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A falácia dos 43%

Luís Mira Amaral (www.expresso.pt)
8:00 Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
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Tem-se afirmado que a componente das energias renováveis no consumo de electricidade no país ronda os 43%.

Outros, ainda mais entusiasmados e confundindo a electricidade com todo o sistema energético, dizem que as renováveis já respondem por 43% da energia consumida em Portugal.

Apresento então aos leitores o contributo das renováveis para o consumo bruto de electricidade no país (produção bruta + saldo importador de energia). A primeira percentagem é a real, efectivamente verificada, a segunda é a oficial 'cozinhada' na secretaria.

2001 - 35.5% / 36.2%;
2002 - 21.8% / 32.3%
2003 - 37.3% / 34.6%;
2004 - 25.2% / 35.3%
2005 - 16.8% / 35.9%;
2006 -30.6% / 36%;
2007 - 31.1% / 42.7%;
2008 - 27.8% / 43.3%

Esta discrepância resulta então da aplicação de um critério bizarro, para não lhe chamar de puro ludíbrio. A Direcção-Geral de Energia e Geologia explica que o número oficial é calculado em função da Directiva europeia 2001/77/CE, ao abrigo da qual a produção hidroeléctrica pode ser corrigida mediante indexação a um Índice de Produtividade Hidroeléctrica (IPH) dum ano de referência. Esse índice depende obviamente da pluviosidade e permite quantificar o desvio entre o valor da produção hidroeléctrica verificada em dado ano e a produção que haveria em ano de regime hidroeléctrico médio. A 'marosca' está em que foram buscar para ano de referência o ano de 1977, de excepcional pluviosidade, com difícil repetição e com um IPH = 1.22, e não um ano médio.

Então, em 2008, que foi um ano de fraca pluviosidade com um IPH = 0.562, a sua produção hidroeléctrica real de 7102GWh foi corrigida, tendo-se obtido uma produção 'cozinhada' de 7102 x 1.22 / 0.562 = 15 406GWh que somada às restantes renováveis permitiu passar da percentagem de 27% para 43.3%!

Assim sendo, todos os valores oficiais estão empolados por se ter como referência um ano extremamente húmido, em vez dum ano médio! Havendo um ciclo hidroeléctrico, é evidente que se devem corrigir os valores anuais, calculando a componente estrutural de produção hidroeléctrica, ajustada do ciclo.

Para os economistas dir-lhes-ei apenas que o método usado é semelhante ao de calcular o défice estrutural das finanças públicas a partir do melhor ano do ciclo económico (aquele em que as receitas foram as maiores e as despesas as menores)... Como bem sabemos, o défice estrutural é ajustado em função do ciclo económico.

Tudo isto mostra aliás a ligeireza e a demagogia com que nos andam a vender as renováveis.

Acontece até que para empolarem a componente das renováveis, tiveram que se "encostar" à componente hídrica, justamente aquela que foi esquecida depois do demagógico episódio de Foz Côa e a partir daí só apostaram na energia eólica. Se tivéssemos, como eu tinha feito no governo, continuado a apostar na componente hídrica, a percentagem das renováveis seria hoje bem maior, sem necessitarmos da 'marosca' em apreço.

Face a um recente concerto do Tony Carreira para apoiar as renováveis, percebi o 'filme': da maneira que nos estão a vender as renováveis, não nos estão a dar energia, estão a dar-nos música!...

Luís Mira Amaral

Texto publicado na edição do Expresso de 7 de Novembro de 2009


 

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Manipulação estatística!!!
costinha79 (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 16:54 | Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
Este é mais um exemplo de como este governo é hábil na manipulação de dados para fins estatísticos!!!!

A taxa de desemprego, o défice orçamental e das contas públicas são outros exemplos da demagogia evidenciada por esta orquestra de "Titanic"!!!

Trata-se de um governo populista que governa para agradar as massas com objectivos puramente eleitorais!!!

Assim Portugal não vai lá!!!! Alguma razão tinha a outra senhora na necessidade de falar verdade!!!

O problema reside no deficit de ética, de responsabilidade e de seriedade política em Portugal!!!
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Tem toda a razão!
pintosa (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 18:10 | Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
Os dados do Eng.º Mira Amaral estão absolutamente correctos e podem ser confirmados aqui, por exemplo:
http://www.centrodeinform... m%20Portugal%20-%202008.pdf.

