O alegado "estripador de Lisboa" escreveu o diário onde descreve os homicídios de prostitutas ocorridos entre 1992 e 1993 a ver na televisão o jogo de futebol entre Portugal e a Bósnia, no passado dia 15 de novembro, segundo informa o filho de José Guedes.
Pedro Joel Guedes, de 22 anos, confirmou ao "Correio da Manhã" que a denúncia de que o pai era o estripador "foi uma brincadeira" e que até o ajudou o pai a "corrigir" a descrição dos crimes.
"Estávamos a ver futebol enquanto ele escrevia. Eu ajudei-o a corrigir algumas partes", afirma Pedro Joel ao "CM" na sua edição de hoje, avançando que o pai já lhe confessou estar a pagar por algo que não fez.
A "brincadeira" começou quando o jovem associou a estadia do pai em Lisboa aos três homicídios. "Sempre que lhe perguntava se era o 'estripador de Lisboa' ele não negava, mas também não confirmava. Ria-se", referiu.
Brincadeira foi "longe de mais"
Pedro Guedes tentou entrar no concurso da TVI "Casa dos Segredos" com o segredo "Sei quem é o 'estripador de Lisboa', pedindo à jornalista do jornal "Sol" para investigar o pai.
"Eu ajudei na investigação. Fui orientado no sentido de fazer várias perguntas ao meu pai. Até tentei confirmar alguns pormenores dos crimes, que nunca tinham saído nos jornais", revelou, explicando que havia "várias coisas que não batiam certo. Percebemos que o meu pai tinha inventado a história e que ele não podia ser o estripador. Ele até me disse que era tudo brincadeira e que já tinha ido longe demais".
O jovem explicou ainda qual a razão que o levou a desconfiar de que o pai era o estripador. "Encontrei recortes de jornais da altura, que falavam dos três homicídios e até uma grande coleção de livros sobre grandes criminosos", afirmou, confirmando depois que José Guedes "gosta desses temas".
Jornalista carregou telemóvel
Pedro Guedes explicou ainda ao matutino lisboeta que o pai teve acesso a alguns pormenores sobre os homicídios através da jornalista do jornal "Sol". "A jornalista contou-me e eu perguntei ao meu pai. Foi assim que soube de alguns pormenores", afirmou o jovem, confirmando que a jornalista lhe carregou o telemóvel com 50 euros numa altura em que falavam regularmente. "Ligava-lhe muitas vezes e mandava mensagens. Foi a única vez que ela pagou alguma coisa", confessou.
Sobre o homicídio pelo qual José Guedes foi preso preventivamente, em Aveiro em 2000, o jovem defende o pai referindo que ele tinha emprego fixo em Matosinhos nessa altura e que tem recibos de vencimento que provam que naquela data não poderia estar na Póvoa do Paço, local do crime.
A prisão preventiva de José Guedes foi fundamentada por uma troca de SMS com a jornalista do "Sol", que lhe enviou uma mensagem onde "dizia que ele era um cobarde e que já não acreditava que fosse o estripador. O meu pai respondeu, a brincar, para ela esperar até sexta que ele ia voltar a matar".
O juiz considerou que havia o perigo de continuação de atividade criminosa e decretou a prisão preventiva para o alegado estripador.