13/02/2012 atualizado às 1:11
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A barreira de ser feio

A sociedade actual impõe rígidos padrões de beleza, praticamente inalcançáveis. Falámos com pessoas normais (feias?) que vêm provar que, afinal, beleza não é fundamental

Bernardo Mendonça e Christiana MArtins (www.expressso.pt)
11:55 Segunda feira, 2 de novembro de 2009
A barreira de ser feio

ODETE SANTOS, 68 ANOS

Uma boneca disforme, medonha, desdentada e cheia de rugas. Foi desta forma que a advogada e ex-deputada do PCP, Odete Santos, 68 anos, foi representada em tempos no programa de humor Contra-Informação, da RTP. Era uma imagem caricatural e exagerada do seu rosto. Ela mostrou fair-play. "A 1ª imagem não correspondia nada aquilo que eu era. Excepto no conteúdo. E, por isso, achei graça às palavras que a boneca dizia. Quanto ao aspecto, a minha posição foi de expectativa. O que pensaria a opinião pública?" A resposta não se fez esperar. Odete assegura que se gerou um movimento de desagrado por parte dos telespectadores. "Porque se tratava de uma imagem que não correspondia minimamente ao que eu era. E essa rejeição da opinião pública deu origem a uma pequena vitória: a substituição da boneca". Sobre os seus traços fisionómicos, Odete considera-se "vulgar". Nem feia nem bonita. Mas não se detém muito no assunto: "Quem ama o feio bonito lhe parece. Por privilegiar mais o conteúdo do que a forma, confesso que nunca me preocupei com o meu aspecto. Dizem que não tenho boa imagem. Dizem também as pessoas que me conhecem desde nova que eu era bonita. Devo ter perdido qualidades...". Para a sessão fotográfica chega de cabelo arranjado. Aí reside a sua vaidade. "Vou uma vez por semana ao cabeleireiro". Ao longo de toda a vida política rejeitou aconselhamentos de imagem. Gosta de si como é. Frontal e autêntica. Mas sabe bem a importância da aparência na política. "Por vivermos num mundo da política-espectáculo, uma boa imagem de um político é como o código postal: é meio caminho andado", graceja. 

A barreira de ser feio

CARLOS MIGUEL, 66 ANOS

"Será que eu sou realmente bom actor? Ou a minha carreira nos palcos e na TV apenas se deve ao facto de ser excessivamente magro?" Esta é uma dúvida que o acompanhou toda a sua vida. O artista conta na sua carreira com a participação em centenas de espectáculos de revista à portuguesa, o seu género preferido, mas foi no popular concurso 1,2,3, na década de 80, que se tornou largamente conhecido e apreciado pelo grande público como o "fininho". Um apelido que se lhe colou à pele. O corpo esquálido, olhos azuis grandes como dois holofotes, o rosto expressivo, esquisito, maleável como plasticina, e o seu talento para fazer de cinco minutos de cena um espectáculo de risos e emoções tornaram-no um fenómeno de audiências. Para trás ficaram os tempos de juventude em que era preterido pelas raparigas e pelos encenadores por ser "magro, feio e teso". Acabou por vencer esse muro. "Geralmente o actor talentoso é feio. Não é galã, não se preocupa com a imagem mas sim com representar bem..."

A barreira de ser feio

DIOGO FEIO, 39 ANOS

É Feio, mas sempre teve a sabedoria, garante, "de distinguir o nome do adjectivo". Foi com fair-play que o eurodeputado ultrapassou eventuais incómodos que tentassem lhe impor. Nem quando, por volta dos 12 anos, os colegas da escola gostavam de fazer anedotas com o seu apelido. Mas confessa que até gosta da sensação de, no Parlamento Europeu, lidar com deputados que, pela primeira vez, não associam o seu nome a um qualificativo da imagem. Sobre si, diz que a aparência "é perfeitamente normal". E sublinha que, "o que para uns pode ser uma desvantagem, para outros pode representar uma mais-valia. É um tema muitíssimo subjectivo". Argumenta ainda que, o que "os eleitores querem são pessoas normais, parecidas com eles". Embora a sua imagem possa não corresponder aos ideais clássicos de beleza, diz que esta "nunca foi uma questão". Sabe, contudo, que desenvolve uma actividade em que "o aspecto televisivo tem muita importância". Defende que a fotogenia importa, mas "não é determinante". Mas lá vai tendo atenção na forma de falar, de vestir, sem recorrer aos serviços de especialistas.

