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Querido, entreguei a casa ao Banco

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Sexta feira, 10 de fevereiro de 2012

A SIC devia investir num novo programa semelhante ao popular "Querido mudei a casa" mas adaptado aos tempos modernos. Neste emaranhado de dívidas em que vivemos lançar um "Querido, entreguei a casa ao Banco" seria um tiro certeiro nas audiências. E o mais certo é terem programa para os próximos 100 anos. É  que não interessa muito andar a fazer reformas na cozinha, sala de estar ou ter um quintal com zona de lazer, parque infantil e um anexo bonito para o cão quando quem acaba por lucrar com as reformas é um investidor qualquer num leilão depois da casa ter sido entregue ao Banco por falta de pagamento das prestações. Este último recupera o total em divida ou ainda lhe ficam a dever dinheiro, com juros obviamente.

O número de pessoas que deixaram de pagar os empréstimos bancários aumentou 450%. Repito: 450%. Há dezenas de milhares de empresas em incumprimento. No entanto a preocupação de meio mundo e de grande parte da comunicação social deste país gira em torno dos desgraçadinhos dos banqueiros que apresentaram resultados negativos. Até me dá vontade de chorar, palavra de honra. Quando os vejo na televisão a carpirem como madalenas procurando explicar o óbvio só dá vontade de lhes perguntar onde andaram este tempo todo? A culpa não pode ser só de quem teve acesso ao dinheiro. Quem o pediu emprestado por necessidade ou puro consumismo é o único responsável? Ele não caiu na conta das pessoas por acaso, ou caiu?

Onde andaram estes senhores de gravata composta e camisa imaculada quando os seus bancos emprestavam dinheiro sem a devida "securitização" dos mesmos? Sem acautelarem o possível, mais do que provável, incumprimento futuro. Onde andava Vítor Constâncio, supra sumo da Banca, quando os banqueiros aqui do burgo, numa guerra em que valia quase tudo para captar mais um cliente ou crédito à habitação, emprestavam dinheiro como se ele nascesse numa fonte do Jardim Botânico. Não viram o Air Bus a aterrar-vos no quintal? Pudera, com lucros de centenas de milhões trimestrais também eu andava contentinho da vida e ceguinho de todo. Isto para não falar em BPP, BPN e outras vergonhas a que temos assistido. E até estas são pagas pelos cidadãos.

Acho que está na altura destes senhores ajudarem a pagar a crise. Isto porque grande parte do que se está a passar socialmente é fruto da ligação estreita e estranha entre banqueiros e políticos. Uma ligação entre alta finança e política feita de cumplicidades, negociatas e fechares de olhos que só não são seriamente punidos porque a Justiça neste país não vale um tostão furado. E porque em boa verdade se diga que não interessa a ninguém mexer no que está instituído. Cabe ao jornalismo sério investigar todas estes meandros. E se não o fazem é porque não querem. Revejam todos os grandes escândalos dos últimos 30 anos e se não estiver envolvido um ou mais do que um banco e as suas empresas de nomes pomposos sedeadas em paraísos fiscais por detrás de cada negociata eu próprio faço mea culpa nesta página. E saem sempre incólumes porquê? Mistério.

 

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33

Quero lá saber de pieguices, a Académica vai ao Jamor!

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Quarta feira, 8 de fevereiro de 2012

Sinceramente pouco me interessam as pieguices de Passos Coelho, ou de um outro coelho qualquer, no dia em que a Académica carimbou o bilhete para a final da Taça de Portugal. Por mim Passos podia ter dançado um slow completamente nu e abraçado a Relvas em pleno Terreiro do Paço. Podiam ter-se casado. Estou-me a marimbar para as patacoadas do primeiro-ministro. Hoje estou, amanhã talvez não.

A Académica, emblema da minha cidade mas muito mais do que isso,  provavelmente um dos único clubes verdadeiramente universais, escreveu mais uma página na sua brilhante história. A Académica é muito mais do que um clube, é muito mais do que uma sigla, um emblema ou um conjunto de jogadores. A Briosa é um estado de espírito. A Académica não tem igual ou sequer parecido. É uma luta constante e uma revolução permanente e talvez por isso tenha marcado e continue a marcar tantas pessoas ao longo de muitas gerações, passem estas ou não por Coimbra. A Académica é a Académica. A Académica é uma causa, são várias causas que percorrem os tempos, a sociedade e a vida de milhares. A Académica é luta, protesto e alegria. A Académica é cultura.