Os dados que apresenta não são objecto de nenhuma "correcção", pelo que o comentário de jpafonso não faz sentido. Em 2008, dos 27% de energia renovável produzida, 11% foram eólicos e 16% hídricos.
O problema é que, para obter esta percentagem que, como se vê, não tem crescido significativamente, foram até agora investidos muitos biliões de €, em eólicas importadas e agora também em hidroeléctricas que vão acrescentar pouquíssima energia de origem hídrica e que servirão, essencialmente, para armazenar energia... eólica (bombeando-a para depois a returbinar, mas perdendo 1/4 dela neste processo).
Em breve, em 2010, as eólicas estarão a produzir 20% da energia eléctrica total, mas para para produzir a mesma energia podia-te ter feito uma única nuclear (os espanhóis têm 8) por uma fracção do preço. E, embora se tenha retomado a construção de hidroelécticas, é quase tudo para armazenamento, ao contrário de Foz Coa, cujo potencial energético (hídrico) era excelente...
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    Re: Tem toda a razão!    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 2:16 | Quinta-feira, 12 de Nov de 2009
    Re: Tem toda a razão!    Ver comentário
pintosa (seguir utilizador), 1 ponto , 4:46 | Quinta-feira, 12 de Nov de 2009
    Re: Tem toda a razão!    Ver comentário
pintosa (seguir utilizador), 1 ponto , 5:01 | Quinta-feira, 12 de Nov de 2009
    Re: Tem toda a razão!    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 16:53 | Quinta-feira, 12 de Nov de 2009
    Re: Tem toda a razão!    Ver comentário
pintosa (seguir utilizador), 1 ponto , 18:57 | Quinta-feira, 12 de Nov de 2009
    Re: Tem toda a razão!    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 2:19 | Sexta-feira, 13 de Nov de 2009
Responder a uma falácia com outra falácia
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 15:08 | Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
Sr. Luís Mira Amaral, o seu esclarecimento de como se faz as correcções de ciclo para mostrar a composição estrutural das nossas fontes de energia, é precioso e de aplaudir... incluindo o seu alerta de como as correcções podem "mentir" para efeitos de propaganda. Mas à falácia apresentada não estará a responder com outra falácia?

O que nos descreve é um critério de correcção da produção hidroeléctrica com base na pluviosidade dos diferentes anos... tomando como referência um ano excepcionalmente húmido. Quanto maior a importância do sector hidroeléctrico, mais importante será a distorção provocada pela falácia que denuncia. Não nos diz se semelhante critério é usado com as eólicas mas suspeito que estas sejam mais regulares que as hídricas, e a sua omissão sugere que nenhuma correcção é feita (também não estou a ver nenhuma forma objectiva de o fazer).

O ponto aonde quero chegar é que o seu argumento da escolha da eólica sobre a hídrica em nada tem a haver com a falácia. De facto, se tivéssemos apostado em exclusivo na hídrica, o valor cozinhado de 43% podia ter sido conseguido com apenas 26% reais, isto é, a "mentira" teria sido maior. Mesmo que nessa altura usássemos a correcção mais honesta 1/0.56, ainda assim o conseguíamos com apenas 30% reais, pouco diferente dos 28% de agora. Acresce que para isso, teríamos que ter tido um incremento de 33% na produção hídrica em relação a agora. É possível? Porque os melhores locais já devem estar a ser usados.
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    Re: Responder a uma falácia com outra falácia    Ver comentário
Mamaevovo (seguir utilizador), 1 ponto , 18:42 | Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
    Re: Responder a uma falácia com outra falácia    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 21:35 | Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
    Re: Mira Amaral é mais renovável que os outros    Ver comentário
CondestavelXXI (seguir utilizador), 1 ponto , 22:39 | Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
Insisto: Falácia por Falácia? (1/2)
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 23:38 | Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
Vou insistir neste ponto, há ou não há uma falácia nos argumentos de Mira Amaral?

É preciso ter bem presente porque é que se faz a correcção: trata-se de uma forma de aferir a estrutura das fontes de energia do país de uma forma independente dos azares meteorológicos, de forma que se possa atribuir o devido crédito ao investimento feito. Esta correcção precisa sempre de ser feita, e Mira Amaral tem razão em considerar incorrecto o uso de um ano atípico, por uma razão simples: se não houver alterações na produção, a média das renováveis ao longo de vários anos deveria coincidir com o valor produzido pela correcção, e isso não acontece aqui. Mas ao insistir que estaríamos melhor com mais hídrica e menos "outras", ele destrói o seu argumento anterior. Se a hídrica tivesse mais peso, a distorção da correcção incorrecta seria ainda mais importante. Podem tentar ver isto olhando para a situação no outro extremo: senão houvesse hídrica mas somente outras fontes de energia renováveis, não haveria forma do governo poder usar esta correcção para "cozinhar" os números. Quanto mais importante for a parte da hidroeléctrica, mais facilmente isto se dará.

Quanto aos meus números, não desperdicem a lição que Mira Amaral vos dá de pensarem pela vossa própria cabeça, calculem-nos vocês também e dir-me-ão se tenho razão ou não. Os dados para o fazer estão lá todos. Quanto ao modo de o fazer, devo avisar que penso que cometi um erro de raciocínio ao calculá-los. Já lá irei.
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Insisto: Falácia por Falácia? (2/2)
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 23:41 | Quarta-feira, 11 de Nov de 2009
Se V for a percentagem real na produção, F for o valor corrigido, H e R for a produção respectiva de energia hídrica e renováveis (não corrigidas) em unidades de produção de outras energias, e r for o factor de correcção, os meus valores foram calculados resolvendo o sistema de equações:

V=(H+R)/(H+R+1)
F=(r*H+R)/(r*H+R+1)

Para se conseguir o mesmo valor F sem as energias renováveis, era preciso aumentar a produção de Hídrica para H' de forma que:

F=r'*H'/(r'H'+1)

e calculando-se H', pode-se calcular R':

R' = H'/(H'+1)

que dá 26% e 30% usando respectivamente o factor correctivo usado na falácia ou o que deveria ter sido usado, de 1/0.562. O aumento de capacidade de produção hídrica para o último valor teria que ser de 33%.