A barreira de ser feio

GINA GEADAS, 37 ANOS

Há dois anos era uma mulher-montanha. A sua cara e corpo pareciam insuflados. Pesava 140 quilos distribuídos por um corpo de 1,70 metros de altura. Sofria de obesidade mórbida, o que durante muitos anos lhe colocou em risco a vida e a auto-estima. Começou a engordar aos 18 anos. A gula por doces e a vida sedentária fizeram com que o seu físico alargasse, ano após ano, até chegar a medidas que nunca tinha imaginado para si. "Fiquei disforme. A minha vaidade tinha-se ido embora, Desisto, pensei". Passou a ser conhecida como "Gina, a gorda". Era olhada e apontada na rua, motivo de chacota e piadas. recusada nas entrevistas de emprego. A sua fuga eram os doces. Cedo começou a ter problemas de hipertensão e de incontinência. Foi a gota de água. Após aconselhamento médico, submeteu-se a um by-pass gástrico, reduzindo o tamanho do estômago. Perdeu 60 quilos. O seu lema é nunca desistir. "A beleza está sempre em nós". Neste processo de transformação, criou o blogue , onde partilha a sua experiência e aconselha outros obesos. Hoje é a madrinha (da cura) de muitos deles... 

A barreira de ser feio

ANÍSIO FRANCO, 45 ANOS

As crianças ficam fascinadas com o seu aspecto. Admiram-no e sentem-se atraídas por ele. A careca. O rosto branco, macilento. Os olhos azuis, fundos no rosto. As olheiras marcadas. Os dentes caninos salientes. Tudo no rosto de Anísio Franco, 45 anos, conservador do Museu de Arte Antiga de Lisboa, remete para o vampiro Conde Drácula, uma personagem com gosto por sangue criada pelo autor irlandês Bram Stoker, no clássico romance "Drácula", de 1897. "Os filhos dos meus amigos adoram que revele os meus dentes caninos. E eu divirto-me com isso. São os meus cúmplices. E eu sou o herói deles. Faço de vampiro bom". Sorri. Anísio gosta do que vê ao espelho. Tem orgulho na estranheza do seu rosto. "A minha fisionomia e dentição são invulgares, marcadas. Isso diferencia-me dos demais, torna-me único. A minha aparência tem muito a ver com o universo gótico, com o imaginário romântico das trevas, entre o misterioso e o sublime". Ser ou não feio? "Sei que não sou bonito. De qualquer maneira a beleza ideal não me interessa. Não a persigo, nem em mim nem nos outros".

A barreira de ser feio

MARIA LEÃO, 23 ANOS

Foi com as borbulhas que passou para o outro lado do espelho. Alta, magra, loura e de olhos azuis, a pergunta que fica é: o que está a fazer num artigo sobre quando a imagem se transforma num obstáculo? É que, até há alguns meses, carregava na cara o peso do acne tardio. Foram cinco anos de borbulhas, com a pele transformada numa espécie de revestimento em grão. Quando os amigos já estavam livres das inflamações cutâneas, Maria sentia que "usar uma burka até pode ser uma vantagem". Resistiu a, em nome da beleza, perder dias de praia e de sol para poder usar o medicamento que conseguiu livrá-la das borbulhas. E, embora faça questão de desvalorizar a importância da sua aparência, reconhece que quando a pele voltou a ficar lisa, sentiu "outra satisfação e mais à vontade para sorrir". O óbvio não a satisfaz e diz que "quem aposta tudo na imagem física procura o caminho mais fácil". E que este é material volátil para se construir uma relação. "Princípios, educação, inteligência e cultura são mais importantes do que uma cara bonita", afirma. Embora reconheça que até parece um cliché, defende que "bonito é dar, sem esperar nada em troca".