Quarenta e três anos depois do meu pai ter estado nas bancadas do Jamor no dia 22 de Junho, ano em que os estudantes desafiaram o sistema de ensino, correram com o Presidente da República Américo Tomás de Coimbra e abalaram o regime numa luta desigual mas demonstrativa de uma força e coragem ímpares, a Académica volta, de forma briosa, a marcar presença numa final da Taça de Portugal. Bem hajam rapazes. Dia 20 de Maio lá estarei para vos saudar.

Corria o ano de 1969 e num ambiente de cortar à faca, "um dos maiores comícios de sempre contra o regime" escreveu Carlos pinhão, marcado pela entrada dos estudantes em campo de capas negras num protesto que anunciava a queda do regime ditatorial, entre pides bolorentos, faixas irreverentes ergueram-se ao intervalo exigindo "melhor ensino e menos armas". Cânticos desafiantes e vozes de protesto. A Académica vendeu cara a derrota ao SL. Benfica de Eusébio e Simões. Desta vez a história vai ser diferente, espero, e venha quem vier "morre".

Viva a Académica. Sempre.

 

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17

Os sacanas dos pedintes têm cá uma lata

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Terça feira, 24 de janeiro de 2012

Ontem de manhã passei por um senhor de meia-idade que pedia esmola na baixa de Coimbra. Gemia sentado num caixote  de cartão aberto. Ar macambuzio. O Cartão molhado era única coisa que o separava do chão frio de calçada portuguesa. Ao lado um cobertor sujo e meia dúzia de sacos de plástico que indicavam que a noite havia sido passada ali mesmo. Era a sua casa.

Quando passei junto a ele olhou para mim, ar envergonhado, esticou a mão e disse-me: "senhor, tenha a bondade de dar uma esmolinha ao pobrezinho que não tem dinheiro nem uma pensão"

Foi a gota de água. Não aguentei mais. Que injustiça. Respondi-lhe prontamente:

"oiça lá seu remeloso, e trabalhar, não?

"Mas eu não tenho pernas..."

"Desculpas mas é... agora não tem pernas...desculpas....

O senhor não vê o estado em que vive o nosso presidente da República? Não tem peninha dele? "Vai receber mais 1300€ por mês de reforma, repito:1300€ por mês" e você ainda tem a lata de estar aí sentado todo o dia a pedinchar. Tanta lamúria. Tem aí uma caixa de cartão toda bonita. Tudo aqui decorado com plásticos, uma vista fantástica, a rua toda por sua conta. Sabe lá agora o que é não ter dinheirinho para "cobrir as despesas".

"Levanta-te e anda meu sacana que o nosso Presidente está a passar necessidades."

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39

O Cavaquinho, coitadinho, que é pobrezinho

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Segunda feira, 23 de janeiro de 2012

Começo a compreender a razão pela qual o Presidente da República opta por passar tanto tempo calado. É que cada vez que abre a boca ficamos a perceber que ele existe, que não é um holograma, o que é uma desgraça. Uma desgraça comunicacional. Cavaco silva está para a comunicação oral como os Delfins estão para a música. Morrem e renascem todos os anos, mas sempre com a mesma qualidade, ou falta dela. A sensibilidade social de Cavaco é a de um Black & Decker a furar betão. Como é que é possível este senhor ser presidente da Republica?

As intervenções públicas do Presidente da Republica são como aquelas músicas de elevador. Primeiro ninguém liga mas com o passar do tempo e dos andares, em especial quando o prédio é alto e as paragens a são muitas, começam a irritar profundamente, ao ponto de enjoarem. Cavaco Silva é um enjoo. As suas declaracões são um vazio enfeitado por disparates.

