Foram divulgados os indicadores de crescimento do produto interno bruto no segundo trimestre do ano. E o Governo, através do primeiro-ministro José Sócrates, já veio dizer que os números agora conhecidos são um sinal de encorajamento e de confiança, apesar de se ter verificado um forte abrandamento da economia portuguesa face ao primeiro trimestre.
Como sempre há nos números aspetos positivos e aspetos negativos. O Governo quererá naturalmente destacar os positivos e a oposição quererá naturalmente destacar os negativos.
Mas quais são afinal os aspetos positivos mais relevantes? Um deles é o facto de Portugal ter crescido no segundo trimestre, apesar de esse crescimento ter sido de apenas 0,2% face ao primeiro trimestre do ano. E em relação ao segundo trimestre de 2009, esse crescimento foi de 1,4%.
E quais são os aspetos negativos? É que crescemos muito pouco, conforme se previa, apenas 0,2% face ao primeiro trimestre do ano. Nos primeiros três meses de 2010 tínhamos crescido 1,1% em relação aos últimos três meses de 2009, o que na altura foi considerado uma grande vitória para o país. Outra má notícia é o facto de as previsões da generalidade dos economistas para Portugal apontarem para um agravamento das condições económicas neste segundo semestre.
Não é, por isso, motivo para cantarmos vitória, no que diz respeito à nossa economia. Mas há na Europa sinais muito interessantes relativamente às duas maiores economias da zona euro, a alemã e a francesa, com quem Portugal tem relações comerciais relevantes. A Alemanha cresceu ao ritmo mais elevado em duas décadas, 2,2% face ao primeiro trimestre. Em França, o crescimento foi de 0,6% face ao trimestre anterior, o que também ficou acima das expectativas. E no conjunto da zona euro o avanço da economia foi de 1% face ao primeiro trimestre, acima das expectativas e que representa o mais elevado crescimento desde 2006, beneficiando do aumento das exportações.
Do outro lado do Atlântico não tivemos, no entanto, novidades muito animadoras, na economia americana.
Estamos por isso todos ainda muito longe de decretar que o pior nas economias europeias e americana já lá vai.