A barreira de ser feio

PAULO DUARTE, 28 ANOS

"A noite favorece-me", afirma. Sente-se gordo, desengraçado e esquisito. Sempre que quer comprar uma camisa ou uma camisola tem que sair de Leiria, a sua cidade, e calcorrear o país à procura de roupa que lhe sirva. A moda não é feita a pensar nele, porque o seu corpo está fora de moda. Sofre de obesidade mórbida, pesa 146 quilos, mas já chegou a atingir os 160. É desde pequeno um comedor de volume. Repete duas a três vezes o prato. Aliás, o seu prato favorito é "cheio". Só assim se sente saciado. Não gosta do seu aspecto, mas afirma que o tamanho XXL rsó se tornou um sério problema quando começou à procura de trabalho. Por várias vezes as portas fecharam-se porque tinha um corpo disforme. Desadequado. Isso magoou-o. Mas fê-lo resistir e procurar ajuda médica. Há dois anos submeteu-se a uma operação para colocar uma banda gástrica. Não resultou. Por uma questão de "saúde, vaidade e auto-estima" voltará a ser operado em breve, desta vez para se submeter a um scopinaro - redução da capacidade de absorção do estômago e do intestino. Está confiante. "Ser gordo ainda é sinónimo de feio, indolente, preguiçoso, desleixado. E isso é um peso muito grande em cima de uma pessoa..." 

A BARREIRA DE SER FEIO

Feio: Adj.1. que tem aspecto considerado pouco atraente ou desagradável 2. que não obedece aos padrões de beleza convencionais 3. disforme, desproporcionado". A definição do dicionário é pesada, como é o estigma associado à fealdade. Hoje e ao longo dos tempos.

Mas, afinal, o que é ser feio? Tudo o que foge do ideal de perfeição humana? Tudo o que não cabe no universo da moda? Na verdade, ninguém tem autoridade delegada para determinar quem é feio. Porque o que é feio para uns, pode ser atraente para outros. É o que cada um de nós quiser e, sobretudo, aquilo que recusamos.

Mais do que discutir os parâmetros de beleza ou da ausência dela - debate que ocupa as artes e a filosofia -, interessa perceber como o cidadão comum se deixa afectar pela pressão de que todos temos de perseguir um ideal estético inatingível. Como a aparência de cada um pode transformar-se numa barreira. Num obstáculo ao desenvolvimento de saudáveis relacionamentos sociais.

Ouvimos quem se assume como tal e, quem não sendo bonito, se acha normalíssimo. Quem se sabe diferente e até gosta de ser assim e quem apesar de não ser feio, já detestou a sua imagem.

Convocámos quem quisesse assumir as suas insatisfações. Há cerca de um mês, colocámos um anúncio no site do Expresso na Internet, no Twitter e no Facebook, pedindo que nos contassem histórias de vida. Tivemos muitas visitas, mas não respostas. Fica provado que este não é um assunto fácil para se dar a cara nos jornais. Assim, ficámos com aqueles que, não sendo exemplos de capas de revista de moda, são um pouco como todos nós.

Ganhar confiança


A patologia de achar-se feio. "O aspecto físico só é um muro se a capacidade interior o permitir. O êxito do homem, como espécie e como indivíduo, assenta na capacidade de aprender e saber fazer, na inteligência, e na capacidade de desenvolver esforço em cooperação com outras pessoas, a ética", afirma Miguel Correia, dermatologista.

Acostumado a lidar com as queixas dos pacientes, explica que "um tratamento estético pode ser procurado para resolver um problema na aparência. E, obtido o resultado desejado, a pessoa segue com mais segurança". Mas, "quando é a vida interior a causa de insatisfação, a procura de melhoria na aparência é um fracasso. No limite, a insatisfação com a imagem, leva ao suicídio. As formas mais graves de acne, por exemplo, têm um risco de suicídio semelhante aos cancros em fase de doença generalizada. Se a pessoa detesta a sua imagem e sente que não a consegue melhorar, há o risco de detestar a própria vida".

O que dita a moda


Na origem, a questão da beleza estava associada à preservação da espécie. "Nas sociedades primitivas, o bonito associava-se ao aspecto físico mais promissor de fertilidade ou de saúde. Hoje, é a moda que determina o que é bonito ou feio. Subentende-se que feio é o que não se vê na passarela", explica Miguel Correia. O dermatologista alerta que "desde que a autoconfiança exista, o indivíduo consegue triunfar e a autoconfiança vive das dificuldades ultrapassadas, não da banalidade dos genes que determinam a aparência".

Com a actualidade marcada pela perseguição de um ideal estético ligado à magreza, a endocrinologista Isabel do Carmo vê passar pelo seu gabinete insatisfações profundas. Um problema contraditório com a tendência estatística. "É curioso que estando a sociedade a tornar-se obesa de forma tão generalizada, cada obeso se sinta como único e o façam sentir como o único", afirma. É que "metade da população adulta portuguesa tem peso a mais, tal como a população espanhola e mais de metade da alemã. Quanto aos norte-americanos, 60% têm peso a mais. Chamar 'normal' ao peso recomendável já não faz sentido sob ponto de vista estatístico". Isabel do Carmo não foge: "No entanto, há de facto um muro".