E não foi diferente nesta última tirada, quando teve o desplante de dizer que a pensão global que irá receber da Caixa Geral de Aposentações, aproximadamente 1300€, "tudo somado não dá para pagar as despesas". Isto quando se sabe que o somatório de pensoes que aufere rondam os 10000€. E já agora senhor presidente: quais despesas? O carro onde se desloca? Alimentação? O local onde vive e trabalha? As viagens que faz? A roupa que veste? Mas quem é que paga tudo isto? Não nos quer esclarecer sobre quanto ganha por mês para cobrir despesas? Serão 2900€ como diz o jornal i?

O Senhor Presidente da Republica não tem a noção do país que preside, do que se está a passar, a situação dramática de milhões, para abrir a boca e proferir tamanha barbaridade? Realmente se é para isto dêem bolo rei ao homem para se entreter. Com cara de hamster mas em silêncio e amistoso.

Esta figura esfíngica no seu discurso de tomada de posse falou em "limites para os sacrificios que são exigidos ao comum dos portugueses". E qual é o limite aos sacrificios que devem ser exigidos ao Presidente da Republica?

Posto isto só vejo duas soluções dignas. A primeira é Cavaco Silva fazer um pedido formal de desculpa aos portugueses pela declaração lamentável, atroz e descabida que proferiu e demitir-se de imediato. A segunda é demitir-se de imediato e pedir desculpa as portugueses. Agora escolha.

 

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31

Não dá para exportar o ministro da Economia?

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Sexta feira, 20 de janeiro de 2012

Quando ouço o ministro "Álvaro" fico assustado. O homem pode ser um académico de excelência, um estudioso e teórico brilhante e a pessoa mais bem intencionada deste mundo, mas é confrangedor ouvi-lo a comunicar. Muito triste. É um deserto de ideias. Seco e árido. Se o Sara tivesse uma estátua seria certamente do Álvaro a comer um pastel de nata.

Por falar em pastéis , o senhor ministro da Economia saberá que em Braga existe uma pastelaria que exporta dois milhões de pastéis de nata por ano? Como disseram na televisão e bem, a sua sugestão de transformar o pastel num ex-libris português no estrangeiro tem mais anos do que a Sé lá do sitio. Vamos lá a estudar melhor o dossiê das pastelarias, doçarias regionais e afins. Eu próprio, em Londres, visitei estabelecimentos que recebem diariamente pastéis de nata vindos aqui do burgo, portanto deduzo que para isto ser uma coisa do outro mundo para o Álvaro é porque o Canadá é alérgico à nata. Podíamos tentar a alheira de Mirandela ou a morcela de carne, o que me diz? Era engraçado ver a alheira salvar a economia do país. E uma linha orientadora de excelência se acompanhada de batatas fritas, ovo estrelado e saladinha.

Até ao dia de hoje, e já vamos com muitos meses de governação, não me lembro de ouvir um discurso, uma entrevista (esta última na TVI com Judite de Sousa foi um exercício surrealista e monótono de paciência por parte dos telespectadores) uma declaração, um comunicado, um fax, um bilhetinho ou assobio que fosse por parte do senhor ministro que indicasse a remota possibilidade de existir uma qualquer espécie de rumo, plano ou estratégia  para relançar a economia do país.

A única coisa a que assisti, isso sim, foi à assinatura de um acordo (com o aval daquele senhor que diz ser líder sindicalista) que vem mais uma vez bater nos sacanas dos trabalhadores, esses bastardos que não servem para nada e só querem é feriados e férias e boa vida. Uns bichos que só servem para corroer as bases da nossa próspera economia, gabada mundialmente em tudo o que é relatório. Bater na base é, de facto, uma bonita linha orientadora, ó Álvaro. Não há mais nada aí no livro de receitas? Só o ataque organizado aos trabalhadores? Mais nada?

 

 

 

 

 

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18

Discurso arrepiante de um homem calado a tiro (vídeo)

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Quinta feira, 19 de janeiro de 2012

Foram precisos vários tiros de espingarda para calar este senhor. A verdade é que ele mexeu com quase tudo o que estava instituído. Pior, mexeu com tudo aquilo que não se vê, com o negro, com o sórdido. E remexeu de tal forma nos poderes instalados, ocultos e nebulosos que ainda hoje se desconhece quem esteve por detrás do seu assassinato. Os cubanos, a mafia, os russos, a própria CIA, banqueiros e grandes fortunas no estrangeiro que ele insistia em querer taxar, todos juntos, enfim. Há versões de todo o género e para todos os gostos. Nunca se vai saber. Foi feito para ser assim, um segredo que estava destinado a morrer com ele.