O erro que cometi foi em apostar que num ano hidrológico normal, toda a energia eléctrica hidroeléctrica produzida seria simplesmente somada às outras fontes de energia... isto está errado, ela substitui-as se for vantajoso. A meu ver, a energia usada no denominador da correcção é fixa e igual ao total consumido... que se parte do principio não ser afectado pelas particularidades da produção. As equações correctas teriam que ser:

V=(H+R)/T
F=(r*H+R)/T
T=H+R+1

e

F = r'*H'/T
R'= H'/T

Destas retira-se um peso das hídricas suficiente para produzir o 43%, igual a 20% e 24%, e para ser produzido o último número era necessário mais 83% de capacidade de produção que agora!!!!! Quem está a cozinhar opiniões aqui?
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LMA é um imbecil que pertence ao lobby nuclear
turrican (seguir utilizador), 1 ponto , 1:09 | Quinta-feira, 12 de Nov de 2009
Portanto é um imbecil dos perigosos
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    Re: LMA é um imbecil que pertence ao lobby nuclear    Ver comentário
NJP (seguir utilizador), 2 pontos , 7:45 | Sábado, 14 de Nov de 2009
    Re: LMA é um imbecil que pertence ao lobby nuclear    Ver comentário
turrican (seguir utilizador), 1 ponto , 11:43 | Sábado, 14 de Nov de 2009
    Re: LMA é um imbecil que pertence ao lobby nuclear    Ver comentário
NJP (seguir utilizador), 2 pontos , 23:09 | Segunda-feira, 16 de Nov de 2009
Cozinhar opiniões
pintosa (seguir utilizador), 1 ponto , 3:57 | Quinta-feira, 12 de Nov de 2009
quem está a cozinhar opiniões aqui é óbvio: quem o pergunta!
Mira Amaral apresenta número SEM "CORRECÇÕES" para os contrapôr aos do Governo, esses sim "cozinhados" de forma a empolar a produção hidroeléctrica e, por essa via, "cozinhar" percentagens de energia renovável bem superiores aos reais.
É jpafonso que faz umas especulações sobre o que resultaria se houvesse mais hídrica, usando as regras culinárias do Governo e atribuindo-as a Mira Amaral, quando este o que fez foi precisamente NÃO USAR cozinhado algum!
Portanto, a conjectura de jpafonso carece de qualquer boa fé ou adesão ao raciocínio de Mira Amaral - que deve tratar por Sr. Eng.º, já agora e como notou a leitora Mamaevovo.
Mira Amaral, no entanto, o que pretende mostrar é que o Governo criou muito menos energia renovável do que pretende fazer crer, e defende que haveria mais energia dessa se se tivesse feito Foz Coa. Independentemente de cozinhados.
Porém, nesta questão de fundo Mira Amaral subestima o investimento feito em eólica; era já 11% em 2008, contra praticamente nada em 2001, e o Governo pretendia que atingisse os 20% em 2010, o que no entanto é improvável que aconteça por os investimentos terem caído abruptamente este ano, em que a eólica não deverá ultrapassar os 13% (tinha crescido à taxa de 40% ao ano).
Quanto a turrican, só posso recomendar que feche a cloaca.
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    Re: Cozinhar opiniões    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 15:22 | Quinta-feira, 12 de Nov de 2009
    Re: Cozinhar opiniões    Ver comentário
pintosa (seguir utilizador), 1 ponto , 16:25 | Quinta-feira, 12 de Nov de 2009
    Re: Cozinhar opiniões (1/3)    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 2:23 | Sexta-feira, 13 de Nov de 2009
    Re: Cozinhar opiniões (2/3)    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 2:24 | Sexta-feira, 13 de Nov de 2009
    Re: Cozinhar opiniões (3/3)    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 2:29 | Sexta-feira, 13 de Nov de 2009
    Re: Cozinhar opiniões (3/3)    Ver comentário
PedroCSF (seguir utilizador), 1 ponto , 9:06 | Sábado, 14 de Nov de 2009
    Tripla Falácia????    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 11:40 | Sábado, 14 de Nov de 2009
    Re: Cozinhar opiniões (3/3)    Ver comentário
PedroCSF (seguir utilizador), 1 ponto , 9:11 | Sábado, 14 de Nov de 2009
    LMA defendia uma central nuclear a 5 km ...    Ver comentário
turrican (seguir utilizador), 1 ponto , 5:18 | Sexta-feira, 13 de Nov de 2009
EDP renováveis
surpreso (seguir utilizador), 1 ponto , 19:24 | Sexta-feira, 13 de Nov de 2009
A EDP renovÁveis vive à conta de subsídois
 Como funciona a comunidade no Expresso Responder
    Re: EDP renováveis    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 15:54 | Terça-feira, 1 de Dez de 2009
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