Discriminado por ser gordo


Gina Geadas e o seu companheiro Paulo Duarte sabem bem o que isso é. Ela chegou a pesar 140 quilos e ele ultrapassou os 160 quilos. A imagem passou a ser um peso difícil de suportar. "Durante muitos anos fui um alvo fácil de chacota. E eu, humilhada, fingia achar graça." Paulo, a trabalhar numa pizzaria, revela outra dimensão do estigma: "Fui sistematicamente excluído de entrevistas de trabalho por ser gordo. Há um preconceito muito grande. Vêem-nos como feios, preguiçosos e desleixados."

Isabel do Carmo recua o problema até à infância. "Está estudado que, entre os mais pequenos, os colegas preferem uma criança ou jovem que seja cego, surdo ou com um defeito numa perna do que um obeso. Quando vou às escolas e mostro fotografias de grandes obesos tenho que recomendar antes: 'Agora vou mostrar uma fotografia de uma pessoa muito gorda e vocês não se vão rir.' Se não o fizer, há gargalhadas generalizadas. Calcule o que não sofre uma criança obesa com estas reacções. Nos casos mais pronunciados deixa de ir à escola", afirma.

Porquê esta força que repele socialmente 'o gordo'? A directora do departamento de endocrinologia do Hospital Santa Maria explica que "o antropólogo Claude Fishler diz que isto vem do fundo dos tempos, da época da tribo em que o gordo era aquele que comia tudo, o 'comilão'. Ora, quando o ser humano vivia para sobreviver, ocupando-se todo o dia em arranjar comida e sofrendo épocas de fome, o 'gordo' era suspeito".

No entanto, afirma, "há muitas pessoas que ultrapassam esta barreira. Mas tem que começar por elas. A tendência para o excesso de peso nasce muitas vezes connosco e por isso há que evitar a obesidade por razões de saúde e por razões de imagem, porque a carga ao longo da vida vai ser de peso propriamente dito e de incomodidade psíquica". Mas Isabel do Carmo sublinha que "as pessoas com peso a mais têm que administrar essa característica e adaptar-se. Em primeiro lugar, não podem fazer disso o centro dos seus pensamentos. A existência é muito mais que o peso do corpo. Os projectos de vida devem ser o programa e não os centímetros a tirar. É importante também que aceitemos o 'outro'. E o 'outro' é diferente de nós e também é diferente de imagens padrão que nos impuseram". E conclui: "Conheço muitas pessoas que lidam bem com o excesso de peso e não vivem obcecadas por isso. É o primeiro passo para os outros, e particularmente os companheiros, os aceitarem."

Plástica é solução


Só resta "ir à faca". Quando não se atinge um estado de pacificação interna, os insatisfeitos vão bater à porta do cirurgião plástico. Ibérico Nogueira conta que ao seu consultório aparecem muitas pessoas que optam pela cirurgia por motivos profissionais. Desde as actividades obviamente ligadas à imagem (modelos, actores) aos professores. "Muitos docentes de liceus, por exemplo, porque os adolescentes exigem uma aparência jovial e têm tendência para desrespeitar e serem agressivos com quem foge a esse padrão", afirma.

Nas escolas, já não são só os professores os pressionados, porque a beleza está-se a tornar uma obsessão também para os mais jovens. Estudos citados recentemente pela revista "Newsweek" apontam para o facto de os alunos mais bonitos receberem as notas mais altas. A justificação é de que a personalidade e o ser atraente, principalmente nas raparigas, é considerado um ponto forte na avaliação global. A mesma sociedade norte-americana onde, miúdas a partir dos dez anos, gastam verbas consideráveis em cosméticos e produtos de embelezamento.

