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Católicos e vida pública

8:00 Segunda feira, 26 de novembro de 2007

Teve lugar no passado fim-de-semana, em Madrid, a nona edição anual do Congresso 'Católicos e Vida Pública'. Com mais de 1500 participantes, o evento decorreu num ambiente de tensão crescente entre o Governo socialista e a Igreja católica. No centro das preocupações dos congressistas esteve a procura de um equilíbrio entre a presença pública da Igreja e o reconhecimento do pluralismo da sociedade espanhola.

George Weigel, o biógrafo norte-americano do Papa João Paulo II, apresentou uma das muitas contribuições interessantes para esta reflexão. Apresentando-se como teólogo católico e cidadão de uma das mais antigas democracias do mundo, Weigel perguntou o que pede a Igreja ao Estado. E respondeu basicamente duas coisas: espaço e abertura intelectual. Nada mais, porque a Igreja não tem uma proposta política, e nada menos, porque ela também não abdica do seu ministério independente da palavra, do sacramento e da caridade.

Exigir espaço - social, legal, político, até psicológico - implica reclamar que o Estado seja uma entidade limitada: pelo costume, ou pelo hábito moral e cultural, e pela lei. Esta limitação do Estado é a primeira condição de uma democracia pluralista. Ao recusar a absolutização da política, o princípio do Governo limitado abre espaço a uma interacção livre, vigorosa e civilizada entre várias propostas de ordenação da vida pública, nenhuma das quais é investida de autoridade última. A democracia é impossível quando a política é absolutizada, porque a política de absolutos é necessariamente a política da coerção.

A segunda coisa que a Igreja pede ao Estado, segundo George Weigel, é que mantenha uma atitude de abertura intelectual. Isto significa em termos gerais, que o Estado não pode adoptar uma filosofia particular, muito menos tentar impô-la aos cidadãos (ou aos seus filhos). Em particular, a Igreja reclama do Estado que ele mantenha uma abertura intelectual relativamente a um aspecto específico: a possibilidade de redenção.

Este é um aspecto curioso, que ilustra a interpretação não jacobina de laicidade. Por um lado, a Igreja recusa a teocracia e a existência de religiões oficiais. Por outro lado, a Igreja recusa que o Estado adopte como sua filosofia a hostilidade contra a religião. Por outras palavras, a Igreja reclama do Estado uma posição de abertura que contenha a possibilidade da verdade da religião.

Em termos práticos, isto significa que as duas principais reclamações dos católicos, segundo George Weigel, devem ser a liberdade religiosa e o respeito pelo pluralismo das instituições intermédias. O resto cabe aos católicos conquistar pela persuasão e pelo testemunho.

João Carlos Espada

Palavras-chave  opinião
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Sou católica
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 22:02 | Segunda feira, 26 de novembro de 2007
Tenho uma amiga que não acredita nem desacredita porque ninguém decifra nem explica o que é isso de acreditar.
Há poucos meses, quando estavamos a comer bolinhos numa pastelaria, atirei-lhe que o Papa tinha tido a excelente ideia de voltar à missa em latim e ela prontamente reforçou que não só a missa mas todo o paleio das religiões deve ser feito em línguas antigas ou mortas, que ninguém conhece, porque se é na língua corrente as palavras e frases estrambóticas usadas na religião dão uma forte impressão de que estamos perante casos de doença ou logro.
Não fiquei surpreendida, conheço o calibre da peça, como é uma pessoa com muito espaço e grande abertura intelectual acrescentei que era pena ela não ser católica porque não era a mim mas sim aos católicos que devia explicar a boa intenção do Papa.
Foi então que me mirou fixamente e disparou: estás muito enganada, eu sou católica.
Aguentei o impacto e perguntei-lhe a sorrir: ser católica é o quê?
Com ar rabino de criança que ganha um jogo ela explicou: ser católica é simplesmente dizer que sou; para os católicos não importa o que se pensa nem o que se faz, só conta o que é dito, só interessa o ministério da palavra, o resto é facilmente ignorado, olvidado e conquistado.
Só me restava entregar-lhe a taça e foi o que fiz. Altiva e solene disse-lhe que também sou católica e não me importei que ela pagasse a despesa.
 
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Zapatero, boa.
Volta Voltaire (seguir utilizador), 1 ponto , 18:24 | Terça feira, 27 de novembro de 2007
O sr. Zapatero tem coragem. Assim que o povo espanhol o legitimou, retirou as tropas do seu país do atoleiro mentiroso em que o seu antecessor as tinha colocado, caninamente.
( Na longínqua Austrália, a mentira mais uma vez acaba de provar que não compensa...)

O sr. Zapatero tem coragem. Com calma, mas paulatinamente, o Estado Laico impõe-se.
E a liberdade das religiões, fundamental, tem de ficar confinada ao foro íntimo de cada um.

Para quem já teve todo o poder (mesmo o poder de queimar 'hereges' na praça pública), custa muito ter cada vez menos poder. É a vida. Na Terra.

Amigo de Voltaire
(que era deísta mas não era tontinho e eu não sou crente nem tolinho)

P.S.: a "polémica" em Espanha também passava pela exigência, da parte da direita católica e ultramontana, que a disciplina de 'moral e religião católica' fosse obrigatória no.... Ensino Público!!!

 
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