É a vontade política de falar a uma só voz que falta à Europa e não instrumentos para aplicar as alterações que sejam capazes de impulsionar a União Europeia como agente global, disse Felipe González hoje em Lisboa, no âmbito do Seminário Luso-Espanhol que lançava a pergunta "O que fazer em conjunto na Europa?"
"Uma vez clarificado o instrumento (Tratado de Lisboa) para que tenham lugar as alterações institucionais dos 27, de forma clara e transparente para os cidadãos, sabemos o que queremos?", perguntou o político espanhol,convidado a intervir na sua qualidade de relator principal do Grupo de Reflexão para o Futuro da Europa.
Relatório para o Conselho da Primavera
"Se a Europa não for mais que a soma dos interesses dos 27 então não é nada" garantiu Felipe González sublinhando que o cenário para 2030 que será traçado pelo relatório em cuja elaboração participa - e que estará concluído na altura do Conselho Europeu da Primavera - se baseia "nas tendências actuais". Assim, "para que os resultados não sejam previsíveis temos de trabalhar juntos e com vontade para que a União seja efectiva", disse.
Referindo-se à recente visita do Presidente dos Estados Unidos à China, o ex-chefe do Governo mais tempo em funções na história da democracia espanhola (1982-1996) chamou a Barack Obama "a resposta americana à pós-crise e também à crise" fazendo o contraponto com aquilo a que chamou a "resposta europeia": "mais do mesmo e um pouco mais de nacionalismo".