acusar as multinacionais de "invadirem" gradualmente o continente africano para se apropriarem dos recursos naturais, com a cumplicidade dos dirigentes locais.
A chegada de Bento XVI é antecedida de afirmações controversas, no início da deslocação aos Camarões, sobre a distribuição de preservativos como forma de combater a propagação da sida em África, que traduzem o pensamento oficial do Vaticano mas geraram declarações de protesto nos quatros do mundo, incluindo da diplomacia francesa.