Pelo menos 50 mortos e 703 feridos, 200 das quais com gravidade, é o mais recente balanço oficial do acidente ocorrido ontem com um comboio na capital argentina de Buenos Aires.
Enquanto as causas continuam por apurar, duas explicações vão tomando forma: uma responsabilizando a empresa Trenes de Buenos Aires (TBA) por possível negligência na manutenção dos comboios a seu cargo, outra atribuindo o acidente a falha do maquinista.
Tanto a Trenes como o Governo argentino abriram inquéritos para apurar o que se passou. Segundo o site da revista "Veja", o juiz Cláudio Bonadio, responsável pela investigação, já ordenou uma busca nos escritórios da empresa, para reunir toda a documentação sobre os protocolos de manutenção dos comboios da companhia.
O jornal "La Nacion" refere, entretanto, que a TBA recebeu do Estado perto de 80 milhões de pesos (cerca de 13,9 milhões de euros), quantia que terá destinado apenas a gastos operacionais, não a obras de manutenção.
Análise de caixa negra é fundamental
Também a análise da caixa preta do comboio 3772, que contém as gravações da conversa entre o maquinista e a empresa, e as imagens das câmaras de segurança deverão ajudar a perceber melhor o acidente.
Aguarda-se, por outro lado, a recuperação do maquinista, que ficou ferido e se encontra internado, para que seja interrogado.
O acidente aconteceu em plena hora de ponta, quando um comboio apinhado - há notícias que referem 2000 passageiros - embateu com violência contra o cais, na estação Once, uma das três mais importantes e movimentadas de Buenos Aires.
Testemunhas contam que o comboio abrandou, mas surpreendentemente não parou, pelo que ia em excesso de velocidade (mais de 20 quilómetros/hora) quando chocou com a barreira de amortecimento situada no fim da plataforma, esmagando a locomotiva e fazendo as carruagens colidirem umas com as outras.