Agora o fascinante, verdadeiramente arrepiante, é ouvir este discurso e perceber que este senhor continua a ser um dos políticos que maior visão, coragem, e que estranhamente, ou não, mantém um discurso actual que na altura lhe foi fatal. Tudo o que ele disse na altura é verdade e aplica-se aos dias de hoje. Foi o seu último discurso. E que discurso. Depois, mataram-no.

Já não há políticos assim. Infelizmente.

 

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15

Sai da frente Passos: temos um governo à "Hélio Imaginário"

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Quarta feira, 18 de janeiro de 2012

Que o "imaginário" deste governo, em especial em termos de medidas, é limitado não tinha grandes dúvidas. Agora optarem pelo modelo de governação "o medo é coisa que que não nos assiste" (por isso tomem lá mais uma cacetada no lombo) já me parece um bocadinho mais perigoso. Eu falo por mim, não tenho problema algum em confessar que tenho medo deste governo. Pânico. E "assiste-me" ter medo de quem dirige desta forma amadora os destinos do país. É um direito. E quem não tem medo ou é estúpido ou inconsciente.

Quem segue empoleirado em cima do Skate nesta estrada atribulada é todo um país - os cidadãos (os Hélios) e não o Pedrito de Massamá e sua corte. Esses vão bem instalados dentro da viatura recém adquirida em Leasing a enfardar pastéis de nata franchisados e frangos do Nandos. Ao mesmo tempo filmam o gordo em HD a abanar-se, desequilibrar-se e estatelar-se a grande velocidade. Riem como perdidos . "Sai da frente Guedes, sai da frente Guedes" cantam eles, divertidos.

E assim vamos rolando, com estes senhores a empurrarem os Hélios da vida e a vê-los "esbardalharem-se" nas bermas. Até o Mr. Bean do executivo  - Vítor Gaspar -  consegue relaxar aquela carinha de arpão de caça submarina espetado na nádega e sorrir cada vez que aparece. A voz de Lexotan 3mg cintila ao anunciar aos Hélios a possibilidade de virem a ter de andar de skate novamente, que é como quem diz levar na tromba fiscalmente, ficar sem um ou vários direito, perder apoios ou subsídios ou termos de pagar mais caro milhares de bens. Nem que seja o acesso à saúde, aquela coisa que o Estado social garante (?)...enfim...

Ou seja, quem sai da estrada desgovernado e bate com os queixos na valeta somos nós - o Portugal habitual. E quem vai acordar com o corpinho cheia de rasgões das silvas, músculos doridos e a cuspir palha é o povinho, as usual.

Onde é que estão os cortes "exemplares" do lado da despesa do Estado que estas beatas histéricas gritavam em altura de campanha? Eu só vejo nomeações aos milhares! A chupar nos bolsos dos outros é fácil governar. Onde estão as grandes medidas para relançar a economia? Ou o pastel de nata é a única linha orientadora deste governo? Tanta porcaria com as exportações e até agora a única coisa que vi foi importarem um péssimo ministro com problemas de comunicação ao Canadá. Estou farto de andar de Skate a mando desta gente. Estou farto de ser um Hélio.

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19

A maçonaria é para todos, até para os pedintes

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Terça feira, 17 de janeiro de 2012

Não entendo a implicância com a rapaziada da maçonaria. Como os próprios revelam as lojas maçónicas estão abertas a todos, desde que  sejam "homens de bem". Ou seja, não excluem qualquer tipo de pessoa pela sua condição social, por terem pulgas nas axilas ou por usarem rastas. Aliás, é comum vermos à porta das lojas maçónicas grupos de pedintes, malta da Remar e alguns arrumadores e muita malta de fato de treino e pé de gesso. Já vi um amolador de tesouras a entrar numa loja e um vendedor de castanhas a estacionar a mota à porta.