Casos patológicos


O cirurgião plástico diz, contudo, que as preocupações com o aspecto estético "são transversais a toda à sociedade" e que na base da decisão estão sempre "motivos racionais, emocionais e também práticos". Mas sublinha que "ninguém tem autoridade para definir o que é bonito ou feio". Ibérico Nogueira recorda que o ser humano tem uma atracção inata pelo que é mais equilibrado e proporcional, definindo-o como belo. Embora este conceito tenha, depois, de se adaptar ao contexto cultural de cada sociedade. "Há milhões de padrões de beleza, onde o equilíbrio de formas e cor corresponde aos vários grupos sociais. Os media podem influenciar estes padrões, mas há uma base inata", afirma. E exemplifica: "Ninguém ensina que o pôr-do-sol é belo, no entanto, todos concordamos. É uma questão genética."

Procurar alcançar uma imagem física positiva e auto-satisfatória é considerado "perfeitamente normal e saudável", mas Ibérico Nogueira alerta para a existência de casos patológicos: "O muro é formado pela própria pessoa que não percebe que a beleza física é apenas uma parte do que gera a atracção." Estes casos estão classificados como os dismorfofóbicos. São pessoas que têm medo da fealdade. "Eternamente insatisfeitos, são um problema para os cirurgiões plásticos", alerta. Reconhece ainda que "a difusão maciça de estereótipos, muitas vezes através de imagens digitalmente alteradas, pode ter imensa influência sobre pessoas mais frágeis. Criam-se imagens distorcidas da realidade, causando distúrbios e infelicidade. Há que potencializar os sinais de beleza que todos têm, mantendo a expressividade".

Fascínio pelo feio


Anísio Franco, conservador do Museu de Arte Antiga de Lisboa, recorda que o tremendo, o horrendo, o monstruoso passaram a integrar o imaginário do sublime desde finais do século XVIII, no chamado período pré-romântico. "Todos nós temos um fascínio pelo feio. Porque, de certa forma, fazemos parte dele". Dá como exemplo a atracção que as pessoas têm pelo tríptico "As Tentações de Santo Antão", de Hieronymus Bosch. "Nós estamos ali representados, naquele mundo grotesco e subversivo".

Com a obra "A História do Feio", de Umberto Eco, nas mãos, Anísio afirma que a ideia do que é feio é relativa aos tempos e às culturas. "O inaceitável de ontem pode tornar-se o que será aceite amanhã. Durante muitos séculos, na arte e na vida, tudo o que era belo era considerado bom e o que era feio era tratado como mau, demoníaco. Mas há muito que já não é assim." Anísio recorre à imagem contemporânea dos jovens tatuados, com piercings, ou cicatrizes auto-infligidas como um convívio entre dois modelos opostos, porque a oposição feio/belo já não tem valor estético. "A deformação do corpo é hoje encarada como uma forma de belo, de afirmação social. Algo que antes era considerado feio."

As fronteiras deixaram de existir. É uma questão subjectiva e volátil. O especialista em arte remata, lembrando que todos nos emocionámos e revimos no ET, de Steven Spielberg ou no Drácula, de Bram Stoker. Porque, afinal, feios somos todos nós...

(Texto publicado na edição 31 Outubro Revista Única/Expresso)

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a beleza é fundamental!
B l u e S k y (seguir utilizador), 2 pontos , 11:31 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
...mas não a beleza exterior, nunca o corpo. Fundamental mesmo é a beleza interior que é um aspecto cada vez mais desvalorizado pela sociedade.
Não foi por acaso que o povo escolheu José sócrates e nunca escolheria Odete Santos, embora eu ache que a Odete é mais competente, mais culta e mais séria que JS...
...e, infinitamente mais bonita que José Sócrates.
 
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    Re: a beleza é fundamental!    Ver comentário
certo iactu (seguir utilizador), 1 ponto , 15:27 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
A barreira de ser feio
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:05 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
Nem sempre a beleza foi o que é hoje e em tempos que já lá vão, gordura era considerada formosura. A beleza e a inteligência são sem duvida dois factores que mais contribuiem para o sucesso e aos quais o ser humano é alheio na sua vontade.
 
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Ser feio Qb
xtrikinina (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 12:15 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
Não é possivel não deixar de concordar com a peça, mas um pouco de sinceridade também não lhe fazia mal nenhum...Ninguém têm culpa de ser feio mas calma... o desmazelado..descuidado... isso é ridiculo nos tempos que correm! Concordo quando dizem que é uma injustiça limitar a beleza apenas ao exterior, mas a falta de um dente é demais...a obesidade é demais... o cabelo oleoso é demais...nada disto é desculpa para se ser feio é ser pura e simplemente desleixado...
Dou o exemplo de Odete Santos e o caso dos seus dentes...puro descuido , isso não é ser feio é ser descuidado com a higiene oral...uma senhora tão inteligente sem dentes???e a saúde???? poupem esta feia k vos escreve
 
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    Re: Ser feio Qb    Ver comentário
Mensagero (seguir utilizador), 2 pontos , 19:16 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
Há pessoas extremamente bonitas...
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 14:49 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
... mas sem a menor beleza, de acordo com os padrões actuais. E, qualquer pessoa, independentemente da sua anatomia, com o tempo e o relacionamento deixam de ser feias ou bonitas e passam simplesmente a ser boas ou más. E é sempre assim, quando se conhece alguém.
 
