17/05/2012 atualizado às 0:25
Festival de Cinema de Berlim

Angelina Jolie foi à guerra

"In the Land of Blood and Honey", estreia na realização da atriz norte-americana, é um retrato realista e brutal da Guerra dos Balcãs. Filme é exibido hoje no Festival de Berlim, fora de competição.

Francisco Ferreira, enviado a Berlim (www.expresso.pt)
12:08 Sexta feira, 10 de fevereiro de 2012
Também responsável pelo argumento, Angelina Jolie parte de uma história de amor, a de Danijel (Goran Kostic), um sérvio, e de Ajla (Zana Marjanovic, na imagem), uma bósnia, apaixonados no momento em que a guerra civil rebenta
Também responsável pelo argumento, Angelina Jolie parte de uma história de amor, a de Danijel (Goran Kostic), um sérvio, e de Ajla (Zana Marjanovic, na imagem), uma bósnia, apaixonados no momento em que a guerra civil rebenta
Angelina Jolie na rodagem de “In The Land of Blood and Honey”
Angelina Jolie na rodagem de “In The Land of Blood and Honey”

Ninguém esperava o que se viu ontem à tarde, em Berlim, na sessão de imprensa de um dos primeiros filmes apresentados pelo festival de cinema (decorre até ao próximo dia 19).

"In the Land of Blood and Honey" , projecto pessoalíssimo de Angelina Jolie (que o realizou e produziu), é um filme simplesmente brutal sobre a guerra que rebentou nos Balcãs no início dos anos 90 e que ditaria o desmembramento da ex-Jugoslávia.

Falado exclusivamente em sérvio e em bósnio, rodado com atores locais, todos desconhecidos do grande público, esta estreia na realização de uma das mulheres mais mediáticas do planeta nada fica a dever às boas intenções, ao sentimentalismo beato e ao ativismo humanitário que uma boa parte da imprensa, de garras afiadas, erradamente apregoava.

Também responsável pelo argumento, Angelina Joslie parte de uma história de amor, a de Danijel (Goran Kostic), um sérvio, e de Ajla (Zana Marjanovic), uma bósnia, apaixonados no momento em que a guerra civil rebenta.

Acontece que enquanto Danijel, oficial do Exército, é chamado ao dever militar, Ajla, que é muçulmana, está do outro lado da barricada e rapidamente começa a assistir à chacina do seu povo, caindo também ela num campo de concentração chefiado pelo homem que ama e onde a violação e a tortura são a ordem do dia.

Filme para maiores de 18


Se Angelina Jolie quis passar uma mensagem pacifista então escolheu o caminho menos fácil, mostrando sobretudo o que há de mais inumano no ser humano, num filme de guerra violentíssimo, provavelmente para maiores de 18, que não esconde o horror da realidade histórica que abordou e que recorda a famosa frase de Oscar Wilde: "Each man kills the thing he loves".

Não é um filme perfeito. Não serão poucos os que sublinharão que aquela história de amor em tempo de guerra é tudo menos plausível e que a leitura política é demasiado simplista. Não serão poucos os que desconfiarão da parcialidade da realizadora num filme em que os sérvios nos aparecem como as mais brutais criaturas e os bósnios como carne para canhão.

Mas Angelina Jolie foi corajosa. Atirou-se de cabeça, como Lara Croft. Em Hollywood, onde ela é uma megaestrela, dificilmente conseguiria ter feito o que fez.

Falamos dentro de poucas horas com a realizadora e a este "In the Land of Blood and Honey" voltaremos. O filme estreia em Portugal a 5 de abril.

"IN THE LAND OF BLOOD AND HONEY"
de Angelina Jolie (EUA)
com Zana Marjanovic, Goran Kostic, Rade Serbedzija
Mais informações em www.berlinale.de

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“In The Land of Blood and Honey”
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 12:49 | Sexta feira, 10 de fevereiro
Mas quem é que não ia à Guerra com Angelina Jolie?
 
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a historia
ricardodavid77 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:57 | Sexta feira, 10 de fevereiro
conta que eram os croatas aliados dos nazis e nao os servios que gozam hoje em dia de grande apoio diplomatico dos franceses. recuando ainda mais no tempo foram os servios os responsaveis pela unificacao daquela regiao num processo de expulsao do imperio turco. tive oportunidade de conhecer belgrado, zagreb, liubliana e sarajevo, aconselho vivamente a quem possa lá ir e conhecer as pessoas que ai vivem. os servios sao um povo super competitivo, vao com certeza tornar-se num país de primeira linha nas proximas décadas. sentem na pele o arrependimento da chacina que foi a guerra dos balcas. a bósnia-herzegovina continua um pais sem nacionalidade propria, croatas e servios vivem juntos e os muculmanos assumem-se turcos, tambem nao se assumem bósnios... a ver como evoluiu nos proximos anos
 
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