No interior, já todos engravatados, de babete e luvinhas, políticos de todos os quadrantes, economistas, juízes e administradores de grandes empresas publicas e privadas quase passam despercebidos no meio do "povão". São claramente uma minoria entre os "homens de bem". O que até certo ponto se compreende.

"A Maçonaria não aceita dogmas, combate todas as formas de opressão, luta contra o terror, a miséria, o sectarismo e a ignorância, combate a corrupção..." Pois claro que sim... e no combate à corrupção o Dr. Isaltino Morais é certamente um dos maçons mais activos. O que é que esta gente percebe de miséria? A quantos daqueles que por ali andam de babete alguma vez faltou comida no prato?  

"O sistema de justiça português é constituído por lojas maçónicas e controlado pela maçonaria. Além de controlar as decisões dos processos - incluindo os casos da Universidade Moderna, Portucale, Casa Pia, Apito Dourado e Isaltino Morais - controla igualmente a carreira dos juízes e dos magistrados do Ministério Público e dos altos funcionários do Estado", diz José da Costa Pimenta, em carta para a actual ministra..." in DN

E esta última maluquice de chamar a Maçonaria de ordem secreta? Como pode ser a maçonaria uma ordem secreta se as próprias agências secretas lá estão representadas, também de avental e luvinhas. Não há organização neste país de que o SIS tenha mais informação em primeira mão e ao mais alto nível.

A maçonaria pode fingir que não é numa organização que congrega as diversas esferas de influencias com o intuito de controlar as traves mestras da sociedade, mas não é mais do que isso. Blá Blá Blá  só procuramos melhorar enquanto indivíduos, de chorar a rir. A maçonaria é uma rede de relações humanas única e que visa controlar e influenciar tudo o que pode. Controlar. Ter poder. O resto são tretas.

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59

Manuela Ferreira Leite é um comboio indiano a descarrilar

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Sexta feira, 13 de janeiro de 2012

Eu já tinha percebido que a Dra. Manuela Ferreira Leite, por muito boas intenções e qualidades que lhe reconheça, quando descarrila é como um acidente ferroviário na Índia. Morrem 100 no interior e desaparecem os 200 que vão alapados no tecto das carruagens ou pendurados no exterior. As autoridades têm de andar 5 dias a apanhar bocados de indiano num raio de 150km em volta do local do acidente. Com a Dra. Manuela Ferreira Leite o cenário é mais ou menos o mesmo, consegue ser uma acidente ferroviário indiano em apenas três ou quatro frases. E aparentemente sai do local da colisão com a mesma cara imperturbada que entrou, como se nada se tivesse passado. Intocável e intocada.

"A ex-ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, defendeu (...) no programa "Contra Corrente" da SIC Notícias, que os doentes com mais de 70 anos que precisem de hemodiálise devem pagar os tratamentos." "Respondendo à questão se não acharia "abominável" que se discutisse se alguém que tem 70 anos tem direito à hemodiálise ou não, Ferreira Leite respondeu que "tem sempre direito se pagar". Mas continua o descarrilamento, neste momentos dezenas de indianos rolam ribanceira abaixo: "será inevitável que tratamentos desse estilo - evidentemente que existem, e que as pessoas têm direito a eles - desde que paguem. Fora disso não é possível gratuitamente. O país não produz riqueza para isso e se não produz riqueza para isso degrada-se a qualidade"

Ora bem, acho que não preciso de rotular o que transcrevi, até porque quem leu deve estar a achar o mesmo que eu. Esta declaração é provavelmente das mais desumanas, intoleráveis e cruéis que tenho ouvido nos últimos tempos. E atenção que tenho ouvido muita baboseira saída da boca de quem se acha no direito de continuar a opinar sobre a vida dos portugueses e da forma como esta deve e não ser conduzida.