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Sinta-se bela/o - deixe-se amar...
Cisneros (seguir utilizador), 1 ponto , 11:27 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
Quem o feio ama bonito lhe parece...
 
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Eu que sou belo (hihihi) conheci as mais belas
Mordaquikesaileite (seguir utilizador), 1 ponto , 13:18 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
mulheres ao longo da minha vida e conclui que a beleza interior é muito mais importante do que toda a beleza estética. Hoje ainda muito mais grave e perigoso, dadas as possibilidades de alterações estéticas artificiais...
 
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Ca granda treta
ZePortouga (seguir utilizador), 1 ponto , 13:21 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
Ser bonito não é algo utópico ou de padrões difíceis de atingir. Simplesmente nem todos o são. Ser bonito não importa? Epa desculpem, pra falar a beleza não importa .... mas há muitas coisas onde dá um JEITÃO
 
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A Beleza também se aprende
BrancaINPura (seguir utilizador), 1 ponto , 13:51 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
Ser "feio" é uma barreira, sim.
Desde pequenos associamos a beleza à bondade: "quando te portas bem, és linda !"
Mas como todas as barreiras (e ser bonito também tem as suas), pode ser ultrapassada.
Não acho que a beleza seja apenas uma questão exterior ou interior, terá mais a ver com profundidade, com a riqueza do espírito que anima a carcaça... rs
Não faltam exemplos no mundo, de "feios" extremamente atraentes, que ultrapassaram essa barreira, ou nunca a sentiram como tal. Subverteram-nos os padrões de beleza, são mais, muito mais do que isso.
A vaidade pessoal é importante, é sinal de amor-próprio.
O cuidado consigo mesmo é sinal de auto-respeito.
E a auto-estima (apesar dos defeitos inerentes) é, parece-me, uma das características mais atraentes que existem.
Quem se aceita como é torna a vida mais fácil para os outros... rs

 
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    Re: A Beleza também se aprende    Ver comentário
BrancaINPura (seguir utilizador), 1 ponto , 15:29 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
    A Beleza também se aprende    Ver comentário
simpleblack (seguir utilizador), 1 ponto , 19:24 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
Odete Santos
vosley (seguir utilizador), 1 ponto , 20:46 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
Se a Odete Santos não é levada a sério, não é culpa do seu aspecto físico. É culpa da sua postura e da sua maneira de falar. Se ela parasse de ser uma mulher e tentasse ser uma senhora, a fealdade seria irrelevante.
 
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...e o Talento ajuda.
BrancaINPura (seguir utilizador), 1 ponto , 20:50 | Terça feira, 3 de novembro de 2009
Simpleblack
Bem, eu não acho o CR bonito.
Não o conheço pessoalmente para avaliar bem, mas acho-o excessivo na atitude e na depilação das sobrancelhas... rs
Mas ele tem talento !
Já o Figo é um bom exemplo de "feio" muuuito atraente. Pela personalidade, fidelidade, talento...
E dinheiro, claro. È claro que o dinheiro, o poder ou o sucesso (masculino ou feminino) são afrodisíacos.
Acho que tanto homens como mulheres estarão de acordo com isso... rs
 
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Mais vale
mpreto (seguir utilizador), 1 ponto , 11:13 | Quarta feira, 4 de novembro de 2009
"Mais vale alguém produzidamente bonito que outro naturalmente feio".
O que isto quer dizer é que existem pessoas que não se cuidam e pensam que basta a "beleza interior" deixando os dentes amarelecer, o cabelo desgrenhar, os seios cumprimentarem o umbigo ou a barriga esconder o pipi, os pelos inundarem tudo.
Basicamente tornam-se "nojentos".
É muito diferente de alguém que pode ter nascido feio mas que se cuida e se torna interessante.
 
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