A minha pergunta é só esta: saberá a senhora (que certamente nunca teria problema em pagar os seus tratamentos de hemodiálise, caso deles necessitasse, por falta de dinheiro) que a média de idades dos doentes que recorrem a este tipo de tratamento é de 68 anos de idade? Sabe? Então a sua frase ainda é mais atroz (e peço desculpa pela franqueza). Saberá ainda que muitos deste doentes têm de pagar do seu próprio bolso o transporte (centenas de quilómetros por vezes) até ao local de tratamento, três ou até mais vezes por semana? Sabia? Não creio. Sabia? Palavra? E mesmo assim proferiu esta declaração miserável?

Quanto ao país "não produzir riqueza para isso" só lhe respondo assim: vejo todo o santo dia o país "produzir riqueza" para continuarmos a sustentar nomeações milionárias para cargos titulados por gente comprometida, autênticos sorvedouros de toda uma população cada vez mais em dificuldade. Por isso, peço-lhe algum decoro. A "riqueza" de um país vê-se na forma como o Estado trata os seus. E quanto à forma como a senhora nos quer tratar estamos conversados, é de uma "qualidade" inenarrável.

 

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38

Passos Coelho é um bluff e mentiu aos portugueses

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Quinta feira, 12 de janeiro de 2012

"Nós precisamos de "despartidarizar" a nossa a administração" - gritava então o Dom Sebastião de Massamá , corria o bonito dia 12 de Maio de 2011. Com os ventos de mudança a soprarem a favor, tudo o que saía daquela boca parecia ser sincero, habituados a ser aldrabados todo o santo dia - de há seis anos aquela parte - era sopinha no mel .  Outra pérola do senhor Primeiro Ministro, na altura ainda candidato ao cargo e em data que não me recordo, rezava assim: "eu não quero ser primeiro ministro para dar empregos ao PSD" e  "não vamos andar a nomear os boys do PSD".

Pois não, o senhor só quis ser primeiro ministro para poder morar finalmente na capital, farto que estava de viver nos arredores e ter de andar a apanhar secas no IC19. Deixe-se de tretas Dr. Pedro Coelho, porque a começar nas nomeações para a administração da CGD, unidades de saúde e afins, passando pelo trono de luzinhas chinesas onde o "velhote" Catroga, que será certamente para semprerecordado como um dos coveiros dos tempos modernos, se sentará contemplando um ordenado obsceno, a acabar nas recentes nomeações para a empresa Águas de Portugal, o senhor mais não fez do que desfazer tudo que prometeu e dar emprego a quem o andou a "empurrar" para o cargo que hoje ocupa. E neste momento mais não faz do que demonstrar que faltou à verdade, que mentiu. Lamento, mas é o que penso de si neste momento. E não sou o único. O senhor é um bluff, uma desilusão, muita parra e pouca uva.

E sobre estas ultimas nomeações, as contratações de inverno das águas de Portugal, só tenho a dizer-lhe o seguinte: nojo. Asco. Completo e rotundo vómito. Se José Sócrates metia água todas as semanas o senhor é uma barragem que ultrapassou o limite máximo do cinismo e hipocrisia e se encontra prestes a explodir com tudo o que de mau isso pode trazer. Nomear dois "artistas" sem qualquer espécie de critério (um do PSD e outro do CDS-PP - ora aqui está o critério ) sendo que o primeiro, Manuel Frexes, é o presidente da Câmara do Fundão que tem, imagine-se, um processo de muitos milhões contra uma empresa que indiretamente este vai controlar, através da Empresa Águas de Portugal é não só indecoroso como patético. Frexes ia acabar o mandato e depois provavelmente ia tocar bombo para o Rancho Folclórico de Silvares (eu arranjava-lhe este tacho se ele quisesse). Assim está melhor - está garantido.

Esta mama que não tem fim à vista. A partidarização de tudo o que é empresa e entidade publica. Uma eterna dança de cadeiras a que assistimos a cada mudança de cor política no governo é a prova de que Portugal é um país de tachos, de políticos sem vergonha ou carácter, sem objectivos que ultrapassem o do agradar aos padrinhos e agradecer a correligionários, aos cúmplices e amigos de lutas partidárias, e que nada têm a ver com o espírito de entrega e serviço público que deveriam demonstrar. A política portuguesa é uma fraude e fede. Estes políticos não querem ser metidos todos no mesmo saco, mas nasceram todos da mesma ninhada.

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